Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema

cropped-unicamp_entrada-i.jpgCompletada a experiência didática inédita no IE-UNICAMP – delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto, usando filmes para aplicar conhecimento econômico em suas interpretações –, é interessante compartilhar seus resultados com todos os interessados. Recebi manifestações de interesse não só por parte de meus colegas como também de outros professores e alunos de Economia ou Ciências Sociais.

Fiquei muito satisfeito com o resultado! Houve um notável amadurecimento cultural por parte de todos os alunos, constatável pelas crescentes participações no debate entre o início e o fim do curso e pelos trabalhos de avaliação muito bons – todos foram aprovados! O legal é que também eles reconheceram isso, o que pude conferir tanto pela avaliação oral realizada na última aula, quanto pela avaliação escrita dos alunos sobre o curso.

Solicitei respostas às seguintes questões:

  1. ESTADO DA ARTE: Qual era o seu conhecimento sobre as Eras Econômicas antes do curso?
  2. RESUMO DO CURSO: Descrição sumária do curso através das principais características das Eras Econômicas apresentadas nos filmes.
  3. AVANÇO: Quais foram as principais lições econômicas aprendidas no(s) enredo(s) do(s) filme(s)?
  4. CONTRIBUIÇÃO PESSOAL: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

As duas questões centrais foram espécie de recapitulação sintética do que foi visto e aprendido.

O curso se iniciou com a apresentação da antológica sequência cinematográfica inicial de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, onde se vê desde o violento instinto da competição por água escassa até a corrida espacial. Em seguida, foi realizada uma apresentação comentada do documentário da BBC sobre “Instintos Humanos” com quatro episódios: Sobrevivência, Desejo, Competição, Proteção, seguida de debate. Com isso, destaquei a importância dos instintos nas decisões econômico-financeiras, como sugere a Economia Comportamental que trata das emoções e não apenas da racionalidade dos agentes econômicos.

A exploração dessa ideia continuou no debate do filme “A Guerra do Fogo”, quando assistimos todos os instintos em cruzamento étnico produzindo miscigenação e inovação tecnológica, no caso, acender o fogo. Não foi um fogo-fátuo…

Ao contrário do que nos inculcam, em educação criacionista, na história científica não existe pré-história. Somos praticamente doutrinados a conhecer apenas o período d.C. (depois de Cristo), mas há outra história da evolução humana, desde que nos distinguimos dos gorilas, cerca de 7 milhões de anos atrás, até o fim da última Era Glacial, há aproximadamente 13.000 anos. Jared Diamond, em documentário produzido pela National Geographic Society – Armas, Germes e Aço – apresenta os confrontos entre os povos de diferentes continentes. Identifica a cadeia de fatores, inclusive a domesticação de animais e a criação de anticorpos contra seus germes, que permitiu as conquistas européias de sociedades nativas americanas. Esses fatores, no século XVI, incluíram germes trazidos pelos cavalos, cultura, organização política e tecnologia, especialmente navios e armas.

O making-of da série Roma instigou a discussão sobre a hipótese de Paul Kennedy sobre Ascensão e Queda das Grandes Potências: Transformação Econômica e Conflito Militar, onde ele sugere que o custo de manutenção das Forças Armadas em longínquas fronteiras destrói as finanças públicas dos Impérios, levando à sua derrocada.

Através do filme Giordano Bruno, vimos o conflito entre a Ciência e a Religião, para superar a chamada “idade das trevas”. O período histórico medieval possui uma diversidade que não se encerra no predomínio das concepções religiosas em detrimento da busca pelo conhecimento. É durante o período medieval que se estabelece a complexa fusão de valores culturais romanos e germânicos. Ao mesmo tempo, é nesse período que há a formação do Império Bizantino, a expansão dos árabes e o surgimento das primeiras universidades.

A história pessoal de Cristóvão Colombo, mostrada em “1492: A Conquista do Paraíso”, ocorre em contexto de um mundo em transformação entre 1453 e 1789. O reaquecimento das atividades comerciais e o Renascimento marcam o período em que o individualismo e a conquista colonial do mundo tornam-se práticas vigentes. A hegemonia do cristianismo católico foi abalada com os movimentos reformistas e a economia deixou de ser uma prática envolvendo curtas distâncias. As Grandes Navegações e o “descobrimento” da América são um dos mais ricos assuntos desta era histórica.

