Legado de Schumpeter

Joseph-Schumpeter II

O legado inconfundível de Schumpeter é sua percepção de que a inovação, na forma de destruição criativa, é a força propulsora não só do capitalismo como do progresso material de maneira geral. Quase todos os negócios, por mais fortes que pareçam em dado momento, acabam falindo, e quase sempre porque não foram capazes de inovar. Os concorrentes estão constantemente lutando por superar o líder, por maior que seja a liderança.

Nenhum país, não importa há quanto tempo seja próspero, pode dar como certa a abundância permanente. E nenhuma companhia pode dar por certa sua perenidade. Algumas empresas que foram vanguarda, hoje, estão na lata de lixo da história.

À parte os monopólios sustentados por um governo, somente através da inovação e do empreendedorismo pode qualquer negócio sobreviver em longo prazo. Schumpeter foi o principal proponente e popularizador da palavra “empreendedor”[entrepreneur]. Deixou claro que o empreendedorismo ou espírito de iniciativa podia ocorrer não só em empresas pequenas, mas também nas médias e grandes, apesar dos obstáculos burocráticos.

“Novos homens” empenhados na criação de “novas firmas” continuam sendo vitais, mas deixaram de ser o único agente da inovação. Os empreendedores ainda são indivíduos perfeitamente reconhecíveis, mas a inovação também podia – e, considerando-se as grandes dimensões de certas companhias, às vezes devia – ser efetuada por equipes de pessoas. A história da indústria de tecnologia de informações corrobora particularmente bem suas ideias.

As ideias de Schumpeter tiveram influência incalculável nos negócios no fim do século XX e no início do século XXI. Sua expressão “destruição criativa” adquiriu contornos quase proverbiais, assim como a expressão “estratégia empresarial” (ou a variante “estratégia corporativa”) virou uso comum em finanças e marketing. As principais preocupações de Schumpeterinovação, espírito de iniciativa, e geração de crédito – desempenham papel proeminente no estabelecimento dessas estratégias, independentemente do tamanho das firmas envolvidas.

No entanto, nas Universidades norte-americanas, a influência mais forte de Schumpeter não se verificou nos Departamentos de Economia, mas nos de Sociologia, Ciências Políticas e História, o que só depõe contra os economistas ortodoxos. Suas ideias também estão fortemente presentes nos currículos das escolas de pós-graduação em Administração em todo o mundo.

Schumpeter frequentemente defendeu o capitalismo, assim como os grandes negócios. Mas jamais teria tolerado o tipo de comportamento fraudulento e as escandalosas auto remunerações por parte dos executivos que deveriam estar empenhados em sua proteção. Teria condenado esses tipos de práticas como traição do capitalismo.

Como profeta da mudança constante, ele esperava seguidas transições do capitalismo, tais como ocorreram após sua morte em 1950. Alguns dos problemas que pareciam sob controle – moeda e ciclos econômicos, por exemplo – voltam a se ombrear com outros temas nos quais trabalhou: inovação, empreendedorismo, geração de crédito. Mas as questões mais difíceis, como as que dizem respeito ao cerne do capitalismo e à distribuição desigual de seus abundantes frutos, sempre haverão de merecer a atenção de qualquer pessoa consciente.

Schumpeter considerava inaceitável a desigualdade de oportunidades, mas também sustentava que os resultados da desigualdade de esforços eram merecidos. Globalmente, considerava a disparidade de renda não só inevitável na sociedade capitalista, como eficaz no estímulo da inovação. O dinheiro não era a única motivação dos empreendedores, mas era uma motivação importante que mantinha a competição entre indivíduos extremamente bem-sucedidos.

Schumpeter humanizou a Economia. Depois de uma vida inteira investigando neste sentido, ele chegou à conclusão de que a Economia Exata é tão inatingível quando a História Exata, pois nenhuma história humana de enredo preestabelecido pode passar de mera ficção. Muitas vezes, a melhor maneira de expressar o que se sabe a respeito do mundo não é uma equação, mas uma narrativa – uma história com personagens reais enfrentando algum dilema.

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