Economics Goes to Hollywood

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Uma das coisas positivas da vida universitária é que você tece uma rede de contatos e amigos cultos e inteligentes, com os quais pode trocar ideias, informações, dicas, sugestões, etc. Conversando com meu colega Giuliano Oliveira, a propósito do curso Economia no Cinema que ministrarei neste semestre letivo, ele me enviou o artigo Economics Goes to Hollywood: Using Classic Films and Documentaries to Create an Undergraduate Economics Course – Author(s): Don Leet and Scott Houser – Source: The Journal of Economic Education, Vol. 34, No. 4 (Fall, 2003), pp. 326-332.

Filmes relacionados a conceitos econômicos

Enviou-me também reportagem de Sérgio Rizzo (Valor, 20/02/13) a respeito de filmes recentes sobre a atual crise econômica.

“Se o epicentro da crise de 2008 se instalou no quintal de Hollywood, faz sentido que o cinema dos EUA tenha se ocupado de explorar as entranhas de Wall Street. O documentário “Trabalho Interno” (2010) e os dramas “Margin Call – O Dia Antes do Fim” (2011) e “Grande Demais para Quebrar” (2011) são exemplos do esforço em compreender (e explicar ao público leigo) a dinâmica, os bastidores e os principais personagens daquele abalo sísmico no sistema financeiro.

No cinema europeu, os efeitos sociais da crise tendem a ganhar mais relevância, mesmo que dispersos como pano de fundo em histórias preocupadas frontalmente com outros temas. O italiano “Reality“, com exibição na Mostra Internacional de São Paulo de 2012, é um caso notável.

Dirigido por Matteo Garrone (que tratou das conexões entre a máfia napolitana e corporações internacionais em “Gomorra“), o filme traz como protagonista um dono de peixaria (Aniello Arena) que complementa a renda familiar com aparições como drag queen em festas – e também com alguns trambiques.

Acostumado a divertir os parentes e amigos com suas palhaçadas, ele é convencido a se inscrever no processo de seleção do programa “Big Brother” (na Itália, “Grande Fratello“). A perspectiva de entrar na “Casa” o transforma em um sujeito obsessivo e paranoico, que acredita ser avaliado o tempo todo, como se já estivesse, antes mesmo de ser selecionado, sob a vigilância onipresente de um “grande irmão” como o criado pelo escritor George Orwell no romance “1984”.

Reality” tem interesse universal como drama psicológico sobre os efeitos da televisão (e, em especial, dos “reality shows“) sobre os telespectadores. Mas a trama é encenada em terra arrasada, a Itália pós-Berlusconi. Nesse contexto, aparecer em um programa de TV que distribui prêmio milionário ao vencedor se torna uma forma de sonhar com a fuga de condições precárias de vida.

A certa altura, um grupo de sem-teto entra em cena, deixando mais explícito o alcance sociopolítico da fábula – que, sinal dos tempos, vai terminar em Cinecittà, a antiga “Hollywood italiana”, fábrica de sonhos que um dia foi a central de operações de Federico Fellini (1920-1993). Em “Reality“, o complexo hospeda a tal “Casa” que encarna a indústria das celebridades instantâneas.

Conhecido por seu olhar politizado que extrai poesia de dramas da classe trabalhadora, o inglês Ken Loach também contribui para o diagnóstico de terra socialmente arrasada – neste caso, escocesa – em “A Parte dos Anjos“, que a Mostra também exibiu. Aqui, o cenário é uma Glasgow hostil a jovens que, sem escolaridade e fora do mercado de trabalho, fazem da falta de perspectivas de futuro o pretexto para atos de violência e pequenos crimes.

Um desses personagens (Paul Brannigan) engravidou a namorada, mas não tem nem mesmo onde morar. A família da moça o quer longe da criança, para não perpetuar, segundo eles, o círculo de delinquência e miséria. Mas, desta vez, Loach quer oferecer alguma esperança ao espectador – e o faz ao acenar com uma saída inesperada para o protagonista, a partir de um “golpe de mestre” envolvendo uísques (se o sistema não lhe dá oportunidades, explore as suas falhas). Ao final, e talvez não por acaso, quem faz papel de bobo é um milionário americano.

Na programação da Mostra Internacional, tempos bicudos são vislumbrados também no Japão que o iraniano Abbas Kiarostami captura em “Um Alguém Apaixonado“. Uma jovem universitária que trabalha como prostituta para se sustentar e seu namorado iletrado que ganha a vida como mecânico expõem um cenário de crise – econômica e de valores.”

FNC: lendo estes comentários, lembrei-me de procurar o filme “A Noite dos Desesperados“, que trata de fenômeno similar ao que, hoje, ocorre via “reality show” na TV: seres humanos enjaulados para deleite do instinto animal daqueles que os assistem. Como o ser humano se rebaixa, moralmente, para ganhar a vida… Aliás, vale assistir o filme também pela atual polêmica europeia sobre comer carne de cavalo.

UnknownSinopse de:

They Shoot Horses, Don’t They? (brA noite dos desesperados) é um filme norte-americano de 1969, do gênero drama, dirigido por Sydney Pollack. O roteiro é uma adaptação do romance de Horace McCoy, chamado They Shoot Horses, Don’t They?, e que em português foi traduzido como Mas não se matam cavalos?

Durante a Grande Depressão, nos anos 30 nos Estados Unidos da América, uma imensa maioria da população carecia de uma vida digna, sofrendo com o desemprego. Foi nessa época que, entre outras oportunidades inusitadas, apareceram os concursos de dança, que testavam ao extremo a resistência dos competidores em troca de comida, roupas e alguns míseros trocados. Uma desumana maratona de dança premiava o casal que resistisse por mais tempo na pista, mesmo que isso representasse a morte para o vencedor. Baseado em romance de Horace McCoy.

Oscar

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