O desenvolvimento do capitalismo e a ascensão dos valores de um mundo em “progresso ininterrupto” com rupturas com as metrópoles regidas por monarquias absolutistas, com revoluções burguesas e soviética, foram debatidos e comparados entre si. Descobrimos a origem da “democracia da propriedade” com a Guerra da Independência norte-americana, motivados pelo filme “O Patriota”. Comparamos os Processos das Revoluções (“Danton”), através dos confrontos entre Danton e Robespierre e entre Trotsky e Stalin, acabam levando a liberdade, a igualdade e a fraternidade para o esquecimento. Não deixamos de nos emocionar com a montagem metafórica de “Encouraçado Potemkin” e até mesmo com a sequência de “A Internacional” do filme “Reds”.

A batalha de Argel”, filmada apenas quatro anos após a Descolonização da Argélia, em 1962, com homens do povo como protagonistas, permitiu visualizar e comentar os métodos terroristas de ambos os lados: atentados que matam inocentes e torturas que massacram meros suspeitos. Mas foi destacado o pano-de-fundo econômico: tinha-se descoberto petróleo em solo da Argélia desde o pós-guerra e a metrópole francesa não queria abrir mão de sua colônia, até que atos terroristas passaram ameaçar o próprio General De Gaulle em Paris. O filme “O Dia do Chacal” mostra a reação da direita militar de forma eletrizante.

A Economia do Petróleo foi debatida através do filme “Sangue Negro”. Na virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia, um mineiro de minas de prata divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro e explorar o petróleo do subsolo da cidade de Little Boston, dominada pela igreja de um oportunista pastor. Enfrenta não só a religião, mas também o monopólio do transporte de petróleo por parte da Standard Oil. Nos Estados Unidos, a “livre-iniciativa” é bloqueada por trustes, carteis, dumping, monopólios, barões-ladrões…

O contexto histórico-econômico e político do roteiro de  O Poder Vai Dançar [Craddle Will Rock] (1999) é didático: os Estados Unidos entram na década de 30 mergulhados na Grande Depressão. Para construírem seus arsenais, Alemanha e Itália, ainda sem serem inimigos dos americanos, adquirem petróleo, borracha e aço de companhias americanas. Porém, os trabalhadores não têm jornadas de quarenta horas semanais, salário mínimo e assistência médica, assim percebem a necessidade dos sindicatos e surgem greves, que fecham fábricas. O governo, então, inicia o WPA (Works Progress Administration), um programa variado e ambicioso para gerar empregos. Uma das divisões da WPA é o Projeto do Teatro Federal, que leva teatro de baixo custo a milhões de americanos. Quando está se montando “Cradle Will Rock“, a peça vai assustando os setores mais conservadores. A tensão se agrava até a peça ser censurada no dia da sua estreia. Paralelamente, Nelson Rockefeller se mostra imbuído do mesmo radicalismo conservador ao dispensar os serviços de Diego Rivera, pintor mexicano que estava pintado um expressivo mural no Rockefeller Center. Como o rosto de Lenin estava na pintura, foi motivo para o magnata destruir o painel por completo. Este episódio é também apresentado no filme Frida.

Neste momento do curso, faltando apenas três aulas-debates para terminá-lo, optamos em conjunto por trocar a programação inicial  pelos seis episódios da série da BBC referentes ao livro Civilização: Ocidente X Oriente (São Paulo: Planeta, 2012). Niall Ferguson mostra que o que distinguiu o Ocidente do Oriente – as molas propulsoras do poder global – foram seis novos sistemas de instituições identificáveis e as ideias e os comportamentos associados a eles. Estes “aplicativos” (ou apps) que permitiram que uma minoria da humanidade, originando-se no extremo oeste da Eurásia, dominasse o mundo durante a maior parte dos últimos 500 anos.

Outros aspectos cruciais da supremacia ocidental, como o capitalismo ou a liberdade ou a democracia (ou, aliás, armas, germes e aço), estão implícitos nas breves definições seguintes dos seis apps.

