Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista – Capítulo 7

CAPÍTULO 7

MECANISMO DE TRANSMISSÃO MONETÁRIA

INTERATIVO E ITERATIVO[1]

 

Um economista, um engenheiro, um médico discutiam
a respeito de qual foi a profissão de Deus. O médico disse:
– ´Deus fez uma cirurgia delicadíssima para criar Eva a partir de uma costela de Adão, então, evidentemente, ele foi cirurgião-médico´.
– ´Engano teu´, disse o engenheiro, ´antes disso, ele criou o céu e a terra. Antes dessa obra de engenharia, havia somente uma completa confusão
e o caos!´.
-´Bem´, disse o economista, ´do trabalho de quem você pensa que veio
o caos?´”.

            O objetivo deste capítulo é mostrar o esforço de construção de teoria comportamental, geral e consistente, para todas economias de mercado, empreendido por uma série de autores anti-mainstream, com a exposição do mecanismo de transmissão monetário através do método ex-ante / ex-post. Analisará o comportamento usual dos principais agentes econômicos – governo, bancos, consumidores, empresários – nas decisões fundamentais da vida econômica: de empréstimos, de fixação de preços, inclusive básicos: juros, câmbio, tarifas, etc., de manutenção de estoques, de produção, de gastos em investimento e em consumo. Discorda, portanto, do ceticismo dos equilibristas, que desacreditam da construção de teoria das decisões sob condições de incerteza.

Mostrará a incerteza gerada pelas expectativas divergentes, baseadas na não-uniformidade da estrutura institucional e das rotinas. As interações das decisões heterogêneas dos agentes, condicionadas por essas expectativas, resulta em incerteza. Sob condições de incerteza, não se pode predizer se o comportamento dos agentes econômicos será governado, predominantemente, pela premissa de racionalidade individual ou pelas instituições e normas sociais.

Ao contrário do mainstream, onde é exógena ao modelo, introduzida arbitrariamente por alterações inesperadas ou não anunciadas da política monetária, no modelo pós-keynesiano, a incerteza é endógena, porque é resultante do confronto de “forças do mercado”. A própria política discricionária é, de certa forma, endógena, na medida em que está submetida a limites sinalizados pelo mercado – risco de provocar recessão, desemprego, falências e reações políticas –, visando, no limite, ao funcionamento saudável do mercado.

Leia mais: Fernando Nogueira da Costa Economia Monetária e Financeira CAPÍTULO 7


[1]           Versão reduzida do texto, com o mesmo titulo, publicado em Economia e Sociedade. Campinas, Revista do Instituto de Economia da UNICAMP, Vol. 5, pp. 159-179, dez. 1997.

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