“O Mercado”: Míope e Punitivo

Milken Institute Global Conference

A lista de bilionários do mundo inteiro da revista americana de negócios “Forbes”, divulgada em 04/03/13 pela publicação, mostra que a participação dos brasileiros registrou uma importante baixa. Como esperado, Eike Batista, controlador do grupo EBX, caiu. O empresário, que em 2012 ocupava a sétima posição no ranking, agora aparece em centésimo.

Eike perdeu cerca de 65% de sua fortuna de 2012 para 2013, revela a “Forbes”. Na passagem de ano anterior, ele havia mantido o patrimônio em aproximadamente US$ 30 bilhões.

O dono da OGX, da MMX e da LLX deixou também de ser o mais rico do Brasil. Com fortuna estimada em US$ 10,6 bilhões pela revista, ele aparece agora em quinto lugar no país. Jorge Paulo Lemann, um dos donos da Ambev — e agora controlador da Heinz — ficou na primeira posição brasileira, com US$ 17,8 bilhões. Globalmente, ele é o 33º colocado.

Os companheiros de Lemann na 3G Capital, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, estão em sexto e décimo lugares dentre os bilionários brasileiros, respectivamente, com fortunas avaliadas em US$ 9,1 bilhões e US$ 7,9 bilhões, nesta ordem. Comparados ao resto do mundo, eles são o 119º e o 150º, nesta ordem.

O ranking deste ano também marca a primeira aparição de Silvio Santos, empresário dono do canal de TV “SBT”. Ele surge como 36º colocado na lista nacional, com US$ 1,3 bilhão de patrimônio estimado, e em 1107º no total. Aos 82 anos, Silvio Santos é o quinto bilionário mais velho do Brasil.

Juntando-se a Lemann como os três maiores bilionários do país, aparecem Joseph Safra, cofundador do grupo Safra, com fortuna de US$ 15,9 bilhões, em 46º lugar mundialmente. Logo atrás, está Antônio Ermírio de Moraes, com US$ 12,7 bilhões na 74ª posição global.

Dentre os empresários do Brasil, aparece também Abilio Diniz. O ex-controlador do Pão de Açúcar tem patrimônio avaliado em US$ 3,7 bilhões e está na 363ª colocação internacional. Levando em conta apenas os brasileiros, ele é o 16º colocado.

André Esteves, comandante do banco BTG Pactual, aparece em 14º lugar no Brasil e 329º ao redor do mundo. Sua fortuna é estimada em US$ 4 bilhões. Edir Macedo, fundador da Igerja Universal do Reino de Deus e dono da “Record” tem US$ 1,1 bilhão, segundo a revista, ficando em 1268º lugar globalmente e 43º no Brasil.

Eduardo Saverin, que fundou o Facebook junto com Mark Zuckerberg e que acabou sendo excluído da administração da rede social, também está na lista. O brasileiro tem fortuna avaliada em US$ 2,2 bilhões, ficando na 670ª colocação dentre os mais ricos do mundo e em 24º no Brasil.

A lista da “Forbes” de 2013 também confirmou o mexicano Carlos Slim, dono do grupo América Móvil — e, consequentemente, da Claro, da Embratel e da NET no Brasil — como o homem mais rico do planeta. Seu patrimônio saltou de US$ 69 bilhões para US$ 73 bilhões em um ano.

Em segundo lugar, a revista também confirma Bill Gates, ex-presidente da Microsoft, com US$ 67 bilhões de fortuna. Amancio Ortega, dono da fabricante de roupas Zara, tem US$ 57 bilhões, segundo a publicação, ficando em terceiro. Logo após, aparecem Warren Buffett, com US$ 53,5 bilhões e Larry Ellison, da Oracle, com US$ 43 bilhões.

Com destaque, a revista cita ainda Mark Zuckerberg, presidente-executivo e do conselho de administração do Facebook, como o bilionário mais novo do mundo. Com 28 anos, ele possui patrimônio calculado em US$ 13,3 bilhões, ficando na 66ª posição.

Wall St

Aline Cury Zampieri (Valor, 01/03/13) informa que os desencontros entre as empresas de Eike Batista e O Mercado Financeiro se refletem no comportamento das suas ações na Bovespa. Todos os papéis têm desempenho inferior ao do Ibovespa no ano passado e neste começo de 2013. A exceção é CCX Carvão, que sobe 94% em 2013, pois está no meio de uma oferta para fechamento de capital.

