Os Filmes da Minha Vida – Balanço

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Ao longo de seis posts revelei, resumi e comentei, ligeiramente, os filmes que marcaram minha vida, ou seja, minhas memórias cinematográficas. Foi espécie de “retiro espiritual”, realizado durante o carnaval de 2013, do qual não vi bulhufas. Os posts se alongaram, devido ter resgatado, espontaneamente, a memória de alguém que é apaixonado pelo Cinema. Junto com Música, Livro e Futebol, constitui meu lazer.

De início, foi salientado que esse exercício cinematográfico nunca teria fim, pois, terminados os posts, sempre ficará o estímulo para que mais filmes ocorram livremente em nossa memória. Essa memória afetiva só terá fim com o final da vida mental.

Salientei também que não se tratava de uma lista dos melhores filmes que assisti, mas sim de os que mais me emocionaram em determinadas fases da vida. Por isso, dividi os filmes em suas fases – a que demarcaram minha formação e vida profissional. Inicialmente, a intenção era só citar os filmes que viessem imediatamente à memória. Mas, ao longo do processo, relembrei de filmes antes esquecidos.

Foi um grande prazer esses reencontros ou redescobertas! Assim como foi delicioso inteirar-me de detalhes que eu desconhecia de alguns de meus filmes prediletos graças, principalmente, à Wikipedia! E outro imenso desfrute foi descobrir os posters originais dos filmes: viva a web!

Agora, tentarei entender porque… Enfim, vou fazer um balanço deste processo de autoconhecimento.

Inicialmente, farei um balanço quantitativo, depois um analítico. Quantos foram os filmes lembrados? Não sei, vou listá-los, na ordem em que eu os vi, e contar.

Lista de “Filmes da Minha Vida”:

  1. As Aventuras de Robin Hood (1938)
  2. No Tempo das Diligências (1939)
  3. Matar ou Morrer (1952)
  4. Os Brutos Também Amam (1953)
  5. Assim Caminha a Humanidade (1956)
  6. Ben Hur (1959)
  7. Spartacus (1960)
  8. A Conquista do Oeste (1962)
  9. Álamo (1960)

10. El Cid (1961)

11.Cleópatra (1963)

12. Lawrence da Arábia (1963)

13. Fugindo do Inferno (1963)

14. A Queda do Império Romano (1964)

15. O Senhor da Guerra (1965)

16. Doutor Jivago (1965)

17. Casablanca (1942)

18. Os Pássaros (1963)

19. O Incrível Exército de Brancaleone (1966)

20. Um Homem e Uma Mulher (1966)

21. Blow-Up (1966)

22. Um Clarão nas Trevas (1967)

23. A Primeira Noite de Um Homem (1967)

24. 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)

25.Bullit (1968)

26. Woodstock (1969)

27.Sem Destino (1969)

28. Corrida Contra o Destino [Vanishing Point] (1971)

29. Ensina-me a Viver [Harold and Maude] (1971)

30. Dodeskaden (1970)

31. Giordano Bruno (1973)

32. Os Companheiros (1963)

33. Batalha de Argel (1966)

34. Queimada! [Burn!] (1969)

35. Investigação sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970)

36. Encurralado [Duel] (1971)

37. Vidas Secas (1963)

38. Tommy (1975)

39. 1900 [Novecento] (1976)

40. Laranja Mecânica [A Clockwork Orange] (1971)

41. Corações e Mentes (1974)

42. O Franco Atirador [The Deer Hunter] (1978)

43. Apocalipse Now (1979)

44. Hair (1979)

45. Reds (1981)

46. Retratos da Vida (1981)

47. O Baile (1983)

48. The Wall do Pink Floyd (1982)

49. Amadeus (1984)

50. Cotton Club [The Cotton Club] (1984)

51. Platoon (1986)

52. Nascido para Matar [Full Metal Jacket] (1987)

53. De Volta para o Futuro [Back to the Future] (1985)

54. A Lista de Schindler (1993)

55. Os Últimos Rebeldes [Swing Kids] (1993)

56. Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994)

57. Beleza Americana [American Beauty] (1999)

58. O Poder Vai Dançar [Craddle Will Rock] (1999):

59. Frida (2002)

60. O Mercador de Veneza [The Merchant of Venice ] (2004)

61. Diários de Motocicleta (2004)

62. O Que Você Faria [El método / The Method] (2005)

63. Ray (2004)

64. Johnny & June [Walk the Line ] (2005)

65. Piaf – Um Hino Ao Amor [“La Môme” / “La Vie En Rose“] (2007)

66.Vinicius (2005)

67. Loki (2008)

68. Tropicália (2012)

69. Dzi Croquettes (Brasil, 2009)

70.Raul: o Início, o Fim e o Meio (2012)

71.Cazuza – O Tempo não Para (2004)

72.Daquele Instante em Diante (2012)

73. Rock Brasília – Era de Ouro (2011)

Setenta e três filmes! Meus números cabalísticos: 7 e 3! Em 61 anos de idade, digamos que comecei a ir sozinho aos cinemas (e escolher os filmes por conta própria) com 10 anos, portanto, em cada três anos, sofri impacto emocional de dois filmes.

Quantos filmes já assisti em minha vida? Impossível recordar! Só posso dizer que, morando em Campinas, em quase todas as noites livres busco assistir um, a maior parte via DVD, antes era VHS, já assisto alguns em Blu-Ray ou gravados da TV HD. Supondo uma média de dois / semana ou cerca de 100 /ano, durante os últimos 40 anos, seriam +/- 4.000 filmes. Então, menos de 2% produziram forte impacto emocional, tanto que tenho todos eles na minha DVDteca.