  1. Competição: uma descentralização da vida política e econômica, que criou as condições para o surgimento dos Estados-nação e do capitalismo.
  2. Ciência: uma forma de estudar, entender e, finalmente, transformar o mundo natural, que deu ao Ocidente, entre outras coisas, uma importante vantagem militar sobre o restante.
  3. Direitos de propriedade: o controle da lei como um meio de proteger os proprietários privados e solucionar, pacificamente, as disputas entre eles, que assentou a base para a forma mais estável de governo representativo.
  4. Medicina: um ramo da ciência que possibilitou uma importante melhoria na saúde e na expectativa de vida, inicialmente nas sociedades ocidentais, mas também em suas colônias.
  5. Sociedade de consumo: um modo de vida material em que a produção e a compra de roupas e outros bens de consumo desempenham um papel econômico central, e sem o qual a Revolução Industrial teria sido insustentável.
  6. Ética do trabalho: um sistema moral e um modo de atividade derivados do cristianismo protestante, entre outras fontes, que fornece a coesão à sociedade dinâmica e potencialmente instável criada pelos itens anteriores.

Assim, o curso periodizou grandes ondas da evolução humana:

  • da pré-história até o fim do primeiro Império ocidental (o Império Romano) próximo de 500 d.C.,
  • depois, os 1000 anos de domínio de Civilização Oriental, tanto o Império Otomano quanto o Chinês,
  • finalmente, os 500 anos de hegemonia da Civilização Ocidental. A história será pendular?

Feito essa breve recapitulação do curso Economia no Cinema, vamos apresentar algumas avaliações dos alunos, através de citações de passagens de seus trabalhos. Inicialmente, vejamos algumas respostas representativas à pergunta: Qual era o seu conhecimento sobre as Eras Econômicas antes do curso?

CAROLINA: “Meu conhecimento sobre as Eras Econômicas era mais compartimentado antes do curso. Faltava um fio condutor que explicasse a evolução de uma era para outra. (…) como passamos de um Era Medieval dominada pelo Oriente e entramos em uma Era Moderna de hegemonia Ocidental. Por que alguns povos conseguiram se desenvolver mais que outros (…)? Eu ignorava também, em parte, o papel fundamental da Era das Revoluções [inclusive Socialista] para o surgimento da sociedade de consumo [massiva]”.

“Além disso, eu desconhecia algumas questões importantes sobre cada Era. Grande parte da história do Oriente, em especial a virtuosidade e a hegemonia do Império Chinês até o século XVI, é nova para mim. […] Por último, minha noção sobre as Eras estava limitada à visão e conceitos heterodoxos. Existe, certamente, uma lacuna no curso de Economia no que diz respeito ao ensino mais profundo e menos caricato de outras visões e ideologias, até para que sejamos capazes de melhor criticá-las. Alguns pontos interessantes de caráter neoliberal foram colocados em debate no curso Economia no Cinema”.

RAFAEL: “Acredito que o curso de Economia no Cinema, diferentemente do que vimos ao longo da faculdade, teve um caráter principalmente cultural ao invés de acadêmico. […] Meu conhecimento sobre o tema sempre foi bastante superficial, baseado apena em livro-texto e sem um exercício de reflexão mais profundo como tivemos no curso em questão”.

LIS: “Antes de iniciar o curso de Economia no Cinema, meus conhecimentos sobre as Eras Econômicas eram significativamente limitados. Apesar de ter estudado cada uma das eras em bastante detalhe, em diferentes disciplinas da graduação, em nenhum momento foi dada uma perspectiva geral que conectasse todas as Eras em um contexto econômico. […] Assim, acredito que a disciplina possibilitou tanto um aprofundamento nas histórias de cada Era Econômica, como também uma visão macroeconômica do processo evolutivo da Civilizações como um todo. É esta perspectiva que não havia sido apresentada na graduação até então”.

MURIEL: “Acredito que essa disciplina pode acrescentar bastante ao meu conhecimento sobre as Eras Econômicas, pois com filmes tudo fica melhor ilustrado e mais fácil de guardar e relacionar”.

CAIO: “Durante a graduação em Ciências Econômicas na UNICAMP, somos sistematicamente orientados para discutir o capitalismo, principalmente no que tange ao capitalismo tardio brasileiro e à história do pensamento econômico nesse modo de produção. […] Ao mesmo tempo, não nos é dado nenhum referencial sobre as Eras Econômicas que vieram antes, talvez somente o feudalismo [mas como pré-capitalismo]”.

