Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista – Capítulo 9

PARTE  V 

POLÍTICA MONETÁRIA

CAPÍTULO 9

CONDUÇÃO DA POLÍTICA MONETÁRIA

 

“Um presidente, acusado de ter praticado política monetária equivocada, queixava-se de que precisava de economista ´de um lado só´. Lastimava que certo assessor econômico lhe expunha com precisão, clareza e plena convicção a conjuntura problemática e como sair dela. Quando ele já estava convencido, esse economista acrescentava: – ´Por outro lado…´ e desenvolvia uma série de argumentos tão precisos, tão claros e tão convincentes como os anteriores, mas que conduziam à conclusão oposta!”

“Política monetária é como mola, serve para puxar, mas para impulsionar não é de grande valia”.

“Política monetária é como corda: você laça o touro, mas se ele se volta contra você, ela não serve para retrocedê-lo”.

“Controlar a economia com a política monetária é o mesmo que segurar um tigre por seu rabo”.

“Enxugar a liquidez da economia é o mesmo que enxugar gelo”.

“Você pode levar o cavalo à fonte, mas não pode obrigá-lo a beber, assim como pode dar liquidez à economia, mas não consegue expandi-la”.

O que há de comum entre essas metáforas? Todas tratam do papel assimétrico exercido pela política monetária e creditícia, no controle e na criação de liquidez, para o sistema econômico. Essa política, no sentido contracionista, sem dúvida, tem o significado de contrair a liquidez real, se, efetivamente, limita a capacidade de criação de poder de compra ex-nihilo pelos bancos. Mas a política monetária e creditícia expansionista pode não expandir a liquidez do sistema, se não forem acompanhadas de decisões de gastos dos agentes econômicos.

O debate entre os economistas monetaristas e os keynesianos a respeito do poder da política monetária é inconclusivo. A metáfora atinge o máximo de eficiência retórica no início do debate ou na apresentação de certas proposições originais, sendo usada como instrumento de pensamento, mas, no decorrer da controvérsia, ela não deve ser recurso de exposição. Dentro das regras da retórica, o abuso de metáforas pode ser arma voltada contra si. Portanto, devemos seguir com uma abordagem pluralista ao examinar os argumentos de ambas correntes de pensamento econômico a respeito da política monetária: se ela é instrumento de destruição tão poderoso que seu uso deve ser limitado ou se é meio de alavancagem tão frágil que a “tese do dinheiro barato” deve ser descartada.

Vamos, neste capítulo, num nível um pouco mais abstrato do que o tratamento a ser dado nos capítulos posteriores, apresentar a polêmica sobre a melhor condução da política monetária. Ela deve se pautar pelo controle geral da oferta de moeda, como regra para o comportamento das autoridades monetárias, ou pela adoção de política monetário-creditícia discricionária, fruto do arbítrio da direção do banco central?

No caso da adoção do controle geral da oferta de moeda como regra, vamos, inicialmente, apresentar a crítica de Friedman à hegemonia da política econômica keynesiana através de seus critérios de avaliação da política monetária. Examinaremos os limites da política monetária discricionária de ativismo da demanda e o que a política monetária pode fazer, segundo os monetaristas. Em seguida, veremos o seu programa para a estabilidade monetária: determinada regra estável para o crescimento da oferta de moeda.

Tratando da política monetário-creditícia discricionária, apresentaremos os limites da política monetária através de regra, segundo a visão keynesiana, e a proposta de sua alternativa: a adoção de política monetária acomodacionista e política financeira discricionária. Na realidade, os pós-keynesianos advogam a necessidade de política econômica abrangente.

Examinaremos, também, a abordagem novo-clássica defensora da condução de política monetária com credibilidade.

Correlacionado com esse debate, está a discussão a respeito dos limites da atuação do Banco Central. Para examiná-los, vamos apresentar as funções correntes dessa autoridade monetária, discutir qual é sua função prioritária (emprestador em última instância ou controlador da inflação) e, brevemente, nos posicionar em relação à questão da sua independência.

Leia maisFernando Nogueira da Costa Economia Monetária e Financeira CAPÍTULO 9

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