Economia Em 10 Lições – Primeira Lição

PRIMEIRA LIÇÃO

DECISÃO DE ESTUDAR ECONOMIA

Quis? Quid? Ubi? Quibus auxilliis? Cur? Quomodo? Quando?
[Quem? O que? Onde? Por que meios? Por que? Como? Quando?] –
Método para circunstanciar:
a pessoa, o fato, o lugar, os meios, os motivos, o modo, o tempo.

1.1. Diálogo autor – leitor

–       Meu caro leitor…

–       Por que caro? Caro é você, livro.

–       Este adjetivo vem do latim caru. Significa que custa um preço alto, elevado. Mas em relação a que? Posso alegar que cara foi a livraria que te cobrou, ou onde se cobra, um preço mais elevado do que as concorrentes…

–       Por sua vez, a editora justificará que sua publicação exige grandes despesas; é dispendioso. Sei onde isso vai parar, no meu bolso.

–       Meu autor diz que seus conhecimentos foram obtidos com grandes sacrifícios. No entanto, se alguém me lê, é caro, pois é tido em grande valor ou estima. Todo leitor é querido, amado.

–       Por alto preço devo entender, então, em relação aos outros preços ou à minha renda?

–       Tanto no que se refere ao preço relativo ou quanto ao seu poder aquisitivo real somente se for mais do que seria natural, face a seus custos de produção, ou razoável, de acordo com o mercado…

–       Essa conversa de economista me confunde, às vezes. Preço natural, preço de mercado, preço relativo, valor nominal, valor real, tudo isso parece demasiado para mim. Até mesmo dialogar contigo, livro. Na verdade, só saberei se você vale o que me custou quando eu te ler. A cada página te avaliarei, para saber se valerá a pena virar para a próxima. Aí, então, constatarei se você é útil ou não.

–       De fato, uma corrente de pensamento afirma que a atitude subjetiva do comprador em relação à mercadoria adquirida é o problema central em Economia. Em vez de estudar as relações sociais objetivas que surgem no processo de produção e de distribuição das mercadorias, acaba por atentar apenas à atitude subjetiva do homem para com as coisas que servem à satisfação de suas necessidades.

–       Você está me sugerindo que eu, conhecendo Economia, não devo me conduzir de acordo como meus próprios interesses?!

–       Não. É racional cada um agir dentro do princípio da obtenção da máxima “vantagem econômica”. A chamada “Lei de Gérson” [jogador da seleção brasileira de futebol, em 1970, que disse, numa propaganda, que “gosta de levar vantagem em tudo”], sintetiza muito bem o princípio geral que, segundo acreditam os economistas, governa toda a atividade econômica dos homens. Este princípio deu origem à imagem do “homem econômico” [homo economicus], que age estritamente seguindo o desejo de obter a máxima renda em dinheiro.

–       Então, de acordo com esta teoria subjetivista, todo o comportamento humano é governado por um desejo de obter o prazer máximo e o desgosto mínimo possíveis nas condições dadas? Isto é, minha decisão de comprá-lo é uma decisão econômica? É uma atividade econômica maximizar o benefício que dá a posse de bens – no caso, de você, livro –, comparado ao  custo de sua aquisição?

–       Pode ser surpreendente, mas, sim, isto é verdade, de acordo com essa corrente chamada subjetivista ou utilitarista. Em vez de uma ciência das relações econômicas entre homens, nasceu uma “ciência econômica” [economics] cujo objeto é a relação entre o homem e as coisas. Em vez de uma ciência tratando de um certo tipo da atividade humana, surgiu uma ciência formal de um certo modo de comportamento de acordo com a “psicologia utilitária”. A Economia torna-se uma relação entre o Prazer e a Dor [a calculus of Pleasure and Pain].

–       Você está me sugerindo, implicitamente, que, de fato, é estranho eu estar aqui, dialogando – solitariamente – com você, um livro-objeto. Mas, por trás dessa relação utilitária homem-coisa, há uma relação social, que deveria ser o verdadeiro objeto de uma ciência social como pretende ser a Economia?

