Dívida com Anatocismo

Juros de empréstimos pessoais

O custo médio de um empréstimo pessoal em banco é hoje cinco vezes o juro básico da economia, a taxa Selic, que subiu para 8,5% ao ano. O juro desse tipo de crédito está em 42,7% ao ano (ou 3,01% ao mês) em média, segundo estimativa da Anefac (associação nacional dos executivos de finanças).

No rotativo do cartão de crédito – modalidade de empréstimo mais cara entre as mais comumente utilizadas -, os juros anuais estão em 194% em média (9,41% ao mês), ou 22,8 vezes a Selic.

Para evitar pagar juros altos durante longos períodos, é fundamental jamais escolher essa linha de crédito emergencial!

Mas quem o faz?! Eu?! Sim, você, desde que não resista, seguidamente, ao oferecimento de “parcelamento de 10 vezes sem juros” por parte do vendedor e perca as contas do endividamento, face à alguma calamidade pessoal, por exemplo, algum acidente que exija gasto inesperado ou ficar sem emprego e sem renda…

Dívida em Cartões de Crédito

Márcia Dessen (FSP, 15/07/13) informa que um estudo recente do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) registra um aumento significativo na porcentagem de pessoas que parcelam as compras de móveis, eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos realizadas com cartão de crédito. Em 2012, cerca de 10% dos brasileiros parcelavam em mais de dez vezes a compra desses bens. Em 2013, esses percentuais subiram para 15%, 50% e 47%, respectivamente.

A maioria das pessoas entrevistadas (79%) sabe quanto custa a anuidade do cartão de crédito, mas não tem noção da taxa de juros cobrada no caso de pagamento com atraso. Como “a prestação cabe no bolso”, é natural imaginar que a grande maioria não terá dificuldade de pagar a fatura do cartão no vencimento, não é mesmo? Infelizmente não é bem assim. A pesquisa indica que 35% dos consumidores ultrapassam o limite do cartão, indicação clara de que gastaram além de suas possibilidades.

A taxa média de juros cobrada no crédito rotativo dos cartões de crédito é de cerca de 10% ao mês, mais de 200% ao ano. Dessen exemplifica com números a consequência que juros tão altos podem provocar nas finanças pessoais.

Uma dívida de R$ 2.000 se transforma em R$ 6.277 em um ano. Ela triplica em apenas 12 meses. Em dois anos, a dívida atinge R$ 19.700. Em outras palavras, o devedor devolve o capital de R$ 2.000 mais juros de R$ 17.700.

Em três anos, estará devendo impagáveis R$ 61.825. Agora, imagine o custo de oportunidade desse dinheiro: a entrada da casa própria, um carro, uma educação melhor para os filhos… Isso tudo pode começar com uma dívida de “apenas” R$ 2.000, proveniente de um pequeno descontrole emocional e de caixa, em algum dia de compras impulsivas em um shopping.

A pesquisa revela que, em 41% dos casos das dívidas registradas no serviço de proteção ao crédito, o principal motivo do atraso no pagamento é o descontrole financeiro. O desemprego responde por 23% dos casos de inclusão na lista de devedores.

O planejamento financeiro e a existência de uma reserva teriam evitado o problema. Mas esse é um hábito de poucos brasileiros. Cerca de 64% da população brasileira já esteve ou está com o nome incluído nesse tipo de cadastro negativo. O ideal é ficar longe dessa estatística e construir um histórico de bom pagador para reduzir os encargos em futuras operações de crédito.

Depois de levar a mercadoria para casa, o devedor terá de enfrentar o desafio de pagar 10 parcelas que serão religiosamente cobradas na fatura do cartão. Se ele não tem disciplina para isso, porque não economizar antes de comprar? Com o dinheiro disponível, poderá negociar um bom desconto para pagamento à vista, além de eliminar o risco de perder o controle e cair na armadilha dos juros mais altos.

Toda essa discussão refere-se ao chamado “anatocismo”, isto é, capitalização de juros. Diferentemente da dívida com juros simples, quando somente o principal rende juros, em dívida com juros compostos, após cada período, os juros devidos são incorporados ao principal e passam, por sua vez, a render juros. Quando o devedor paga ao banco a prestação, contendo amortização do principal e juros contratados, ainda lhe são exigidos novos juros sobre o saldo devedor. Caso o devedor não pague ao banco nenhuma prestação, com taxas de juros de 10% ao ano a dívida dobra em pouco mais de 7 anos!

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