LUCIANA: “[…] também se pode fazer uma alusão aos períodos anteriores [ao século XVI], principalmente no que se concerne aos gregos – espartanos e atenienses –, vikings, romanos e civilizações latino-americanas, tais como Maias, Incas, Astecas. Ainda que não houvesse o conceito de globalização […] e, consequentemente, uma relação direta entre a potência [hegemônica] e as demais civilizações, ao redor do mundo, é possível fazer uma comparação entre elas, [e descobrir] o motivo de algumas terem se desenvolvido mais do que outras”.

PATRÍCIA: “A discussão acerca dos fatores que levaram o Ocidente dominar o Oriente foi totalmente nova para mim, tinha como um fato dado: os europeus eram mais desenvolvidos, superiores em termos militares, científicos e políticos. Assistindo os documentários do biólogo evolucionista Jared Diamond e do historiador Niall Ferguson, percebi que, antes de começar a história que aprendemos no colégio, muita história se passou para se consolidar uma posição de vantagem dos europeus em relação aos outros povos. […] ver sob uma perspectiva econômica torna um filme, mesmo já visto, muito mais interessante”.

MARIANA: “O método de aprender através da arte é muito inovador, no nosso curso, e acredito que deva ser levado em frente, pois tem muito a acrescentar ao nosso currículo, visto que uma das minhas maiores críticas ao curso [do IE-UNICAMP] é a falta de espaço para debate em aulas expositivas nas quais os professores falam por horas, utilizando-se do PowerPoint”.

PEDRO:  “[…] Em segundo lugar, deve-se atentar para a discussão que concerne à arte e à formação cultural, já que foram apresentados filmes clássicos e conceitos importantes para a história do cinema. No que diz respeito ao ‘estado-da-arte’, referente ao meu conhecimento sobre as Eras Econômicas antes do curso, considero que possuía um padrão amplo, malgrado raso, de entendimento, e que a cisma entre as Eras Econômicas não era clara como a que foi apresentada pelo professor […] a fim de entender forças motrizes e influências diferentes daquelas eras históricas.”

“Outro ponto a ser ressaltado diz respeito à inclusão de períodos que dificilmente são estudados no escopo da Economia, como a Pré-história, e de crítica às posições atuais. Acho que a escolha de filmes é crassa nesse ponto, uma vez que aqueles apresentados tentam sempre englobar uma multiplicidade de interpretações, que podem ser consideradas econômicas, tangendo não só o desenrolar da estória, em geral, mas também as reações e a multiplicidade dos personagens como lições a respeito da natureza humana, a qual é inevitável, na minha opinião, para um bom entendimento das ações econômicas”.

MARCELO: “[…] ampliou minha compreensão por uma via audiovisual diferente e muito divertida, assim como trouxe informações novas sobre fatos históricos que não se costumam lecionar, costumeiramente, como a história da China e do Oriente, assim como muitas peculiaridades Ocidentais, que são essenciais para um eventual entendimento do mundo”.

Agora, vejamos algumas respostas representativas para as perguntas: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

CAROLINA: “Minha avaliação do curso é muito positiva. A partir dele, eu adquiri uma visão mais ampla e fluida da história das Civilizações, com ênfase na evolução da economia. Imagino que o motivo foi o estudo de um material diferente daquele já visto durante a graduação. O uso do cinema permitiu um novo ângulo sobre as mesmas questões antes vistas, ao contribuir com a riqueza de detalhes visuais para caracterizar as Eras, completando assim o aprendizado por textos. […] Até então eu não tinha essa memória fotográfica da história”

“Além disso, considero fundamental para o sucesso do curso a metodologia utilizada, principalmente, quando os slides foram abandonados. Os filmes foram acompanhados de leituras [de posts] e debates sem os quais não teríamos chegado tão longe. Nas últimas aulas, senti falta da leitura dos posts. O debate, no qual o professor instigou a participação dos alunos através de perguntas, é método muito mais efetivo e prazeroso de aprendizagem do que aulas expositivas”.

“Infelizmente, a contribuição dos alunos deixou um pouco a desejar, imagino que por falta de hábito de expor ideias na sala-de-aula. Por isso, minha sugestão é insistir nesse método em cursos semelhantes e outros. Por fim, a avaliação [solicitada no curso] foi coerente e instigante”.

