Teoria dos Jogos

Há forte semelhança entre a diversificação, proposta pela Teoria da Seleção de Portfolio, elaborada por Markowitz, e os Jogos de Estratégia de von Neumann. Ao fazer o melhor de alguma barganha ruim, ou seja, ao diversificar em vez de tentar dar uma única tacada, o investidor pelo menos maximiza as probabilidades de sobrevivência.

A importância prática da Teoria dos Jogos na Economia, até agora, apesar de sua divulgação até em manuais de Introdução à Economia, é muito aquém das promessas iniciais formuladas por John Nash. Ela não teve nenhuma consequência notável em termos de Economia Aplicada. Sua grande relevância é puramente teórica. Ela se diferencia da Teoria da Utilidade, onde o indivíduo opta isoladamente, ignorando as decisões dos outros. Na Teoria dos Jogos, os parceiros tentam maximizar sua utilidade simultaneamente, cada qual consciente do que os outros estão fazendo.

A Teoria dos Jogos traz novo sentido à incerteza. As teorias anteriores aceitavam a incerteza como fato consumado e pouco faziam para identificar sua fonte. A Teoria dos Jogos afirma que a verdadeira fonte da incerteza reside nas intenções dos outros.

A vida real é como fosse jogo de estratégia. Mas, raramente podemos esperar sairmos “vencedores” nesse jogo. A tolerância é necessária, em jogo antagônico. Escolher a alternativa de aparente maior retorno tende a ser a decisão mais arriscada, pois poderá provocar a defesa mais acirrada dos que perderão com essa alternativa. Assim, geralmente aceitamos alternativas moderadas de meio termo: o melhor acordo de uma barganha ruim. Há piada que diz que “trocar de mulher (ou de marido) é uma barganha ruim como a de trocar carros usados:  o da sua posse você pelo menos já conhece os defeitos”…

Há dois problemas que tornam difícil a aplicação em Economia derivada da Teoria dos Jogos:

  1. Especificar, precisamente, os conjuntos de estratégias disponíveis para todos os jogadores, devido à dinâmica microeconômica das inovações tecnológicas e financeiras e aos choques exógenos que alteram o contexto macroeconômico, durante o processo do jogo.
  2. Introduzir o tempo, para verificar a resultante das diversas decisões; isto tende a causar dificuldades práticas insuperáveis, pois as estratégias alternativas possíveis se multiplicam.

Outra “teoria” é que os jogos são treinamentos para aprender fazer aplicações financeiras. Sérgio Tauhata (Valor, 04/04/12) avalia que, em 1935, quando surgiu o clássico dos tabuleiros Monopoly, conhecido no Brasil como Banco Imobiliário, investidores no mundo inteiro descobriram o potencial dos jogos para aprender conceitos de Finanças. Hoje, 77 anos mais tarde, a tecnologia multiplica os ganhos desse aprendizado nos jogos financeiros virtuais do século XXI.

O Bate-Bola Financeiro, desenvolvido pela Visa, ensina finanças práticas de um modo inusitado: por meio de uma disputa de futebol on-line. As partidas podem ser jogadas entre usuários ou contra o computador (batebolafinanceiro.com.br).

Autor do best-seller “Pai Rico, Pai Pobre“, Robert Kiyosaki criou o CashFlow para ensinar noções de Finanças Pessoais, investimento, orçamento e negócios. O jogo ganhou versões on-line dentro do portal “Rich Dad” (richdad.com/cashflow-the-web-game.aspx). O objetivo final do game é realizar um sonho de vida, definido no início da partida. Para isso, o participante tem de administrar seu orçamento, investir e se preparar para situações, como desemprego ou o nascimento de um filho, enquanto multiplica seu patrimônio.

Já o Fantasy Finance, do Yahoo, simula o mundo de Wall Street (finance.yahoo.com/fantasy-finance) por meio das atividades de um investidor que opera nas bolsas Nasdaq e de Nova York (NYSE). Os objetivos, além de conhecer o mercado, são acumular rentabilidade e ganhar posições no ranking. No fim do ano, as carteiras mais valorizadas concorrem ao prêmio de US$ 50 mil.

Mesmo com o predomínio da diversão digital, os clássicos jogos de tabuleiro não deixaram de evoluir. O Banco Imobiliário, por exemplo, tornou-se o Super Banco Imobiliário, na versão lançada em 2010 pela fabricante brasileira Estrela. Remodelado, o clássico jogo ganha até uma maquininha de cartões de crédito e débito para pagamento dos negócios. Os jogadores podem investir em ações e, claro, comprar e vender imóveis.

Na experiência prática de consultoria especializada em jogos de negócios, usar ferramentas lúdicas torna a retenção de conhecimento mais forte e o aprendizado mais rápido. Ela percebeu que em treinamento com jogos o participante deixa de ser apenas um ouvinte. Em jogo de quatro horas ele aprende muito mais que em quatro horas de aulas. O crash durante a crise do subprime levou o Ibovespa a acumular perdas de 42,22% naquele ano. O tombo quebrou a confiança do investidor, que se tornou arredio e ressabiado com tudo relacionado a ações.

