Características dos Sistemas Político-Econômicos

Democracia na Rua

As esferas econômico e política da sociedade estão intimamente ligadas, logo, o governo é parte do sistema e não “exógeno”, como é convencionalmente apresentado em modelos de Economia de Mercado. Ele não pode aplicar qualquer política sem levar em consideração os outros tomadores de decisões – nem mesmo a política de maximização do bem-estar social –, pois mesmo neste caso ele pode entrar em conflito com poderosos grupos de interesse.

Como é possível implantar políticas econômicas em sistema deste tipo? Há alguma possibilidade de o conselheiro de política econômica, isto é, o economista, apresentar propostas que sejam seguidas?

Para responder a estas questões, Bruno Frey, em seu livro “Política Econômica Democrática: Uma Introdução Teórica”, afirma que é necessário conhecer a composição do sistema econômico-político e o seu grau de abertura.

  1. Em sistema totalmente fechado, não há relacionamento entre os elementos do sistema e o mundo exterior; o desenvolvimento tem um caráter completamente endógeno.
  2. Em sistema parcialmente aberto, há algumas relações exógenas, sendo possível influenciar o sistema de fora. Os sistemas político-econômicos se identificam com esses sistemas parcialmente abertos, pois os agentes neles envolvidos não dispõem de todas as informações. Na realidade, os tomadores de decisões econômicas são frequentemente mal informados.
  3. Os eleitores não podem saber, exatamente, nem querem ser obrigados a isso, até que ponto o governo é responsável pelo estado vigente da economia ou se outro partido na oposição teria feito um trabalho melhor. Eles são apenas parcialmente informados a respeito de:
    1. as possibilidades de fazer sentir suas preferências no processo eleitoral, e
    2. o grau em que estas preferências estão bem representadas por grupos de interesses específicos.
  4. O governo não sabe com certeza o quanto deve agir para sobreviver.
    1. Ele apenas sabe, grosseiramente, quais são os desejos dos eleitores e não sabe, exatamente, quantos eleitores podem ser mobilizados por qualquer grupo de interesse determinado.
    2. O governo e a burocracia estatal também não estão totalmente informados a respeito dos possíveis usos e consequências dos seus instrumentos de política econômica.
  5. Os grupos de interesse estão, praticamente, muito bem informados a respeito de sua própria esfera, mas não sabem, necessariamente, muita coisa a respeito de:
    1. o modo como as diferentes medidas de política econômica influenciarão seu setor,
    2. quais são os instrumentos que melhor atendem ao atingimento dos seus objetivos.

Portanto, os sistemas político-econômicos são parcialmente abertos às informações externas. O economista, na qualidade de conselheiro de política econômica, tem a oportunidade de influenciar o curso do sistema através do fornecimento de informações aos tomadores de decisões.

As decisões de política econômica dos vários agentes serão afetadas por informações recém obtidas. Os custos e os benefícios de suas ações serão avaliados a partir dessas novas informações, novas possibilidades de ações serão abertas e será mais fácil prever as reações e atividades futuras dos demais atores. A informação frequentemente afeta o comportamento dos tomadores de decisões de uma tal maneira que o sistema político-econômico como um todo se desenvolverá em uma direção diferente.

Em Economia Comportamental, o viés da disponibilidade (availability biases) é a heurística cognitiva na qual o tomador de decisões confia no conhecimento que está prontamente disponível em vez de examinar outras alternativas ou procedimentos. Estima a probabilidade de ocorrência de determinado evento baseando-se nas lembranças que dispõe a respeito das circunstâncias sob as quais aquele evento ocorreu no passado, sem julgamento de freqüência com que ocorre na realidade.

Quando as pessoas são solicitadas para avaliar a freqüência ou a probabilidade de um evento, fazem-no considerando a facilidade com que os exemplos ou as ocorrências podem ser trazidos à mente. Mas “a memória é curta”, isto é, não trata os acontecimentos antigos como os eventos mais recentes.

Quando se julga a probabilidade de determinado evento se repetir, as pessoas buscam em suas memórias a disponibilidade da informação relevante. Esse procedimento pode produzir estimativas enviesadas, porque nem todas as lembranças estão igualmente disponíveis. Os investidores utilizam a ocorrência recente de evento mais saliente para extrapolar sua continuidade ou mesmo seguem a tendência delineada no passado e não o novo cenário esboçado sobre o futuro.

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