Ações? Melhor não tê-las!

Balanço de Indicadores

Ações…  Ações?
Melhor não tê-las!
Mas se não as temos
Como sabê-lo?

Lendo e aprendendo…

Alessandra Bellotto (Valor, 18/07/13) argumenta que a história diz que o mercado acionário é um instrumento eficiente de preservação do valor real do patrimônio. O que não dá para afirmar, com base no passado, é que a aplicação em bolsa tem valido mais a pena que a renda fixa no Brasil – marcada por juros altos. É o que mostra estudo realizado pelo HSBC que compara o desempenho do Ibovespa, principal índice da bolsa, com a inflação oficial, medida pelo IPCA, e com o CDI, o juro interbancário usado como referência para aplicações de renda fixa, desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Para as comparações, foram usados intervalos de tempo mensais, trimestrais, semestrais, anuais, bienais, trienais e quinquenais em janelas móveis, ou seja, considerando aplicação em dias distintos, para obter um acompanhamento contínuo, já que os investidores não necessariamente entram nas aplicações a cada início de período.

A primeira grande constatação feita a partir do levantamento “é que faz sentido aplicar no Ibovespa para preservação de capital no longo prazo”. E isso é relevante como contra-argumento para o investidor que evita a renda variável para não perder dinheiro.

[No longo prazo, as pessoas precisam se preocupar em não ter perda real, i.é, perda do poder aquisitivo do que conseguiu acumular “a duras custas”, destaca o gestor que tem obrigação de “vender seu peixe”, referindo-se ao risco de a inflação corroer o patrimônio.]

De acordo com o estudo, em quaisquer intervalos de tempo, o desempenho do Ibovespa supera a inflação em mais de 50% das ocasiões. Houve período em que o principal índice da bolsa ficou abaixo do IPCA? Sim. Mas predomina a tendência contrária.

[Isso ocorreu em um período, o do Governo Lula, em que a Bovespa teve um raro longo boom…]

Quando se consideram janelas trimestrais, o Ibovespa bate a inflação em 57% das vezes. O mesmo percentual vale para as comparações anuais, segundo mostra o gráfico acima. Vale ressaltar que, quem entrou na bolsa há cerca de 12 meses, período em que o Ibovespa cai cerca de 12%, perde do CDI e da inflação.

[Tá vendo?! Não desperdice tempo tentando adivinhar o tempo certo de entrar e sair…]

Já em intervalos bienais, a bolsa supera o índice de preços em 59% das ocasiões. Em períodos de três anos, a vantagem do Ibovespa aumenta para 70% das vezes e, em cinco anos, para 79%. À medida que o investidor deixa os recursos aplicados por mais tempo, aumentam as chances de ele ter um retorno acima da inflação.

[Não necessariamente, pois ciclos de negócios irregulares e taxas de inflação voláteis influenciam…]

Estatísticas à parte, conceitualmente, os participantes de O Mercado costumam dizer que também faz sentido aplicar em bolsa como preservação de capital. Isso porque a inflação é dada por preço que, por sua vez, é refletido na receita das empresas. Segundo eles, em longos intervalos de tempo, a receita de uma companhia tende a crescer segundo a inflação, salvo se a empresa está enfrentando problemas e não tem condição de repassar custos maiores.

quando se compara o desempenho do Ibovespa com o CDI ao longo de 20 anos, a balança pende mais para o juro. De acordo com o estudo, em intervalos trimestrais, o Ibovespa ganha do indicador da renda fixa em 53% das ocasiões. Nas comparações semestrais, a bolsa só oferece retornos acima do CDI em 49% das vezes; em janelas anuais, a disputa fica empatada; em períodos de dois anos, o Ibovespa só ganha do CDI em 49% das vezes; em três anos, em 44%; e em cinco anos, em 46% das ocasiões.

[Então, os trabalhadores assalariados não devem se arriscar, pois não são especialistas que acompanham o dia-a-dia da Bolsa de Valores, perderão o dia certo de entrar e o de sair. É melhor também não perder o sono e, considerando o custo de oportunidade, aplicar logo em títulos de renda fixa pós-fixados… E estamos conversados!]

A comparação do Ibovespa com o CDI é inglória. É bobagem fazer ressalvas, argumentando que o CDI sofre influência grande da política monetária. É por isso mesmo que, em vários momentos ao longos dos últimos 20 anos, houve necessidade de choque monetário para conter inflação. Esses casos não se repetirão?! Será sempre muito difícil superar o CDI em economia estruturalmente instável. Sempre haverá alta de juros, para esfriar o consumo, o que impacta negativamente a atividade econômica e, consequentemente, os resultados das empresas. Não é a toa que a aplicação em bolsa é baixa relativamente à renda fixa no Brasil, país campeão do juro alto.

Você acredita que as perspectivas tendem a ficar mais favoráveis para a bolsa daqui para frente?! Ao separar os últimos 20 anos em dois momentos, o HSBC concluiu que os primeiros anos do Plano Real foram piores para o Ibovespa por conta de taxas de juros mais elevadas para conter a inflação. Na segunda metade, de 2003 para cá, com o juro médio menor do que no ciclo anterior, a disputa foi mais favorável para o Ibovespa, apesar da crise de 2008. Nos diversos intervalos de tempo, com exceção da comparação quinquenal, a bolsa supera o CDI na maior parte das ocasiões.