–       Este é o ponto a que eu queria chegar. As relações sociais definem-se como um determinado tipo de reação que se repete, constantemente, dos homens uns para com os outros, mediante uma atividade contínua de uma dada espécie. As relações sociais que se estabelecem, no decorrer do processo econômico, distinguem-se das outras espécies de relações sociais pelo fato de que surgem por intermédio dos objetos materiais ou serviços que servem à satisfação das necessidades humanas. Em outros termos, as coisas, os objetos materiais, desempenham o papel de cimento das relações econômicas entre os homens. Posso representar tais relações pelo seguinte esquema: homem – coisa – homem.

–       Bem, se é assim, eu te despeço, pois entendi que você, livro, é simplesmente um porta-voz do autor. Para haver, verdadeiramente, um diálogo é necessária a comunicação entre duas ou mais pessoas; ou uma conversação, um colóquio. Você me mostrou que uma obra científica pode ter uma forma dialogada, em que se troca ou discute idéias, opiniões, conceitos, com vista ao entendimento da Economia e à solução de problemas econômicos. De agora em diante, converso diretamente com o autor. Ah! Aí está você. Quais serão as próximas lições?

–       A primeira você já aprendeu. O despertar da consciência social é o primeiro passo para o entendimento da Economia como uma ciência social. Você já percebeu também que há uma divisão de trabalho entre nós. Este é um tema econômico. Um dos primeiros explorados por Adam Smith, nos primórdios da Economia Política, há mais de dois séculos…

–       Ei! Vai com calma. Não me diga que vocês vão contar toda a história do pensamento econômico, ipsis literis, de uma vez. Tenho muitas dúvidas sobre o presente, para aguardar tanto. Na verdade, quero escolher poucos assuntos, para absorver a lógica básica do método de pensar na Economia.

–       Este livro é um lecionário. Lecionar significa explicar em modos de lições. Uma lição é uma forma particular de texto, matéria ou tema ensinado ou explicado pelo professor ao aluno. Aqui, em Introdução à Economia, cada uma das 10 lições (ou capítulos) corresponde a uma unidade didática no conjunto da matéria. Neste breve curso de Economia, a aprendizagem virá, naturalmente, em doses homeopáticas. O objetivo é proporcionar ao estudante (ou leitor) a lógica básica do raciocínio com a qual possa analisar as questões econômicas que enfrentará como cidadão. Nesta primeira lição, estamos aberto às perguntas referentes às dúvidas básicas a respeito da decisão de estudar Economia.

–       Pois bem, vamos lá. O que é, exatamente, Economia? O que ela poderá fazer por mim? Basta um conhecimento prático em Economia? Qualquer um pode entendê-la? Tenho grande dificuldade para entender a Economia: sua terminologia; as explicações dos economistas que colidem com a realidade cotidiana; o choque de opiniões entre os próprios economistas; as constantes mudanças econômicas…

–       Agora, sou eu que peço calma a você. Cada uma das respostas merece um tópico, neste capítulo. Acho que podemos resumir suas questões em cinco:

  1. O que é Economia?
  2. Por que devo estudar Economia?
  3. Por que a Economia é hermética?
  4. Por que a Economia é controversa?
  5. Como devo estudar Economia?

Ler maisFernando Nogueira da Costa Economia em 10 Lições LIÇÃO1

3 thoughts on “Economia Em 10 Lições – Primeira Lição

  1. Profº. Fernando, Boas Festas e um Ano Novo cheio de novos desafios e conquistas!
    Sempre que acesso o seu Blog fico mais animado em estudar Economia.
    Parábens pelos temas e a riqueza de conteúdo dos mesmos.

  2. Caro professor Fernando,
    Quero agradecer imensamente por colocar a disposição esta obra maravilhosa. Que Deus o abençoe.
    Att,
    Cesar

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