Mesmo a recuperação que se observou na BM&FBovespa em 2009 foi insuficiente para animá-lo a retornar. Eles se acreditavam despreparados para enfrentar os riscos do setor. Alguns, entretanto, decidiram voltar a investir em papéis de empresas, ainda que as ações passassem por grande volatilidade em pleno turbilhão causado pelos problemas da Grécia. O que mudou? Um jogo o ajudou a compreender como equilibrar os riscos de sua carteira.

Meses antes de voltar a aplicar em renda variável, conheceram o Dosh, um simulador de home broker para Facebook. Entusiasmaram-se. Como achavam que Bolsa de Valores é cassino, quando viram, a febre da especulação já tinha lhes conquistados de novo. O sistema ilude os poderes dos usuários, que podem ‘aplicar’ também em ações de companhias listadas nas bolsas de Nova York e Nasdaq, por meio da bolsa BATS.

Para montar essa plataforma de jogo, foi acrescentada a possibilidade de se aplicar em papéis no exterior, o que não é possível na vida real. Além disso, aproveitou-se os recursos da rede social: os usuários podem seguir uns aos outros, conversar e até fazer apostas, explica a empresa criadora do Dosh.

O instinto de competição do jogo ajuda a manter o interesse em alta. O sistema tem ranking e isso nos estimula a ver quem ganha mais. A disputa fica ainda mais acirrada, porque parte da pontuação pode ser trocada por prêmios em dinheiro. A plataforma conta hoje com 100 mil usuários cadastrados.

Jogar permite aprender mais sobre o mercado, uma vez que as cotações são de verdade. Na bolsa real, os jogadores acham que estando usando estratégias que simularam primeiro no Dosh. Aparentemente, dá certo ao conseguir retorno médio de 5% ao mês. Os jogadores deflacionam esse ganho de capital? Calculam o custo de oportunidade?

Os games on-line podem acelerar o aprendizado de conceitos financeiros. A tecnologia digital reproduz com fidelidade condições da vida real dentro de ambiente virtual e, assim, permite ao jogo ser ao mesmo tempo entretenimento e laboratório de teste.

Através dos games você verifica coisas que acabam não sendo percebidas no dia a dia fica. Por exemplo, se ficar rolando o cartão de crédito qual será o prejuízo? Ou como testar os modelos de orçamento equilibrado? Os jogos permitem que você possa fazer isso sem obviamente ter o prejuízo.

Ciente do potencial das ferramentas on-line para a educação financeira, a Cedro Finances, consultoria de TI especializada no mercado financeiro, criou no início de 2011 a plataforma Goumi, um jogo dentro do conceito de Massive Multiplayer On-line Game (MMO), voltado a crianças e adolescentes entre sete e 15 anos. O ambiente reproduz uma cidade, onde cada usuário tem seu ‘avatar’ e pode interagir entre si. O objetivo do Goumi é prosperar e aprender. Para isso, os jovens tem de administrar seu orçamento, criar negócios e investir. Muito inspirador…

Com seis mil jogadores, a meta do Goumi para 2012 é alcançar 100 mil usuários, por meio de promoções e parcerias. Ela tem tido ótima receptividade nas escolas. Educação financeira com livros não funciona direito para crianças pequenas. A diversão ajuda muito nessa hora. Educação financeira é positiva, porém com cautela para não dominar “corações e mentes” com a ilusão de enriquecimento fácil.

A Cedro, parceira da BM&FBovespa, também é a desenvolvedora do simulador “Valor em Ação“, no portal do Valor na internet. O game, que este ano vai dar um carro ao vencedor da temporada de 2012, já conta com 3,9 mil usuários. No simulador, que reproduz a operação de um home broker, o participante recebe um aporte virtual de R$ 100 mil para “aplicar” na bolsa.

Supostamente, a simples prática dos games ajuda a desenvolver qualidades cognitivas e habilidades, como raciocínio lógico e até liderança. Para ganhar partida multiplayer o jogador tem de bolar estratégias, saber formar equipe e avaliar cenários. Seus criadores dizem que “é maneira de se exercitar vários tipos de inteligência”. Enriquecer é a maior inteligência? Será que também desenvolve todos os outros tipos de inteligência que os seres humanos possuem?

  1. Lógico-matemática: capacidade de raciocínio lógico e compreensão de modelos matemáticos; habilidade de lidar com conceitos científicos.
  2. Lingüística: domínio da expressão com a linguagem verbal.
  3. Espacial: percepção do sentido de movimento, localização e direção.
  4. Musical: domínio da expressão com sons.
  5. Corporal-cinestésica: domínio dos movimentos do corpo.
  6. Intrapessoal: capacidade de autocompreensão, automotivação e conhecimento de si mesmo; habilidade de administrar os sentimentos a seu favor.
  7. Interpessoal: capacidade de se relacionar com o outro, entender reações e criar empatia; inclui-se nesta categoria a inteligência naturalista, que é a facilidade de apreender os processos da natureza.

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