Gonzaga – de Pai para Filho: Pai Ausente, Filho Carente

Gonzaga – De Pai para Filho, cinebiografia de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Gonzaguinha (1945-1991), é dirigido por Breno Silveira, cineasta que capta todos os sentimentos de estórias de vidas de brasileiros, haja visto “2 Filhos de Francisco” e À Beira do Caminho. O filme aborda a vida do “rei do baião” desde criança, quando ainda vivia na zona rural do sertão de Pernambuco, até sua morte. A história de seu filho, Gonzaguinha, criado no Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, é marcada pela ausência de seu pai e consequente carência afetiva. Isso resultou em uma conflituosa relação com o pai até 1980, quando finalmente se entenderam, e passaram a gravar juntos.

Gonzaguinha era órfão de mãe, e o pai, focado na carreira profissional, não lhe deu a atenção devida. Não é história de vida rara, pelo contrário, é muito representativa. Atualmente, é comum a ausência tanto do pai quanto da mãe, que dão prioridade ao sucesso profissional. Lembrei-me da leitura do livro de Guy Corneau, analista junguiano e autor de Pai Ausente, Filho Carente, obra de grande sucesso, traduzida em oito idiomas.

A Síndrome da Alienação Parental é tema complexo e polêmico e foi delineado em 1985, pelo médico e Professor de psiquiatria infantil da Universidade de Colúmbia, Richard Gardner, para descrever a situação em que, separados, e disputando a guarda da criança, a mãe ou o pai a manipula e condiciona para vir a romper os laços afetivos com o outro genitor, criando sentimentos de ansiedade e temor em relação ao ex-companheiro.

Exemplos comuns são os de mães que:

  1. provocam discussões com os ex-parceiros na presença dos filhos,
  2. choram na frente das crianças,
  3. vêem-se repetidamente reclamando do ex-marido e aproveitam-se de qualquer situação para denegrir a imagem do pai,
  4. mudam os filhos de escola sem consulta prévia,
  5. controlam em minutos os horários de visita e agendam atividades de modo a dificultá-la e a torná-la desinteressante ou mesmo inibi-la,
  6. escondem ou cuidam mal dos presentes que o pai dá ao filho,
  7. conversam com os companheiros através dos filhos como se mediadores fossem,
  8. sugerem à criança que o pai é pessoa perigosa,
  9. não entregam bilhetes nem dão recados e
  10. mentem aos filhos, alegando que o ex-companheiro não pergunta pelos mesmos nem sente mais falta deles,
  11. obstaculizam passeios e viagens,
  12. criticam a competência profissional e a situação financeira do genitor,
  13. e, como último recurso, chegam a fazer falsas acusações de abuso sexual contra o ex-marido.

No Brasil, o debate do problema surgiu quase simultaneamente com a Europa, em 2002. De acordo com o substitutivo do Projeto de Lei 4053/08, que dispõe sobre a Alienação Parental, são formas de alienação parental:

  1. realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade,
  2. impedir o contato da criança com o outro genitor,
  3. omitir deliberadamente informações pessoais relevantes sobre o filho, inclusive escolares, médicas,
  4. fazer alterações de endereço para lugares distantes, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com a outra parte e com familiares desta, e
  5. apresentar falsa denúncia para obstar a convivência com o filho.

2 thoughts on “Gonzaga – de Pai para Filho: Pai Ausente, Filho Carente

  1. Gostei dos assuntos abordados como alienação parental, bom mesmo é ser pai, tipo o do meu filho que é vagabundo. Todo mundo sabe, ai a questão é deve se esconder isso da criança? E deixar que o super herói dele caía por si só? O papel da mãe é tapar o sol com a peneira?

  2. Olá Virgínia sua indignação é compreensível , mas é importante considerar que a criança seja protegida e cuidada na sua saúde mental e na sua autoestima.
    É possível que vezes as verdades e a forma de perceber o outro são apenas nossas. Para a criança basta saber que o pai é um homem que não deu conta de enfrentar seus medos e fracassos e que vivencia suas experiências da maneira como dá conta.
    É importante conversar com a criança sobre isso, faze-la sentir que é importante e amada. e que não é a culpada na situação. Mostrar que na vida nem sempre teremos nossos desejos atendidos a tempo e hora, e que isso faz parte da realidade de todos nós.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s