Condenação à Aposentadoria

Condenado a ser aposentado

Linda Stern (Reuters, de Washington, apude Valor, 29/04/13) dirige-se a mim com seu aconselhamento já no título: “Considere se divertir mais na fase pré-aposentadoria”. [Mas o que eu estou fazendo?! Eu me divirto trabalhando! Sou feliz assim – e sei disso!]

Mas Linda segue me aconselhando: “Quando você estiver se aproximando dos anos pré-aposentadoria, provavelmente já terá ouvido este conselho centenas de vezes: trabalhe mais. Aperte o cinto. Deposite o máximo de dinheiro possível em seu plano de Previdência Complementar porque você poderá viver até os 100 anos e precisará do dinheiro depois.

Tudo bem, mas e se…

E se você estiver impaciente para começar a colocar em prática algumas daquelas viagens que planejou fazer quando se aposentar? [Eu cansei de viajar de avião, de espera de aeroporto, de traslado, de hotel!]

E se você não quiser adiar as aulas de tênis, a oficina de carpintaria ou a viagem familiar de várias gerações até fazer 70 anos? [Nunca quis aprender tênis, carpintaria, passou a época de viagem familiar…]

E se você não espera viver para sempre? [Mas quem é onipotente para querer ficar carcomido no meio de jovens que desconhece?!]

Este conflito – viva o dia de hoje, planeje o amanhã – é considerado o principal desafio da vida. [Ah é? Eu achava que o maior desafio é não perder a vida atingido por algum acidente que seja uma calamidade pessoal e/ou familiar…]

O cantor de rhythm and blues Drake o resolve na música “The Real Her” com a letra: “Festeje esta noite“. Mas, surpreendentemente, alguns especialistas do setor financeiro fazem o mesmo. Mais especialmente os da T. Rowe Price Group, empresa que gerencia fundos e planos 401(k). [Taí, eu cá no meu canto do mundo, não sabia disso!]

Ela criou uma nova campanha publicitária, chamada “pratique a aposentadoria“, pela qual conclama os “baby boomers” [Eu! Eu! Eu!!!] a continuar trabalhando, mas também a começar a gastar mais em diversão pré-aposentadoria, mesmo que isso signifique restringir as contribuições ao plano de previdência. [Como dizia um primo gozador: “Dinheiro, graças a Deus, nunca faltou!” O que me falta é diversão…]

Adie a data, mas não a satisfação da aposentadoria“, diz uma planejadora financeira sênior da previdência complementar. [Qual é? Qualé? Alguém fica satisfeito com a velhice?!]

A abordagem dela é baseada na pesquisa da T. Rowe Price que mostra o seguinte: ‘parar de trabalhar cedo ou começar a usar antes da hora os benefícios da seguridade social pode realmente minar a renda dos anos mais tardios da aposentadoria. Mas reduzir as contribuições previdenciárias nos últimos anos de trabalho é bem menos danoso’. [Óbvio, é questão de Matemática Financeira: quando se tem um bom saldo financeiro acumulado, basta esperar o “milagre dos juros compostos” (capitalização de juros sobre juros) acontecerAté quando?]

E aquelas atividades divertidas podem estar mais disponíveis quando você ainda está trabalhando. [Quais? O que eu nunca fiz?]

Tome, por exemplo, a necessidade de transição para a aposentadoria com mais passeios de prospecção de imóveis, e se divertir nesse processo, mesmo sabendo que seu orçamento provavelmente exigirá a saída das caras metrópoles, quando se aposentar. [Verá que imóvel para morar na praia ou no campo é muito mais barato de o que se paga para morar em cidade engarrafada… Isso sem falar no custo de vida… Tendo banda larga e assistência médica, tudo bem!]

Quando se sobrevive a um câncer, a única coisa que a pessoa gostaria é aprender a aproveitar o máximo de cada dia. [Carpem Die.] Não olha tanto pra frente como as outras pessoas. [Já está na sobrevida…]

Ela não tem pressa em se aposentar, acredita que gostará de se mudar para um clima mais agradável, e de não necessitar demonstrar mais sua posição social. [Adeus, status! Bom dia, anomia!]

[Anomia: estado da sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença, e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais.]

Eis mais algumas ideias sobre como se divertir agora sem esgotar os recursos de que você precisará depois:

Não abandone seu emprego diário. Abrir mão de renda e benefícios e começar a Previdência Social vai atrapalhar você. Portanto, tente continuar trabalhando se puder. [A gente vai levando… Deixando a vida levar…]

Considere a possibilidade de trabalhar menos. Se você não puder trabalhar meio período, talvez possa pelo menos tirar uma semana ou duas a mais de férias. Mesmo que tenha de usar umas poucas semanas de folga não remunerada, isso pode dar a você tempo para uma viagem especial sem afetar seu plano de longo prazo.

Realize agora algumas das aventuras da aposentadoria. Pense nas viagens especiais que você estava guardando para a aposentadoria e tente avaliar se elas são viáveis agora. Você pode precisar apenas de algum planejamento criativo para começar a realizar antecipadamente sua lista de passeios. Faça espécie de “test drive de aposentadoria“. Por que não fazer aquele cruzeiro de aniversário [Porque cruzeiro marítimo é um horror!] ou passar três semanas na Europa [Entupida de turistas!] enquanto você está de férias, em vez de esperar para fazer isso quando se aposentar?

Use a pré-aposentadoria para preparar o caminho para a diversão pós-aposentadoria. Se quiser jogar golfe quando se aposentar, compre já seus tacos, associe-se a um clube e tome lições enquanto pode arcar com tudo isso. [Ai minha osteoartrite…] Compre aquela câmera fotográfica, a máquina de costura sofisticada, o equipamento de ginástica, as ferramentas elétricas ou aquele barco [A camisa do time de futebol preferido para torcer na poltrona de sua casa…] enquanto você tem o contracheque. Com as devidas desculpas àqueles que vendem Fundos Mútuos, considere isso como um investimento para a aposentadoria. [Investir em cultura é infindável, sempre necessário, e não custa tanto…]

Sonde o futuro. Você pode tirar suas férias nos lugares que pretende conhecer quando se aposentar. Isso não apenas lhe proporciona o prazer das férias, como permite seguir para o próximo estágio, para ver se você vai gostar. Afinal, é melhor ter uma ideia de como tudo funciona antes de escrever sua carta de desligamento e colocar uma placa de “vende-se” na frente da sua casa. [Passei uma semana no cotidiano de engarrafamento e apertamento no Rio de Janeiro, e… “o sonho acabou”! Talvez seja melhor  apenas pegar um voo para lá quando a saudade bater…]

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