ADRIANO: “Acredito que, com o objetivo de se estimular uma discussão mais profunda e diferente do debate usual, a apresentação de documentários sobre os temas específicos seria mais efetiva. Caso se deseje manter a apresentação de filmes, uma ideia interessante para incrementar a discussão na sala de aula seria realizar um debate acerca da maneira que o cinema expressa o processo histórico, ou seja, tentar colocar em prática uma abordagem mais artística e menos histórica. A minha opinião sobre o curso foi positiva como um todo. Acredito que os filmes e os debates possibilitaram uma retomada das Eras Econômicas estudadas e ofereceram material para reflexões interessantes, através de abordagens fora do lugar-comum.”

RAFAEL: “Acho que o curso, apesar de ser pioneiro no IE-UNICAMP, foi muito bem estruturado, e diferentemente dos outros cursos que fizemos, não contém apenas teor acadêmico, mas tem um componente cultural importante que pode contribuir, significativamente, para a evolução intelectual e pessoal do aluno. […] Acho que as discussões sobre os filmes poderiam ser mais presentes em sala-de-aula, mas acredito que isso não foi tão ativo mais pela timidez e receio dos alunos (eu me incluo nesse grupo) do que pela dinâmica do curso”.

LIS: “Alguns tópicos não foram cumpridos, sendo substituídos por documentários de Niall Ferguson [Civilizações]. Esta mudança no programa foi de bastante proveito, dando oportunidade de aprofundamento em alguns tópicos importantes. Porém, por sua vez, os tópicos substituídos seriam também bastante interessantes [Era Neoliberal e Economia das Finanças]. Sugiro, assim, que seja oferecida uma nova disciplina, que foque nessa parte”.

AQUILES: “O curso apresenta diversos pontos positivos […], porém creio que as discussões poderiam ser melhor exploradas se a participação dos alunos fosse maior, para isso creio que o ideal seria um ambiente mais construtivista e menos hierárquico, onde o professor aja mais como mediador da discussão e menos como condutor da mesma. Dessa forma, os alunos teriam mais espaço, seja para conduzir as discussões em si, seja para sugerirem os filmes, que seriam seu objeto de estudo, ou mesmo para propor mudanças durante o curso.”

MURIEL: “Adorei ter realizado esse curso, pois ele me agregou muito. Aprendi tanto Arte, quanto Economia. Foi muito interessante poder juntar os dois, fica mais prazeroso aprender com filmes, deixa mais leve a aula e a recordação fica mais fácil. Assisti (e gostei) alguns filmes que eu, provavelmente, não assistiria, caso não fosse mostrado em aula. Fui capaz de até apreciar filmes sem diálogos!”

“Para mim, o mais interessante foram os documentários, eles me fizeram pensar em alguns pontos que passavam como leves curiosidades, mas que nunca tinha realmente parado para refletir. […] por exemplo, o atraso do continente africano frente à Europa […] Outro ponto foram os instintos [humanos] […] Achei super-válido o curso. Atendeu e até superou minhas expectativas com seus debates e comentários que iam além do filme”.

GIULIA: “Foi muito importante a realização de debates após a exibição do filme, primeiro, para não cair no encanto dos filmes e deixar de lado a parte crítica. Segundo, porque é o que enriqueceu o conteúdo e agregou mais valor à aula, tornando-a mais dinâmica e interessante. Particularmente, não tenho o costume de participar muito em sala-de-aula. Suas insistências foram grandes impulsionadoras para mim.”

“Quanto à exibição de drama ou documentário, achei mais proveitoso os documentários, pois foram mais descritivos sobre os processos históricos. Muitas vezes, o documentário problematizava o tema, já instigando o espectador a pensar sobre o assunto. O drama já não tinha a mesma objetividade, a qual não pode ser exigida também, pois filmes, na maioria das vezes, são apenas obras de arte para deleite. Além disso, sua produção é guiada por outros objetivos como retorno financeiro, sucesso em bilheteria, busca de premiações, e não o objetivo didático de passar informações e questionamentos.”

