Planejamento de Orçamentos Familiares

Pedro Soares (FSP, 08/10/12) escreveu reportagem sobre o planejamento financeiro das famílias. Antes da chegada dos filhos, a prioridade do casal é adquirir um apartamento. Compram na planta, usam o FGTS e pagam as prestações. Esse roteiro é seguido por muitos casais sem filhos e famílias chefiadas por jovens na faixa de 30 a 39 anos. São, segundo o IBGE, os grupos que mais investem no patrimônio com imóveis (aquisição, reforma e terrenos) – 7,3% do orçamento e 7,4%, respectivamente, mais do que a média nacional de 5,8%. Os dados integram levantamento com base na última POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE, de 2008 e 2009.

Com acesso maior à educação e vivendo em famílias menores, esses grupos têm melhores condições de planejar o futuro. É também uma geração que cresceu num ambiente de estabilidade econômica, no qual é mais fácil se programar e investir.

Na pesquisa, embora aplicassem mais em imóveis, o grupo entre 30 e 39 anos e o de casais sem filhos não dispunham dos maiores orçamentos, que pertenciam às pessoas entre 50 e 59 anos e aos casais com filhos.

É natural que os mais novos invistam mais. A alocação de recursos para ampliar o patrimônio declina, gradualmente, conforme avança o grupo etário.

Destaca-se ainda a importância das mudanças demográficas no país nos últimos anos e a maior facilidade de crédito. Com menos filhos, sobram mais recursos para investir.

Os casais sem filhos, por sua vez, têm uma renda per capita maior. É que eles não sustentam dependentes. A renda maior é determinante para acumulação de patrimônio. Famílias chefiadas por empregadores destinavam uma fatia maior (9,9%) de seu orçamento do que aquelas comandadas por empregados domésticos (2,2%).

A questões culturais também podem influenciar o tipo de investimento mais focado em imóveis em detrimento aos financeiros, que não são considerados na POF. Talvez seja a explicação para os evangélicos de missão (luteranos, batistas e outros) e moradores da região Sul aplicarem mais no aumento do patrimônio.

Com crédito fácil e estabilidade no emprego, as famílias chefiadas por funcionários públicos compunham o grupo que destinava a maior parcela do orçamento para dívidas. Elas empregavam 3,6% da despesa total, contra média geral de 2,1% de todas as famílias. Considerando a posição na ocupação, o trabalhador doméstico, que tem renda menor e acesso restrito ao crédito, estava no outro extremo: gastava 1,2% do orçamento para pagar dívidas.

A oferta de financiamentos para servidores cresceu muito nos últimos anos com o crédito consignado. O emprego estável encoraja a categoria a assumir mais dívidas.

 

1 thought on “Planejamento de Orçamentos Familiares

  1. Fernando, deculpe-me, torna-se inútil utilizar-se do estudo feito pelo IBGE na data vigente, pois de 2009 pra cá tivermos um aumento vultuoso no preço dos imóveis, tornando este percentual apresentado pelo estudo obsoleto.
    Estamos vendo inúmeras devoluções de imóveis comprados na planta devido à negação de financiamento, visto que o valor das prestações ultrapassaram 30% da renda.

    Acredito ainda que estamos vivendo uma bolha imobiliária.

    “São, segundo o IBGE, os grupos que mais investem no patrimônio com imóveis (aquisição, reforma e terrenos) – 7,3% do orçamento e 7,4%, respectivamente, mais do que a média nacional de 5,8%. Os dados integram levantamento com base na última POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE, de 2008 e 2009.”

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