Em 2012, o Ibovespa subiu 7,4%. Os papéis do grupo X caíram. A maior baixa foi de OGX Petróleo (67,8%), seguida por MMX Mineração (33,1%), LLX Logística (28,8%), MPX Energia (9,3%) e OSX Naval (7,4%). Nos primeiros dois meses do ano, o Ibovespa cai 5,8%. No mesmo período, OSX perde 31,5%, seguida por OGX (28,1%), MMX (24,9%), LLX (16,7%) e MPX (5,7%).

O mal estar entre as empresas do grupo EBX e O Mercado começou após a OGX divulgar, ao fim de junho, comunicado com expectativas de produção de petróleo para o campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, muito abaixo do que os investidores esperavam, dizem analistas. “Como todos os negócios são interconectados, são elos de uma corrente, as ações do grupo refletem os problemas em bloco“, diz Marcus Sequeira, especialista do Deutsche Bank que cobre a empresa. “Depois do evento, tudo se complicou e todas as empresas entraram em crise de confiança com o mercado“, reforça Andréa Aznar, analista do BB Investimentos.

Oswaldo Telles, da Espírito Santo Equity Research, acrescenta que o mau humor de O Mercado também está ligado à dependência do grupo de financiamentos governamentais. “A OGX é vista como companhia que tem problemas de caixa e depende demais do governo, tanto em autorizações para operar quanto em empréstimos.”

Além disso, os especialistas comentam que a situação pré-operacional do grupo traz questões limitadoras relevantes, como perspectiva de baixa geração de caixa e dívida alta, e necessidades extras de financiamento para os projetos.

Sequeira diz que rebaixou a recomendação para as ações da OGX após o evento de Tubarão Azul. “Os riscos são muito altos.” O analista comenta que conversou com vários geólogos para entender melhor os campos da companhia, e concluiu que a extração de petróleo nos locais é desafiadora, o que eleva os custos e atrasa produção. “A empresa só conectou o terceiro poço em janeiro, com atraso em relação à previsão. Tem encontrado dificuldades que não esperava.”

“Ainda vamos ver volatilidade por muito tempo nas ações”, diz Sequeira. Além disso, as alterações na administração da empresa acrescentam incertezas. “Por exemplo, a Queiroz Galvão Exploração e Produção também é pré-operacional, mas é parte de um grupo sólido, tradicional e forte, o Queiroz Galvão. Nas empresas EBX, tudo é pré-operacional, não existe a base sólida de outras empresas.”

Telles, da Espírito Santo, rebaixou recentemente sua recomendação para a OGX, de compra para neutro, com preço-alvo de R$ 4,4 por ação. Segundo ele, a empresa frustrou todos os catalisadores para as ações neste começo de ano. “Foi um teste de execução ruim para a companhia.” Ainda de acordo com o especialista, crescem as incertezas de curto prazo quanto ao calendário de produção, com atrasos em conexão de poços. “Esperamos atraso no início de produção e um ritmo mais lento”, diz. “Não vemos catalisadores positivos de curto prazo para as ações e o nosso valor estimado para as reservas de petróleo é negativos até 2021.”

Andréa, do BB Investimentos, pondera que uma companhia em situação pré-operacional, como a OGX, demora mais para entregar resultados e seus poços estão apenas começando a produzir. “A OGX atrasou entregas, mas é pré-operacional e, nesse caso, os retornos são mais demorados mesmo.”

A analista está com o preço-alvo em revisão por causa das últimas quedas das ações e vai esperar o balanço do quarto trimestre de 2012 para cravar a nova expectativa, mas acredita que a empresa tem perspectivas boas. Ela crê que o resultado melhorará com a entrada em produção do terceiro poço, em Tubarão Azul, e a distribuição de gás para a MPX pela bacia do Parnaíba.

Apesar de a OGX ser a mais acompanhada pelo mercado, outros papéis também decepcionaram. Victor Penna, analista do BB Investimentos, lembra que a MMX trocou seu presidente duas vezes em um ano e meio e O Mercado bateu nos papéis. “Quando isso acontece, investidores desconfiam se há problema interno, se a empresa vai entregar resultado.” Segundo ele, a MMX ainda está, a exemplo da OGX, num estágio em que necessita de fortes investimentos e tem dívida alta e baixa geração de caixa. Com isso, não paga dividendos. “A companhia tem muita lição de casa para fazer. Deve mostrar resultados mais consistentes em meados de 2014 ou em 2015.”