De 2003 para cá, levando em conta janelas trimestrais, o Ibovespa fica acima do CDI em 57% das vezes; nos semestres, o percentual cai para 52%; nas comparações anuais, a bolsa bate o CDI em 55% das vezes; a cada dois anos, o percentual é de 51%; e, em janelas de três anos, 53%. Nos intervalos de cinco anos, a bolsa só bate o CDI em 49% das vezes.

Apesar da vantagem do mercado de ações não ter sido tão grande nos últimos dez anos, o HSBC quer ainda argumentar que, “à medida que se consolidem no país juros mais civilizados, as perspectivas melhoram para a bolsa. Mesmo que haja períodos de aperto monetário, os juros tendem a ficar abaixo do pico registrado no ciclo anterior”. E juros menores tendem a propiciar a valorização da bolsa. “A formação de preço da ação leva em conta a expectativa de lucro, descontados o CDI e o prêmio pela incerteza. Assim, conceitualmente, quanto menor o juro maior a chance de as empresas superarem o juro e a inflação.”

O estudo mostrou ainda que, ao longo dos 227 meses, a bolsa subiu mais do que caiu. Foram 130 meses de alta e 97 de baixa. Se levadas em conta variações superiores a 5% para cima ou para baixo, o resultado é positivo: o Ibovespa teve alta superior a 5% em 81 meses e quedas acima de 5% em 42 meses. “Houve mais oportunidades de ganhar, assim como a chance de entrar em um mês de alta significativa foi maior do que pegar uma baixa forte”.

[Mas isso é passado! Passado não pode ser o guia para o futuro!]

Em relatório, os analistas de O Mercado chamam a atenção justamente para a mudança. “…o Brasil – tal como se conhecia – mudou completamente para seus investimentos. As formas com que, historicamente, você, seu pai e seu avô aplicavam dinheiro já não representam mais boas alternativas… Não tem mais jeito: se você quer aplicar bem suas economias trabalhadas e ganhar da inflação, terá de abandonar as aplicações consideradas tradicionais e incorrer num pouco de risco, com disciplina.”

Eles referem-se ao fim da era marcada por “juros estratosféricos” que beneficiavam aplicações atreladas ao CDI e de baixo risco. Segundo destacam, há pouco tempo era possível ganhar em torno de 20% ao ano, o que não favorecia a diversificação. Hoje, argumentam, o Brasil encontrou condições econômicas para acelerar a convergência dos juros a patamares menores, o que torna urgente a busca por fontes alternativas para proteger o patrimônio e elevar a renda.

No patamar de 8,0% aa ou menos, por exemplo, segundo os analistas, a Selic acaba com a atratividade das aplicações conservadoras, pois oferece ao investidor, em termos líquidos, remuneração aquém da inflação. Assim, é preciso destinar parte do capital a ações. “Não deve ser o único destino, mas precisa ser um dos destinos”, escrevem.

[Você acredita nisso?! O que é isso?! Trabalhadores não ganham dinheiro no mercado de capitais, quando muito, apenas no mercado de trabalho! Senão, seria capitalista e não trabalhador…]

O primeiro ponto a se combater, na visão deles, refere-se ao suposto caráter excessivamente arriscado das ações. [Ah, não é?!] “Achar que as ações são mais arriscadas simplesmente porque variam bastante é uma visão simplista e distorcida”, destacam. Basta ver como andam as aplicações mais conservadoras. A renda fixa pode não ser tão fixa, salvo se levada até o vencimento e não houver calote, argumentam. Além disso, há evidência histórica que sugere que as ações superam a renda fixa em longos intervalos de tempo.

[Qual? Mostrem. O ônus da prova é do acusador...]

É verdade também que, num cenário difícil como o atual nos contextos local e global, é preciso ter cautela e avaliar as oportunidades, já que boa parte dos especialistas acreditam que, se a bolsa brasileira não está cara, também não representa ainda uma barganha.

[Quando for, vocês comprarão antes, e depois nos avisarão, né?]

Poema Enjoadinho

Vinícius de Moraes


Filhos…  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!


O texto acima foi extraído do livro “Antologia Poética”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 195.

2 thoughts on “Ações? Melhor não tê-las!

  1. Dentro do Ibovespa tem um monte de porcaria. Daí acho errado comparar o Ibovespa e no final dizer que ações (genericamente) são um investimento ruim.
    Agora, gostaria que fosse feito um estudo mais ou menos assim: Monte uma carteira com entre 10 e 20 ações de empresas que, na data da montagem, tinham lucros consistentes e crescentes há mais de 5 anos e estão na bolsa há mais de 5 anos. Varie bem os setores (menos de 20% da carteira por setor). Ao final de cada ano, examine os balanços das empresas. Se uma empresa tiver prejuízo grande em 1 ano ou 2 anos de estagnação, tire ela da carteira. Verás que não tem erro! É ganho certo!

  2. Sem falar que durante o período em que se tem a carteira vc pode alugar as ações e fazer um troco.
    Aí vc computa na rentabilidade a valorização + dividendos + aluguel das ações… duvido que perca pra qualquer outra aplicação

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