Para que (e quem) interessa isso? Por curiosidade, para mim, pois continuarei na busca de renovar esse prazer. Por sugestão, para outras pessoas que compartilham a paixão pelo Cinema. A gente não assiste filmes para comparar nossa vida com a dos protagonistas? Tipo “isto é semelhante à” (e “isso é diferente da”) minha vida? Pois é, vale a comparação – ou fica, pelo menos, a sugestão: estas 146 horas (ou 6 dias) que passei os assistindo foram muito bem aproveitadas! Carpe diem!

Quem ainda não os viu, experimente! Não dou garantia, porque a subjetividade, por definição, é pessoal e intransferível. E os contextos, objetivamente, se alteram.

No Cinema, é possível ver um mundo organizado, captar uma parcela da realidade. Quando você vê uma síntese de um aspecto da vida que lhe incomoda, é uma experiência inigualável, só comparável à uma paixão!

Com isso, passo ao balanço analítico. Nunca eu tinha demarcado tão precisamente as oito fases da minha vida. Vejo que a mudança qualitativa ocorreu em termos de amadurecimento intelectual, com as “crises de desenvolvimento pessoal” clássicas em termos psicológicos: a da adolescência e a da meia-idade, cada qual com o temor de arcar com responsabilidades maiores, respectivamente, auto sustentar ou sustentar uma família. É imensa a carga emocional do “pai provedor” que sonha em buscar sua felicidade, em certo dia, mudando de vida pessoal.

Outra percepção: as mudanças geográficas, ou seja, as migrações entre cidades ou Estados, demarcaram também, nitidamente, meu Estado Psi na apreciação de filmes.

  1. Fase Infantil (1951-1965): capa-e-espada; sandália-e-espada; faroeste; aventuras; épicos;
  2. Fase Adolescente (1966-1971): guerra; suspenses; thrillers policiais; comédias; crítica-de-costumes; ficção científica;
  3. Fase Universitária – Graduação em Belo Horizonte (1971-1974): filmes-“prá-fazer-cabeça”; cinema político;
  4. Fase Universitária – Mestrado em Campinas (1975-1977): filmes-cabeça; cinema-novo-brasileiro; cinema político;
  5. Fase Jovem Profissional no Rio de Janeiro (YUPPIE!) (1978-1985): filmes-anti-bélicos; memórias-da-geração-68; musicais;
  6. Fase Crise da Meia-Idade em Campinas (1986-2002): filmes-anti-bélicos; dramas; drama-biográfico;
  7. Fase no “Poder” em Brasília e São Paulo (2003-2007): filmes-de-Economia; vidas-alternativas; cinebiografias-estrangeiras;
  8. Fase na Terceira-Idade em Campinas (2008-2013): cinebiografias-brasileiras; documentários-nacionais.

Os contextos, ambientes sociais ou políticos, e a própria evolução temática da indústria do Cinema também foram fundamentais na escolha dos filmes com maior impacto emocional. Basta observar a predominância de gêneros por fase. O que há mais de comum entre eles, e que me emocionou, creio, é a música e a história. Aprecio filmes mais próximos de história real do que de estória de ficção. E a música (trilha sonora) é decisiva na minha avaliação.

Não tem “filme-cabeça” na minha lista, tipo Nouvelle Vague, embora tenha visto muitos. Curiosamente, também nela não aparece Cinema de Autor, sendo que cultuo os filmes de Alfred Hitchcock, Stanley, Kubrick, Woody Allen, Luchino Visconti, Pedro Almodovar, entre outros. Costumo escolher filmes pelo diretor. Talvez o mais surpreendente (e chocante), para mim, tenha sido a quantidade de filmes de guerra!

E eu dizia que não gostava desse gênero: guerra… Talvez por que eu seja “um produto (argh…) típico (uh!) do pós-guerra (ih!), fruto do baby-boom dos anos 50. Nos Estados Unidos, diriam: “exemplar da sociedade afluente”. No Brasil, dizem: “fruto-da-natalidade-descontrolada-pelo-catolicismo”. Nasci por acaso, com maior chance daquele esperma fecundar o óvulo, graças à ausência de planejamento familiar! Vivi porque a pílula anticoncepcional foi descoberta Ten Years After! Viva!

Poderia acrescentar: e a Aids, ainda bem, foi descoberta após a farra do meu “68”: 1982. No final deste ano, Herbert Daniel me falou pela primeira vez a respeito dessa “doença discriminatória”. Lembrei-me, agora, de “Filadelphia”, filme que também causou-me grande impacto emocional, pois me lembrei do meu amigo Daniel já falecido.

Então, eu me repito. “Para encerrar, por ora, essa série de posts com Os Filmes da Minha Vida, embora sem ainda ter encerrado minha vida, meu sentimento é que a história pessoal de muitos brasileiros se passaram dentro do contexto de vida que também viveram seus ídolos. Então, a recuperação dessas fases da vida nacional através de documentários, a meu ver, tem sido o que mais me emocionou recentemente. Já dá para dar um curso para alunos de gerações mais novas sobre o que se passou no Brasil dos anos 60s, 70s, 80s, 90s… Os 2000 elas ainda estão vivendo.”

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