Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista – Capítulo 8

CAPÍTULO 8

TEORIAS DE INFLAÇÃO MODERADA, INERCIAL, ACELERADA
E HIPERINFLAÇÃO

“Ter uma pequena inflação é como ter uma pequena gravidez –
ela rapidamente deixa de ser pequena”

            Os economistas de formação convencional geralmente adotam a Teoria Monetária dos Preços, derivada da Teoria Quantitativa da Moeda. De acordo com sua premissa, a instabilidade do nível de preços deriva principalmente de distúrbio monetário, que provoca desequilíbrio entre a demanda monetária agregada e a oferta total de bens, em vez de causas não estritamente monetárias, tais como pressões de custos, inércia ou expectativas. Além destas causas, em abordagem alternativa, as variações de margens de lucro em conjunto com preços rígidos à baixa levam à oscilação da dispersão dos preços relativos, afetando o nível geral de preços.

A crítica construtiva à Teoria Quantitativa da Moeda exige a apresentação de Teoria Heterodoxa da Inflação. A causa do aumento do nível de preços não deve ser restrita à pressão de demanda no mercado, mas sim ampliada para contemplar o âmbito das decisões dos líderes na formação de preços. Relaciona-se com seu poder na estrutura de mercado, a elasticidade da demanda do produto, a liquidez da firma para sustentar o preço fixo, e tem como referência preços básicos regulados pelo governo: indexadores, juros, câmbio, tarifas, salários, etc.

O método de resenha adotado, neste capítulo, destaca, em sua linha expositiva, a complementariedade  de três níveis de abstração: teoria pura, teoria aplicada e ação de política econômica. Inicialmente, cita o debate teórico atual sobre os microfundamentos das teorias de inflação, distinguindo a superação, no mainstream, da visão com fundamento walrasiano de determinação de preços no mercado pela ótica marshalliana de formação de preços pela firma. Nesse tópico, mostra-se também a teoria monetarista da inflação, através de sua apresentação mais recente, realizada pelo próprio Milton Friedman.

Em seguida, classifica as teorias aplicadas da inflação brasileira de acordo com suas diversas correntes interpretativas, contextualizando seus surgimentos, para salientar o condicionamento local e histórico que seus autores sofriam. O debate sobre causas primárias da inflação entre o estruturalismo e o monetarismo ocorreu, predominantemente, no final dos anos 50 e início dos 60, etapa de transformação produtiva da economia brasileira que implicou em intensas mudanças de preços relativos e intervenção governamental. A ênfase teórica sobre mecanismos de propagação inflacionária, ou seja, o inercialismo, se deu, principalmente, em outra fase, entre meados dos anos 70 e dos 80, em que ocorriam patamares inflacionários trienais. O expectacionismo ganhou relevância, a partir de então, com a aceleração da inflação. Com o plano de estabilização da inflação, implantado em 1994, no Brasil, o debate sobre a inflação ficou quase esquecido. O survey destaca a contribuição de cada corrente de pensamento.

Finalmente, levanta as explicações para a ameaça de hiperinflação, ocorrida no país, no início dos anos 90, e o tratamento antecipado. Discute, então, as propostas de política de estabilização e sua implementação, através do chamado Plano Real. Apresenta algumas evidências empíricas de seu resultado.

Ler maisFernando Nogueira da Costa Economia Monetária e Financeira CAPÍTULO 8

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