Os analistas Jonathan Brandt e Miguel Falcão, do HSBC, contam em relatório que, depois de visitar 25 clientes brasileiros no setor de metais e mineração, “as ações dos produtores de aço plano e da MMX ainda parecem classificadas como underweight (abaixo da média do mercado) nas carteiras dos investidores e muito mal vistas”.

“A MMX foi muito mal vista em nossas reuniões (dos nossos contatos, ninguém pareceu possuir a ação), com destaque para a preocupação expressiva em relação à execução de projetos, mudanças na administração e notícias negativas em torno das empresas ‘X'”, dizem, em relatório. O HSBC tem recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 4,00.

No setor de energia, os analistas Sandra Boente e Eduardo Gomide, do HSBC, têm recomendação overweight (acima da média do mercado) para MPX, com preço-alvo de R$ 12,61. Eles comentam o balanço do quarto trimestre e dizem que os primeiros resultados operacionais mostram pouco sobre a performance potencial da empresa, mas o período representa ponto de inflexão, ao incluir um mês de operação da primeira usina.

A LLX, de logística, também sofreu em bolsa com questões ligadas à instalação do Porto de Açu. Os papéis recuaram após a norueguesa Subsea 7 desistir de se instalar no local. A empresa de serviços para exploração de petróleo renderia R$ 21 milhões por ano à LLX.

Entretanto, conforme informaram Natalia Viri e Téo Takar (Valor, 07/03/13), as ações do grupo EBX dispararam no pregão após o anúncio da “cooperação estratégica de negócios” com o BTG Pactual, de André Esteves. As ações da mineradora MMX fecharam o dia em alta de 17,04%, seguidas por OGX, que avançou 16,44% e pela LLX, com alta de 10,41%, nas três maiores altas do Ibovespa, que subiu 1,50%, para 58.809 pontos. Fora do índice de referência da bolsa, os papéis do estaleiro OSX subiram 10,18%, e os da termelétrica MPX — que está em processo de venda — avançaram 1,54%. Já as ações da mineradora de carvão CCX ficaram praticamente estáveis, em R$ 4,02, à espera da oferta de fechamento de capital que deve ocorrer no começo de junho. Eike ofereceu R$ 4,31 por cada ação da companhia para tirá-la da bolsa.

De acordo com operadores de mercado, as fortes altas das ações das principais empresas do grupo refletem o otimismo dos investidores com o acordo com o BTG e o movimento de cobertura de posições alugadas, em que se aposta na baixa.

Nas semanas anteriores, o aluguel de ações das empresas do grupo EBX tinha batido recorde. Na véspera do anúncio, a posição vendida em OGX ON alcançou 205,9 milhões de ações; para MMX, havia 48,9 milhões de ações emprestadas; e LLX ON registrava 41,3 milhões de ações alugadas.

O ceticismo dos investidores em relação à entrega de resultados era tão grande que mesmo as fortes altas de hoje foram suficientes apenas para que as ações de OGX, LLX e MMX recuperassem os patamares de meados de fevereiro de 2013.

Apesar do otimismo com a parceria anunciada, alguns analistas recomendaram cautela em relação às inúmeras incertezas envolvendo a operação. “Ainda não está claro se a injeção de capital do BTG ocorrerá via aumento de capital ou concessão de empréstimos”, destacaram os analistas do Santander em relatório.

Eles afirmam que, no caso de OGX, apesar de a “cooperação” ser positiva, o momento operacional [financiamento Ponzi em prazo de maturação de investimentos] é muito fraco e, portanto, não enxergam uma boa oportunidade de compra. Já para a MMX, os projetos futuros dependem mais da aprovação de um financiamento de R$ 3 bilhões do BNDES que da futura ajuda do BTG para tocar seus projetos, diz o Santander.

A ideia é que o BTG ajude o grupo EBX a reestruturar e vender alguns ativos. Um dos primeiros candidatos à venda é a elétrica MPX, que está sendo negociada com a alemã E.ON. Pelo acordo, a ideia é que as injeções de capital pelo banco não sejam feitas nas empresas do grupo, mas em projetos específicos.

Nesses casos, além de usar capital do banco, Esteves pretende trazer também investimentos de fundos soberanos que já são sócios do BTG, como os de Cingapura, China e Abu Dabi.

 

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