Rendimento Líquido Real Ex-Ante

A decisão de aplicação financeira, como todas as decisões, é ex-ante, i.é, antes do prazo a ser transcorrido. Então, é necessário avaliar a priori (ou ex-ante) se há expectativa do rendimento ser líquido (depois de descontados os impostos devidos do rendimento bruto) e real, superar a taxa de inflação esperada no futuro. O exemplo numérico acima ilustra que a “nova poupança” ainda manterá o rendimento líquido real, embora muito diminuto. Ganha-se dinheiro no mercado de trabalho, preserva-se seu poder aquisitivo em depósitos de poupança sem risco. Para obter maior retorno, terá de correr maior risco. Valerá a pena para pequenas quantias das Finanças dos Trabalhadores?

Carolina Matos (FSP, 16/07/12) informa que, com o juro básico cada vez menor, agora em 8% ao ano, os investidores acostumados à renda fixa precisam pesquisar aplicações com custos menores para manter a rentabilidade de antes. Por causa das taxas de administração e do Imposto de Renda, são poucos os fundos de renda fixa atrelados à Selic que pagam hoje, descontados os custos, mais do que a poupança. Isso ocorre apesar da redução da rentabilidade da caderneta para depósitos feitos a partir de 4 de maio.

A taxa de administração dos fundos é cobrada anualmente e incide sobre todo o patrimônio, não apenas sobre o rendimento. Já o IR é cobrado sobre os ganhos. O imposto também come boa parte da rentabilidade de outras opções de investimento, como CDB (Certificado de Depósito Bancário) e LFT (Letra Financeira do Tesouro).

O quadro acima traz simulações de retorno líquido – descontados IR e taxas – de investimento de R$ 10 mil por 12 meses em algumas modalidades de renda fixa. Dessas, apenas o CDB que paga 85% do CDI (juro dos empréstimos entre bancos) ganha da poupança. Mesmo assim, a diferença é de apenas R$ 2. O investidor sempre procura a aplicação mais vantajosa, mas, especialmente para pequenas quantias, é preciso avaliar se a diferença de rendimento entre as alternativas compensa o esforço.

O ganho líquido mensal dos fundos de renda fixa com taxa de administração a partir de 1,5% ao ano sempre perde do oferecido pela poupança, segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Nas alternativas com taxa de 1% ao ano, compensa apenas o retorno das aplicações com mais de dois anos, pois a alíquota de IR a partir desse período é a mínima (15%). Somente os fundos com taxa de administração de 0,5% ao ano concedida, normalmente, em aplicações acima de R$ 50 mil oferecem ganho sempre igual ou superior ao da poupança.

Nesse cenário, fundos que já foram pouco populares, como os Multimercados, têm sido mais procurados. Esses fundos mesclam a aplicação em ações, moedas e derivativos (contratos com vencimento futuro), além da renda fixa. Mas o investidor tem que ficar atento porque esse tipo de investimento traz risco bem maior que o de uma aplicação em renda fixa – é possível perder parte ou todo o valor investido. Por disso, é preciso se informar bem sobre o perfil de papéis em que o fundo aplica.

No primeiro semestre, os Multimercados tiveram captação líquida (diferença entre aplicações e resgates) de R$ 5,9 bilhões, segundo a Anbima, associação de entidades do mercado de capitais. O volume ainda é menor que o captado pelos fundos DI e de renda fixa, mais conservadores. Mas considerando os primeiros seis meses dos quatro anos anteriores, em que os multimercados tiveram resgate líquido – saques maiores que aplicações -, o desempenho indica maior interesse do público.

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