Carteiras de Fundos de Previdência Privada Aberta

Silvia Rosa (Valor, 10/10/11) informa que,  com a estabilidade da economia e crescimento do emprego e da renda no Brasil, o mercado de previdência privada aberta apresentou grande crescimento, passando de pouco mais de R$ 3,09 bilhões em patrimônio líquido para R$ 206,3 bilhões, no período de dez anos encerrado em agosto de 2011. A evolução nos últimos anos tem sido de 25% ao ano.

Nos últimos cinco anos, a captação líquida das carteiras com renda variável somou R$ 26 bilhões, ainda muito abaixo do aporte líquido registrado nos portfólios de renda fixa, que somaram R$ 67,6 bilhões. A rentabilidade oferecida pelas aplicações em renda fixa no Brasil ainda é muito boa. Isso só deve mudar à medida que cair a taxa básica de juros.

Os investidores que aceitaram correr mais risco aplicando parte dos recursos destinados à aposentadoria em ações de 2001 para cá saíram ganhando. Levantamento da consultoria NetQuant em parceria com a Towers Watson sobre o desempenho dos fundos de previdência privada aberta mostra que as carteiras com até 49% de renda variável, limite máximo de alocação permitido pela legislação, foram as mais rentáveis nos últimos dez anos encerrados em agosto deste ano.

Esses portfólios acumularam retorno médio de 263%, superior ao dos fundos de renda fixa, que apresentaram um ganho médio de 240,3% no período. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA acumulou 88,69%.

Nenhuma categoria dos fundos, no entanto, conseguiu superar o CDI, referencial da renda fixa, que acumulou uma variação positiva de 299,4% no período. As carteiras de renda fixa renderam em média 1,60% ao ano abaixo do CDI. Parte dessa diferença é explicada pela cobrança de altas taxas de administração no segmento de varejo. Por isso, é importante prestar atenção nas taxas de administração dos fundos, pois no longo prazo elas podem comprometer o rendimento.

Além disso, o resultado também reflete uma gestão mais passiva (que seguem determinado índices ou referencial) das carteiras, que eram muito concentradas em papéis pós-fixados atrelados à taxa Selic, que beirava 19% ao ano, em agosto de 2001. Com a queda da Selic, hoje em 11,5% ao ano, as taxas de administração passaram a ter peso maior no retorno dos fundos, e os gestores tiveram que adotar estratégia mais ativa.

Na conjuntura atual, com queda da bolsa, essa gestão ativa indica que pode ser uma oportunidade para os investidores ampliarem a participação de renda variável na carteira de previdência. No período de dez anos, encerrado em agosto deste ano, o Ibovespa passou de 12.840 pontos para 56.495 pontos, passando por momentos de crise, como em 2002, com o temor dos investidores com a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2008, com o estouro da crise financeira mundial.

Os especialistas dizem que a alocação em ações só faz sentido se for para o longo prazo, no mínimo três a quatro anos. Essa propaganda pode ser enganosa. Basta ver essa evolução em dez anos. Se o investidor decidiu entrar logo antes do “pico” atingido em abril de 2008, quanto se atingiu 73.500 pontos, já se passaram mais de três anos e ele não recuperou o valor do investimento inicial. Portanto,  o longo prazo significa, na verdade, a possibilidade de escolha criteriosa do momento quando se resgata os investimentoso, durante período de alta consolidada da Bolsa de Valores, ou seja, não ficar inteiramente dependente desses recursos. Leia sobre o problema de resgatar no ano corrente: Rentabilidade de Fundos de Pensão em 2011.

A vantagem dos fundos de previdência em comparação com as outras carteiras de investimento é o benefício fiscal oferecido nos Planos Gerador de Benefício Líquido (PGBL), permitindo a dedução das contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda até o limite de 12% para os participantes que fazem a declaração completa. Mesmo para os que optam pela modalidade Vida Gerador de Benefício Líquido (VGBL), o fato de pagar o imposto sobre a rentabilidade somente no resgate também é uma vantagem. O desconto do IR sobre os rendimentos, que ocorre semestralmente nos fundos de investimento (o come-cotas), só ocorre no momento do resgate nos fundos de previdência complementar, permitindo maior capitalização com juros compostos, ou seja, juros sobre juros.

Com o histórico de altas taxas de juros do Brasil, as carteiras de renda fixa lideraram as captações. Os planos sem renda variável representam 80% do patrimônio dos fundos de previdência, que somava R$ 206,26 bilhões em agosto deste ano.

A retomada das ofertas no mercado de ações a partir de 2004 e o crescimento econômico do Brasil impulsionaram os retornos na bolsa e atraíram muitos participantes para as carteiras com renda variável. Os fundos com até 49% em ações apresentaram o maior salto do patrimônio líquido, que passou de R$ 155,7 milhões em 2001 para R$ 17,77 bilhões em agosto de 2011. As pessoas necessitam se arriscar a aumentar a parcela em renda variável se quiserem alcançar rentabilidade real, no longo prazo, em cenário em que se mantenha a tendência da queda da taxa de juros e a alta da taxa de inflação ameace a corrosão do rendimento real.

Um dos produtos que mais têm atraído os investidores de previdência são os fundos que aplicam em papéis atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), diante da preocupação de proteger o patrimônio do aumento da inflação. Há carteira VGBL lançada por seguradora de grupo bancário que investe em Notas do Tesouro Nacional-série B (NTNs-B), cujo retorno é atrelado à variação do Índice Nacional dos Preços ao Consumidor Ampliado, com prazo acima de cinco anos.

No período de cinco anos encerrados em agosto deste ano, o índice IMA-B, que acompanha o desempenho desses papéis, acumula retorno positivo de 83,56%, superior à variação do CDI, de 69,64% e à inflação de 29,32% pelo IPCA no período. A rentabilidade das NTN-Bs foi impulsionada pela queda da taxa de juros no período, que fez com que os preços dos títulos subissem, provocando impacto positivo para as carteiras compostas por esses títulos quando marcadas a mercado. Nos últimos quatro anos, os fundos de previdência de renda fixa aumentaram a concentração em NTNs-B de longo prazo, que protegem o investidor da alta da inflação, mas apresentam maior volatilidade.

Com o cenário de queda da taxa de juros, os gestores devem buscar novas opções de investimentos que tragam rentabilidade diferenciada para os portfólios, aumentando as participações em ações e crédito privado. A parcela em títulos de dívida corporativa chega a representar cerca de 30% das alocações de alguns fundos de renda fixa. Investem em papéis privados, principalmente em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGEs) de bancos de primeira linha. Geralmente, adotam um comitê para analisar o risco desses papéis, compostos principalmente por CDBs, debêntures, e cotas de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC).

Na renda variável, destacam-se oportunidades em ações de empresas que pagam bons dividendos, conhecidas como “papéis de viúvas“, muito comuns nos planos 401 k – os mais populares fundos de previdência dos Estados Unidos. Para analistas, a alocação em ações faz sentido principalmente para os fundos de previdência conhecidos como ciclo de vida, em que o perfil das aplicações vai variando de acordo com o tempo e o horizonte de prazo de investimento de cada cliente.

Leia maisNúmeros do Mercado – Julho2011

Obs.: valores em R$ mil.

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