“Uma sugestão para forçar as participações dos alunos no debate é incluir seminários. Colocar como objetivo do seminário que os alunos responsáveis pelo tema em questão liderem o debate. Mas que sejam guiados por perguntas pré-distribuídas pelo professor, entregues aos alunos antes da aula, para que se preparem para o seminário. Além da exigência que eles também desenvolvam questões próprias, para problematização do tema, tudo isso enriqueceria o debate em sala-de-aula”.

CAIO: “Basicamente, nossa contribuição para que esse ponto positivo do curso [dar suporte aos alunos na discussão de Economia longe da linguagem estritamente técnica: o “economês”] seja ainda mais desenvolvido, seria os alunos dar aula, de acordo com os moldes da aula normal dada por parte do professor. A partir dos anos 90, temos uma explosão na produção de filmes em curta-metragem no mundo. Para que os alunos desenvolvessem, autonomamente, o diálogo com essa linguagem, seria positivo que grupos ficassem responsáveis por passarem um curta em sala, e depois discutissem-no com os colegas e o professor, mas a partir de seus aspectos econômicos”.

LUCIANA: “Houve retornos altamente positivos em relação ao conteúdo e à metodologia, ainda que essa eletiva tenha sido um ‘paciente zero’ [?!] do professor. Apesar do índice alto de desistências e de reprovações por faltas, acredito ser interessante a continuidade desse projeto, principalmente, pela aplicação diferenciada utilizada”.

PATRÍCIA: “Devido a este curso, passei a observar, nos filmes que assisto, o contexto econômico-histórico em que se passa a estória. Assim, além de me divertir, consigo ampliar meus conhecimentos. Por isso, avalio o curso muito bem, pois foi interessante e dinâmico. A minha sugestão, para um melhor aproveitamento da matéria, é guardar sempre um tempo adequado para a discussão depois de termos assistido o filme. Então, consegui entender melhor e até captar novas ideias que não tinha entendido”.

MARIANA: “[…] É óbvio que, em grande parte, a falta de participação dos alunos decorre da falta de interesse deles próprios […]. Poderia ser válido, para o curso, a formação de grupos que elaborassem seminários e discussões sobre os assuntos tratados nos filmes, de modo que todos participassem da aula e expressassem suas opiniões. Uma oba opção seria que o grupo de seminário visse o filme antes dos demais e, assim, elaborasse uma apresentação sobre a produção em questão, apresentada antes da exibição do filme [orientando sua ‘leitura’]. No geral, a disciplina mostrou-se bastante rica e prazerosa, tornando o estudo das Ciências Econômicas mais dinâmico e mais próximo à realidade, saindo da realidade teórica embasada em livros e autores clássicos”.

MARIANA: “Acredito que uma melhoria para os próximos cursos seja que os posts [no blog Cidadania & Cultura] sejam lidos antes da aula, para que o tempo de aula seja dividido apenas entre filme e discussão, como já estávamos fazendo ao final do programa, mas lendo os posts apenas depois da aula. Considero importante a leitura do post relacionado à execução do filme, pois desta forma é mais fácil focar a atenção em pontos mais importantes”.

PEDRO: “O curso proporcionou uma ótima experiência de aprendizado, funcionando como um laboratório de Ciência Política. Os debates em sala-de-aula, embasados na análise dos filmes, textos e resenhas do professor garantiram explorar elementos subjetivos dentro da formação histórica mundial. A forma de estudo que ultrapassa a simples análise dos acontecimentos, mas estuda os seus agentes inseridos em um contexto histórico permite elevar o grau de reflexão sobre os períodos da história econômica. Com isso, eu tenho uma avaliação excelente do curso. A sua dinâmica é muito boa, deixaria apenas como sugestão que assuntos contemporâneos fossem mais extensamente abordados ao final do curso”.

PEDRO: “Acho que, primeiramente, a subdivisão em Eras e a complementação com os documentários foi primorosa. O incentivo à crítica e à discussão foi também muito interessante, mesmo que não tenha acontecido de forma plena. Como crítica negativa, colocaria apenas a questão de que poderiam ser apresentados mais filmes clássicos e poderíamos ter discutido um pouco mais as história e os conceitos do Cinema propriamente dito. Coloco ainda que as avaliações foram extremamente adequadas às formalidades e especificidades do curso”.

