Investimento em Capital Semente

Capital Semente

Capital Semente é um modelo de financiamento dirigido a projetos empresariais em estágio inicial ou estágio zero, em fase de projeto e desenvolvimento, antes da instalação do negócio. Um ou mais grupos interessados investem os fundos necessários para o início do negócio, de maneira que ele tenha fundos suficientes para se sustentar até atingir um estado onde consiga se manter financeiramente sozinho ou receba novos aportes financeiros.

O Capital Semente apoia os chamados startups, empreendimentos promissores em fase de implementação e organização de operações, muitos deles concebidos no seio das incubadoras de empresas. Neste estágio inicial, os aportes financeiros ajudam, entre outras funções, na capacitação gerencial e financeira do negócio.

O capital semente é geralmente usado para bancar operações iniciais, como desenvolvimento de produto e pesquisa de mercado. Os investidores são geralmente os próprios fundadores do negócio, utilizando recursos próprios ou capital emprestado de família e amigos. Podem também ser investidores anjo, investidores de risco ou fundos de investimento. Geralmente, o capital semente não é uma grande quantia de dinheiro.

O investimento semente pode se diferenciar do investimento de risco, pois este, geralmente, envolve uma quantia significantemente maior de dinheiro, além de ter uma complexidade muito maior nos contratos e estrutura corporativa que acompanham o investimento. Os riscos que envolvem o investimento semente são maiores em relação ao investimento de risco normal, já que o negócio que recebe o capital está em estágio inicial, e provavelmente não tem ainda um produto ou projeto finalizado para ser avaliado.

Luciana Bruno e Alessandra Saraiva (Valor, 15/07/13) informam que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai lançar neste ano dois novos fundos Criatec de investimento em capital semente, que têm como alvos empresas emergentes consideradas inovadoras. Com patrimônio total de R$ 340 milhões no mínimo, os novos fundos serão direcionados a companhias novatas de biotecnologia, saúde e agronegócio.

O primeiro fundo Criatec foi criado pelo BNDES em 2007, sendo gerido por um consórcio de prestadores de serviços formado pela Antera Gestão de Recursos e pelo Grupo Instituto Inovação. Pelo fato de as empresas de tecnologia da informação (TI) já receberem atenção dos investidores anjos, que ingressam nas fases iniciais de negócio, e das empresas de capital de risco, os alvos dos novos fundos são empresas dos demais setores da economia.

A previsão é que o Criatec 2, com patrimônio de R$ 170 milhões, comece a investir neste ano. O início dos aportes do Criatec 3, de mesmo patrimônio mínimo, está programado para 2014. Cada fundo investirá em pelo menos 36 empresas, pré-operacionais ou não, com faturamento anual de até R$ 10 milhões. Vinte e cinco por cento dos recursos serão destinados a empresas com faturamento de até R$ 2,5 milhões. O BNDES será o principal cotista dos fundos, que também contarão com recursos de bancos de fomento regionais. O gestor nacional do Criatec 2 será a Ícone Investimentos, responsável por escolher as empresas investidas. A expectativa é que o gestor do Criatec 3 seja selecionado ainda neste ano.

O BNDES verificou que ainda existe no Brasil demanda reprimida por capital semente. O banco tem hoje um esforço maior em trabalhar a média empresa e a inovação. O Criatec tenta quebrar a barreira existente entre a academia e o mercado. No Brasil, apesar do grande número de estudos acadêmicos, há poucas patentes registradas.

O primeiro fundo Criatec, com patrimônio de R$ 100 milhões, está concluindo a fase de investimentos. Com prazo de 10 anos, o fundo investiu em 36 empresas – quatro já saíram do portfólio: três foram vendidas ao controlador, após discordâncias de gerenciamento, e uma foi adquirida por outra companhia. O BNDES não informa o retorno do investimento.

Até o momento, os investimentos do Criatec 1 geraram mais de 20 patentes em biotecnologia, agronegócio, eletrônica e TI. Oitenta por cento desse patrimônio é do BNDES. A sua participação é grande porque tem dificuldade em encontrar investidores para lhe acompanhar, dados os riscos e as dificuldades de investir em empresas nascentes.

No Criatec 1, cada empresa recebeu R$ 1,5 milhão na primeira etapa de investimentos, montante que poderia chegar a R$ 5 milhões nas demais fases. Nos fundos dois e três, a primeira rodada será de R$ 2,5 milhões, podendo chegar a R$ 6 milhões. No primeiro fundo, houve empresas que receberam aportes de outros investidores, como a Geofusion, de sistemas de geolocalização, que recebeu recursos da Intel Capital, braço de investimentos da fabricante de chip Intel.

Uma das empresas que recebeu recursos do Criatec foi a Nanovetores, companhia com sede em Florianópolis (SC) e desenvolvedora de insumos industriais de alta tecnologia para os setores cosmético, alimentício, odontológico e veterinário. Criada em 2008, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão do fundo em janeiro de 2012, e usou os recursos nas áreas de produção e distribuição.

Após o aporte, a produção passou dos 200 quilos de insumo industrial em 2011 para 1,2 mil quilos no ano passado, com a perspectiva de atingir 17 mil quilos ao fim de 2013. O movimento teve fortes reflexos no faturamento da empresa, que saltou de R$ 100 mil em 2011 para R$ 700 mil no ano seguinte.

Agora, a Nanovetores está em negociação com o Criatec 2 para novo aporte, que pode chegar a R$ 5 milhões. Os recursos são de suma importância para uma empresa como a nossa, que tem como característica ser de base tecnológica, pequena, conduzida por empreendedores, normalmente com poucos funcionários.

Outra empresa que recebeu recursos do Criatec 1 foi a BUG, de produtos de controle biológico contra pragas agrícolas. Com sede em Piracicaba (SP), a companhia obteve uma receita de R$ 3 milhões em 2012 e espera atingir R$ 4,5 milhões neste ano. É um setor relativamente novo (o de controle biológico), e substitui produtos agroquímicos.

Leia mais:

Dados Private Equity e Venture Capital – 2012

Cartilha do BNDES de Apoio à Inovação

3 thoughts on “Investimento em Capital Semente

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