50 Documentários que Você Precisa Assistir Antes de Morrer

Amir Labaki é diretor-fundador do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. Informou (Eu & Fim de Semana – Valor, 16/09/11) que uma telessérie dedicada à história recente do documentário detonou uma boa polêmica no mês passado nos EUA. O canal a cabo Current TV apresentou em cinco episódios o especial “50 Documentários que Você Precisa Assistir Antes de Morrer“, definido como “uma celebração dos mais notáveis e emocionantes documentários lançados nos últimos 25 anos”. Veja outra lista dos Melhores Documentários em: Épico X Documentário.

Apresentado pelo cineasta Morgan Spurlock, o ciclo se propôs a examinar “como o longa documental evoluiu para um gênero crescentemente popular, tornando-se uma importante força na bilheteria e impactando a cultura americana contemporânea de maneiras nunca vistas antes”. No site Fifty Documentaries, você encontra a lista completa e pode ver um trailer de seis minutos da série, assim como mais de 40 trechos sobre títulos da lista, com a presença de seus realizadores e alguns personagens.

A série sinaliza um novo patamar de reconhecimento para a produção de documentários nos Estados Unidos. Os filmes foram escolhidos por um painel de cineastas e especialistas, entre os quais o ensaísta acadêmico Michael Renov, presença constante no É Tudo Verdade e na Conferência Internacional do Documentário.

Dentro dos critérios específicos (só longas do último quarto de século), a seleção mais acerta que erra, apesar da hierarquização estranha. Para começar, há restrições éticas, como a presença entre os dez mais de um título dirigido pelo apresentador (“Super Size Me“, 2004) e outro coproduzido e estrelado por Al Gore, um dos fundadores do canal (“Uma Verdade Inconveniente“, 2006, de Davis Guggenheim).

Ao menos o topo da lista é certeiro, com “Basquete Blues” (“Hoop Dreams“, 1994), de Steve James, um dos marcos da revolução das câmeras digitais, ao acompanhar por quase meia década a luta de dois jovens afro-americanos de Chicago por uma carreira no basquete. Sucedem-no “A Tênue Linha da Morte” (1988), de Errol Morris, “Roger e Eu” (1989), de Michael Moore, a animação documental “Valsa para Bashir” (2008), de Ari Folman, “Super Size Me“, “A Sala de Comando” (1993), de D. A. Pennebaker e Chris Hegedus, “O Outro Lado de Hollywood” (1995), de Rob Epstein e Jeffrey Friedman, “Uma Verdade Inconveniente“, “Trouble the Water” (2008), de Carl Deal e Tia Lessin, e “O Homem Urso” (2005), de Werner Herzog.

A presença destacada de “Valsa para Bashir” logo no alto dessa tentativa de cânone cria uma falsa expectativa de cosmopolitismo para uma relação quase totalmente dominada por obras americanas e britânicas. Apenas mais três documentários de outras partes do mundo emplacaram um posto. No 16º, eis o brasileiro “Ônibus 174” (2002), de José Padilha. Na 38ª posição se encontra “A Marcha dos Pinguins” (2005), do francês Luc Jacquet, e na 44ª, “VJs de Mianmar” (2008), do dinamarquês Anders Ostergaard, vencedor da disputa internacional do É Tudo Verdade de 2009. E é só.

Tudo se complica ao notar-se a omissão de qualquer título do mestre dos mestres do documentarismo americano, Frederick Wiseman, que rodou quase duas dezenas de filmes no período examinado pela seleção. O espanto é maior quando se percebe que uma certa “política de autores” marca a escolha, com ao menos sete cineastas classificando mais de um documentário.

O campeão, e único com três escolhidos, é, claro, Michael Moore, com “Roger e Eu“, “Tiros em Columbine” (2002, 12º lugar) e “Fahrenheit 11 de Setembro” (2005, 30º).

Foram selecionados dois títulos de Alex Gibney, Errol Morris, Kevin Macdonald, Werner Herzog, e das duplas Rob Epstein/Jeffrey Friedman e Joe Berlinger/Bruce Sinofsky. Apenas oito títulos dirigidos por mulheres encontram-se na lista.

Em sintonia com a ideia de “novos e áureos tempos”, nada menos que 35 das obras foram realizadas a partir de 2000. Os filmes mais antigos são de 1988 (“A Tênue Linha da Morte”; “O Declínio da Civilização Ocidental – Os Anos do Metal”); os mais recentes, do ano passado, “Exit Through the Gift Shop“, de Banksy, e “Catfish“, de Henry Joost e Ariel Schulman. Quase metade dos escolhidos (24) ficou ao menos entre os cinco finalistas ao Oscar.

Mesmo respeitando a visão distorcida de Spurlock do documentário como um gênero entre “arte e jornalismo”, uma seleção mais rica e complexa seria possível. Eliminemos, de saída, a absurda presença de “Na Cama com Madonna” (1991), de Alek Keshishian.

Faça sua lista. Na minha não faltariam “Let’s Get Lost” (Weber), “Hotel Terminus” (Ophüls), “A Oeste dos Trilhos” (Wang Bing), “Santiago” (Salles), “Tishe!” (Kossakovsky) e “As Cinco Obstruções” (Trier/Leth). O difícil seria escolher entre os filmes de [Eduardo] Coutinho.

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