TOMAZ: “Minha sugestão para o curso é que a maior parte da discussão seja feita previamente à exibição do filme, pois após [terminando por volta das 22:00] a turma costuma estar mais cansada e menos disposta a dialogar. O início e o final do curso foram as partes que mais me despertaram a atenção. Na minha opinião, o curso deveria dedicar maior parte ao período primitivo, com a interessantíssima parte sobre os instintos [humanos], e ao período contemporâneo, com a ascensão do petróleo e das finanças que estimulariam uma discussão muito atual e ausente no catálogo da Graduação”.

LIA: “O uso de dramas e documentários para provocar reflexão sobre tópicos que já foram abordados anteriormente [no curso da Graduação] foi muito positivo e vai além do curso, afetando inclusive a vida pessoal”.

ICARO: “O curso se mostrou satisfatório e, acima de tudo, agradável, pois o estudo sendo feito analisando uma produção artística dá uma dupla satisfação: a do aprendizado e a da apreciação artística. No decorrer do curso, foram notadas algumas dificuldades acerca da participação dos alunos, provavelmente pela falta de costume dos mesmos em participar [ativamente] de uma aula onde as opiniões deles realmente importam. A academia deveria ser um espaço onde as opiniões e as ideias dos alunos fossem levadas em consideração, mas, infelizmente, isso acaba se tornando caso raro. O professor, sentindo essa dificuldade, soube contornar, parcialmente, o problema, já nas primeiras aulas, mudando a forma de apresentação dos conteúdos. A disposição da sala-de-aula [SPD1 em forma de anfiteatro com monitores na frente dos alunos, mas escura, com lousa eletrônica e som no máximo volume] também era um empecilho nas discussões, sendo que uma possível disposição circular dos alunos [em outra sala-de-aula] tornaria-nas mais proveitosas”.

3 thoughts on “Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema

  1. Prezado Professor Fernando,

    Agradeço o acesso à informação e cultura em seu blog. Como um primeiro experimento, esse semestre aprovei uma atividade didática de extensão, como uma disciplina eletiva, utilizando também o cinema, mas para dar mais substância histórico-social à minha disciplina de Economia Brasileira 1, de JK até mais ou menos planos heterodoxos.
    Sou professor do novo curso de Economia da UFSCar, Campus Sorocaba, onde divido essa disciplina e FEB com ex-alunos seus, Antonio Carlos Diegues e José Eduardo Roselino.
    Fiquei extremamente empolgado com a ideia, adoro cinema e espero conseguir, um dia, usar o cinema de forma tão distinta e interessante como o faz em sua disciplina. Esse é meu primeiro experimento e o foco é a ditadura militar, motivado pelo desconhecimento e até mesmo descrença de nossos jovens em relação aos horrores do período.
    Parabéns pela sua iniciativa, indico seu blog como forma de pensar diferente, tentar fugir das amarras de ideias prontas e enlatadas e tentar construir um país melhor.
    Gostaria de maiores detalhes sobre sua disciplina de Economia e Cinema, como consigo?

    att

    • Prezado Rodrigo,
      agradeço muito seus agradáveis comentários.
      Não sei se você já viu meus posts sobre documentários brasileiros. No próximo semestre, serei professor de uma disciplina com base neles: uma aula para exibir um deles, outra para os alunos apresentarem políticas públicas para solução dos problemas socioeconômicos apontados neles.
      Veja os links na segunda aba superior do blog “Cursos”: Política e Planejamento Econômico / Economia no Cinema / Economia Monetária Através de Filmes
      Mais em: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/04/14/documentarios-brasileiros/
      Se quiser entrar em contato, estou à disposição no e-mail fercos@eco.unicamp.br
      att.

      • Obrigado mais uma vez pela atenção e pronta resposta, vou investigar melhor, já puxei tudo que você tem sobre ditadura e alguns filmes de suas indicações pessoais, adorei o IF, que nem conhecia e estou ainda garimpando sites como docverdade, 13 de maio, comissão da verdade, parte de documentários no you tube.
        Como a atividade tem como foco a Brasileira 1, já consegui entrevistas com: conceição tavares, delfim, passarei o filme do Celso, até encontrei o Bobby Fields num roda viva. Nada ainda do Simonsen, João Paulo dos Reis Velloso, enfim, gostaria de mostrar os personagens falando, mesmo que ache alguns pouco patriotas.
        Desculpe a empolgação, abraço e ótimo dia

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