Risco das Operações com Alta Freqüência

Marcelo d’Agosto (Blog O Consultor Financeiro apud Valor, 16/08/12) conta que “Mark Cuban, proprietário do Dallas Mavericks – time de basquete da liga profissional americana -, fez fortuna com empreendimentos na área de tecnologia. Para Cuban, os sistemas que viabilizam os negócios de alta frequência são semelhantes à forma de atuação de “hackers” que tentam roubar o número do cartão de crédito antes do término de uma transação comercial eletrônica. Por essa razão, defende que esses sistemas de negociação sejam banidos.”

Outros especialistas não são tão radicais, mas é cada vez mais frequente a percepção de que as transações realizadas automaticamente por computadores deveriam ser desestimuladas. A principal crítica é que não contribuem para o desenvolvimento e estabilidade do mercado.

A ideia de que as negociações comandadas por robôs são benéficas porque aumentam a liquidez do mercado tem sido questionada pelas evidências. Em muitos casos, ocorre o aumento das transações entre computadores, mas com poucos benefícios para os tradicionais aplicadores de carne e osso.

Os investidores interessados em formar uma carteira de papéis para o longo prazo se queixam de não conseguir executar a transação no preço inicialmente desejado. O aumento do número de robôs monitorando continuamente as pequenas oscilações de preço acaba tornando as cotações mais instáveis.

O distanciamento do investidor de longo prazo do mercado acionário pode ter um custo elevado para as companhias. As operações de captação de recursos para financiar a expansão da capacidade produtiva tendem a ficar mais caras e difíceis.

Para os intermediários financeiros, o crescimento do mercado de alta frequência cria uma barreira para a participação no negócio. A necessidade de manter robôs mais eficientes do que o dos concorrentes faz com que os custos com pesquisa e desenvolvimento aumentem. Apenas as grandes instituições, com recursos para investir constantemente, podem se manter na disputa.

O problema é que, na pressa, sistemas que não foram suficientemente testados podem ser lançados. A consequência é o risco de pesados prejuízos devido a falhas nos modelos, que executam transações erradas.

O principal benefício dos sistemas automatizados de negociação é a redução das diferenças entre os preços de compra e venda. No entanto, essa queda do spread de negociação não compensa os riscos envolvidos.

Apesar das inovações, o fato é que a única forma de investir com segurança em ações é escolhendo empresas com excelente perspectiva de lucro no longo prazo. As negociações de curto prazo podem produzir ganhos, mas que dificilmente se sustentam sem a ocorrência de pesadas perdas durante o caminho.

 

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