IPO = IPI

Initial Public OfferingUnknownFazer lançamento primário de ações em momento desfavorável do mercado pode fazer com que as captações fiquem muito aquém do que desejavam os empreendedores no planejamento da oferta. A comparação ilustrativa dessa decepção é a curiosa equação IPO = IPI, pois é como “vender um automóvel logo após a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), quando os preços dos novos despencam, assim como os dos usados”. Uma oferta fracassada representa risco de imagem tanto para a companhia que tentou realizar um IPO (Ofertas Públicas Iniciais na sigla em inglês) quanto para os bancos coordenadores da operação.

Atualmente, os preços das ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira estão sofrendo um desconto elevado do valor de mercado em relação ao valor patrimonial histórico das sociedades abertas, o que leva os investidores a buscar outras oportunidades, em vez de correrem o risco de um IPO. A disponibilidade (availability biases) é a heurística cognitiva na qual o tomador de decisões confia no conhecimento que está prontamente disponível em vez de examinar outras alternativas ou procedimentos. Estima a probabilidade de ocorrência de determinado evento baseando-se apenas nas lembranças que dispõe a respeito das circunstâncias sob as quais evento similar ocorreu no passado, sem julgamento da frequência em que aquilo, de fato, ocorre na realidade.

Quando as pessoas são solicitadas para avaliar a frequência ou a probabilidade de um evento, fazem-no considerando a facilidade com que os exemplos ou as ocorrências podem ser trazidos à mente. Mas “a memória é curta”, isto é, não trata os acontecimentos antigos como os eventos mais recentes. Quando se julga a probabilidade de determinado evento se repetir, as pessoas buscam em suas memórias a disponibilidade da informação relevante. Esse procedimento pode produzir estimativas enviesadas, porque nem todas as lembranças estão igualmente disponíveis. Os investidores utilizam a ocorrência recente de evento mais saliente para extrapolar sua continuidade ou mesmo seguem a tendência delineada no passado e não, como seria racional, o novo cenário esboçado sobre o futuro.

Em 2012, a megaoferta do Facebook, que rendeu US$ 16 bilhões, a maior da história das empresas de internet, acabou decepcionando os investidores quando as ações começaram a despencar após a estreia na NASDAQ. As perdas contaminaram as mentes, generalizando mundialmente a desconfiança no mercado de ações e elevando a aversão ao risco por parte dos investidores internacionais.

Em 2007, o melhor ano da história da Bolsa de Valores no Brasil, 64 companhias brasileiras abriram capital. Muitas empresas ainda não operacionais na época, como a MPX Energia do grupo EBX do bilionário Eike Batista, aproveitaram a janela de oportunidade. No total, as ofertas geraram R$ 45 bilhões. Mas, já no ano seguinte, o mercado de ações começou a sentir os efeitos da crise financeira internacional. Em 2011, foram realizadas onze ofertas. Em 2012, até o terceiro trimestre, tinham sido realizadas somente quatro ofertas públicas iniciais na Bolsa de Valores brasileira.

A maior oferta neste último ano foi a do BTG Pactual, realizada no mês de abril, que totalizou uma captação de R$ 3,6 bilhões para o banco de investimentos. A transação atraiu 170 grandes investidores, o que garantiu a demanda três vezes superior à oferta. Mas a quantidade vendida ficou abaixo dos 121,5 milhões de unidades que o BTG Pactual ofereciam na operação. O bom resultado do IPO foi atribuído à confiança no mercado de bons resultados do banco, aliado ao prestígio de seu principal acionista, André Esteves. Foi a maior oferta inicial do mercado acionário brasileiro em quase três anos, desde os R$ 14 bilhões levantados por outro banco, o Santander Brasil, em outubro de 2009. Também conseguiu ficar entre as dez maiores ofertas na BOVESPA desde 2004.

Um processo de recuperação do mercado acionário brasileiro passa por duas variáveis: economia local e mercado internacional. Embora o cenário externo, refletido no desempenho da Bolsa de Nova York, seja o determinante da performance da Bolsa de Valores brasileira, devido à arbitragem dos investidores internacionais, uma retomada forte no nível de atividade na economia brasileira pode compensar o pessimismo dos estrangeiros e ser um fator decisivo de estímulo para a retomada das ofertas públicas iniciais.

Enquanto isso não ocorre, os empréstimos subsidiados oferecidos pelo BNDES influenciam as decisões dos empreendedores. Por isso, os neoliberais acusam, equivocadamente, que “o banco de desenvolvimento é um fator inibidor para o mercado de capitais no Brasil, já que as companhias preferem recorrer aos empréstimos com juros menores do que os praticados no mercado de crédito brasileiro do que lançar ações na Bolsa de Valores”.

Não se enxergam, isto é, os paladinos defensores do livre mercado não analisam que, para algumas empresas, o fechamento de capital tem sido uma saída adotada em função da perda de valor de mercado na Bolsa de Valores. Mas não é uma regra que serve para todos os casos. Conforme a estratégia adotada pelo controlador, em um momento de baixa, pode ser vantagem fechar o capital, sobretudo se os preços dos papéis estiverem atraentes em relação ao valor justo de acordo com os fundamentos presumidos das empresa. Há custos operacionais para manter uma empresa com capital aberto, que podem não compensar se o desempenho na bolsa não estiver satisfatório.

Há processos de saída até do Novo Mercado, nível máximo de governança corporativa da Bolsa de Valores, para posterior oferta pública para fechamento de capital. Em resposta ao movimento de desvalorização das ações da companhia, ao retirá-las do mercado, ela sinaliza que não vai precisar mais deste tipo de recurso para sustentar os investimentos nos seus projetos, que estão, por exemplo, em fase pré-operacional. Logo que eles entrarem em operação, o controlador não repartirá mais os futuros resultados positivos com os ex-associados.

Esperto é o BTG do bilionário André Esteves, que se associou com o EBX do bilionário Eike Batista, em momento de baixa das ações. Seguiu a equação BTG + EBX = Xs!

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