Risco da Renda Variável

IBOVESPA 2012

Antonio Perez, Sérgio Tauhata e Karla Spotorno (Valor, 09/01/13) informam que o Ibovespa experimentou o “voo desajeitado de galinha” em 2012. Teve uma arrancada animadora no começo do ano e andou de forma instável nos meses seguintes dado o peso de passageiros indesejados: os problemas externos. O Índice Bovespa (Ibovespa), principal termômetro da bolsa, demonstrou volatilidade ao sabor do noticiário internacional, o que assustou o investidor. A volatilidade do ganho esperado significa risco e não favorece os fundos de renda variável, que poderiam captar mais com juros baixos.

Também não favoreceu a permanência da pessoa física no mercado de ações. Pelo menos, é o que sugerem os dados sobre a participação dos investidores individuais no segmento Bovespa. Apesar de o número de contas de pessoas físicas no mercado de ações ter crescido 0,68% em 2012, a participação do poupador caiu. No ano passado, os 587.165 investidores movimentaram 17,9% do volume financeiro do segmento Bovespa. Em 2011, os 583.202 poupadores haviam movimentado um parcela maior: 21,4%. É interessante notar que de novembro até o final de dezembro, mês que concentrou a maior parte da alta do Ibovespa, 6.952 pessoas físicas deixaram a bolsa. No fim de novembro, o mercado contava com 594.117 contas de investidores individuais.

Ainda que de forma tímida, as pessoas físicas experimentaram a compra de um ativo relativamente novo no Brasil e com nome estrangeiro. São os ETFs (Exchange Traded Funds) ou fundos de índices de ações, que começaram a ser negociados no país em 2008. Segundo a BM&FBovespa, 10,5% do volume financeiro foi negociado por investidores individuais. A participação é menor do que em 2011, ano em que a pessoa física respondeu por 15,1% do volume negociado em ETFs. Isso não significa que o poupador perdeu o interesse nesse tipo de ativo. Em valores absolutos, o aporte da pessoa física aumentou 64%. O motivo é o fato de a aplicação movimentar em 2012 quatro vezes mais volume do que em 2011. Um dos motivos foi o lançamento de cinco novos ETFs. Em 2011, os 10 ETFs haviam movimentado R$ 12,11 bilhões. Em 2012, os 15 ETFs movimentaram R$ 28,45 bilhões.

Os dados da BM&FBovespa também sinalizam que alguns poupadores organizados em clubes de investimento decidiram sair. O ano de 2012 se encerrou com 586 clubes a menos do que em dezembro de 2011. Em dezembro de 2012, 82.781 cotistas investiam a partir dessa modalidade. Em dezembro de 2011, havia 117.078 distribuídos em 2.852 clubes.

A expectativa é que 2013 seja mais positivo para os fundos de renda variável. Não por conta do desempenho do Ibovespa, que tem tudo para ter uma trajetória instável ao longo do ano, influenciado ainda pelos problemas lá fora, que ainda não foram resolvidos. Mas o investidor já começa a olhar além do Ibovespa na hora de aplicar, dentro da Teoria das Finanças que, para obter maior retorno, tem de correr mais risco. Senão ninguém investiria em risco…

Muitos investidores estão migrando seus recursos para carteiras de small caps. Um dos motivos seria a rentabilidade alta registrada por alguns papéis de empresas pequenas na bolsa.

É preciso perceber as diferenças de risco e retorno entre os diferentes índices de ações, como o Ibovespa, e as ações small caps. Diversas ações tiveram uma rentabilidade expressiva. O ano passado foi um período em que se destacaram os gestores que fazem análise e não os que seguem um índice. Houve fundos de ações que tiveram performances excelentes.

Em 2013, garimpar oportunidade de mercado será o grande diferencial para a renda variável. Os investidores devem buscar os gestores que vão realmente atrás das oportunidades. Quem fizer isso vai ganhar.

Os maiores ganhos deste ano devem vir do mercado de ações. Como há pouco espaço para grandes movimentos nos juros, a renda variável se torna a principal candidata aos melhores retornos no período.

Se no ano passado as small caps foram as vedetes da bolsa, devido ao consumo aquecido, em 2013 o que deve se sobressair são as ações de empresas mid ou large. Há boas oportunidades em materiais básicos e commodities.

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