Perspectivas dos Investimentos Pessoais em 2013

Aplicações Financeiras 31dez2012

Captação e Rentabilidade dos Fundos em 2012

Antonio Perez e Sérgio Tauhata (Valor, 09/01/13) avaliam que não houve migração da renda fixa para o mercado de ações. No ano em que a taxa básica de juros caiu para o menor nível da história, o investidor não quis saber de arriscar e acorreu em massa para a segurança. O mapa do dinheiro em 2012 consagrou como um dos vencedores justamente a tradicional caderneta de poupança, que amealhou mais de R$ 49,7 bilhões, a maior captação líquida desde 1995, quando teve início a série histórica do Banco Central (BC), e R$ 35,5 bilhões acima de 2011. E isso mesmo após o governo ter ousado alterar com as regras de remuneração da caderneta em maio do ano passado. Foi substituído o rendimento fixo em 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR) por uma remuneração variável, que rende 70% da taxa Selic mais TR, que atualmente é nula.

Enquanto a caderneta captava mais, os fundos de investimento mais conservadores perdiam recursos. Juntos, os fundos de curto prazo, referenciado DI e renda fixa – em tese, os rivais diretos da poupança, pela alta liquidez e baixo risco – tiveram saques líquidos de R$ 10 bilhões. Os portfólios DI, que na era da Selic de dois dígitos eram sinônimo de ganho certo e farto, atraíram somente R$ 6,4 bilhões.

A queda da Selic fez os ganhos do DI – após as cobranças do Imposto de Renda (IR) e da taxa de administração – minguarem. Com juros a 7,25% ao ano, apenas fundos DI com taxa abaixo de 0,90% ganham da poupança em aplicações de seis meses a um ano. A taxa de administração média dos DI oferecidos no varejo é de 1,25%, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Para 2013, a perspectiva é de que a poupança mais uma vez capte mais que os DI. Tudo em razão de uma combinação de fatores. O investidor mais sofisticado que pensa em estacionar recursos no curto prazo vai perceber que vale mais a pena deixar o dinheiro parado na caderneta que no DI, apesar da rentabilidade real (descontada a inflação) muitas vezes negativa. Já o dinheiro novo, do pequeno poupador, vai direto para a caderneta.

A questão não é nem a saída do fundo DI para a caderneta, mas o aumento da renda das classes D e C. É comum, ao mesmo tempo, tomar crédito e colocar dinheiro na poupança. Muita gente tem na cabeça que poupança é sinônimo de investimento, quando é apenas tentativa de preservação do poder aquisitivo de reservas contra a corrosão inflacionária. Ainda vai demorar até o investidor perceber que tem de diversificar a carteira para se proteger de risco e obter retorno maior.

Mais do que uma migração do DI para a poupança, houve uma transição das carteiras de renda fixa tradicional para os renda fixa índices. Também conhecidos como fundos de inflação, por carregarem papéis públicos que pagam taxa prefixada mais variação do IPCA, essas carteiras captaram R$ 31,7 bilhões em 2012, na esteira de uma rentabilidade de 21,71%. Além dos renda fixa índices, a indústria de fundos foi salva no ano passado pela captação de R$ 23,5 bilhões dos portfólios multimercados.

Como o investidor ainda olha muito no retrovisor, i.é, para o passado recente, a perspectiva dos consultores é de que as duas categorias sigam entre as preferidas em 2013, embora os ganhos não devem ser tão elevados neste ano. Esses fundos ainda são uma boa opção, até porque protegem contra a inflação, mas a rentabilidade será menor em 2013.

Os fundos multimercados também devem seguir atraindo recursos, tanto de gente que sai de fundos renda fixa mais conservadores quanto dos que abandonam os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que amargaram saques líquidos de R$ 66 bilhões no ano passado. Como mais de 90% dos CDBs remuneram o investidor com um percentual do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), que, pela teoria, deveria acompanhar de perto Selic, quanto mais baixa a taxa básica menor a remuneração do CDB.

No varejo, os grandes bancos oferecem uma taxa muito baixa. Se um CDB paga 85% do CDI, o rendimento é de 6,16% ao ano, quase igual ao da velha poupança. A migração para multimercados e renda fixa índices e essa captação negativa do CDB são os investidores em busca de maiores retornos. Haverá aceleração desse movimento. Essa migração pode ser muito maior se a taxa de juros permanecer lá embaixo.

A migração para a renda variável, contudo, ainda deve demorar. Em 2012, mesmo com o juro menor, o investidor não se animou com os fundos de ações, cuja captação foi de apenas R$ 5,47 bilhões. Ainda muito ligado ao vaivém do Índice Bovespa, muito volátil ao longo de 2012, e acabou fechando com alta de apenas 7,40%, o investidor não se deu conta dos ganhos expressivos em outras carteiras de fundos de renda variável, como as que carregam papéis de menor liquidez. Ao contrário do que muita gente pensava, a bolsa vai ser a última a se beneficiar do fim do juro alto.

No mundo novo dos juros mais baixos, vão ganhar cada vez mais força as alternativas de investimento que oferecem isenção de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos. Esse movimento já começou em 2012 e deve se fortalecer nos próximos anos.

Um bom exemplo são os fundos imobiliários, que tiveram um ano excepcional em 2012 e têm tudo para repetir a dose neste ano. Segundo a BM&FBovespa, o número de investidores na categoria saltou de 35.282 no fim de 2011 para 97.128 em dezembro de 2012 (mais de 90% pessoas físicas). A isenção de IR sobre o rendimento dos fundos imobiliários faz a diferença com juros menores. Esse crescimento de multimercados, fundos imobiliários e renda fixa mais arriscada já é um sinal de começo de transição para um ambiente de juro baixo.

Outra alternativa que ganha espaço no mapa do dinheiro são as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), papéis emitidos por bancos tendo como lastro créditos imobiliários. Com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e isenção de IR sobre o ganho, elas passam a fazer parte do cardápio da pessoa física que quer permanecer na renda fixa, mas não está contente com o rendimento de aplicações conservadoras, como CDBs e fundos DI. A LCI foi um dos produtos que mais se vendeu em 2012. Esse apelo da isenção de IR é muito forte.

A busca pela LCIs pode ser vista no crescimento do estoque de papéis, que saltou de US$ 46,8 bilhões em dezembro de 2011 para R$ 62,4 bilhões no fim do ano passado, um avanço de 33,3%, segundo dados da Cetip.

Outros ativos que não oferecem a isenção de IR, mas que também conquistaram espaço entre investidores, foram as Letras Financeiras, papéis de dívida de longo prazo emitidos pelos bancos. Alternativa aos CDBs, esses títulos ganharam força nas carteiras dos fundos de renda fixa que apelaram para o crédito privado na tentativa de turbinar os ganhos. O estoque de Letras Financeiras evoluiu mais de 45% em 2012, atingindo R$ 171 bilhões. O risco privado, nas que são emitidas por bancos privados, vai crescer cada vez mais na carteiras dos fundos que as carregam.

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