FinDebate sobre Alterações na Metodologia do Ibovespa

Papel-moeda

Criado em 1968, o Ibovespa ainda é a mais importante referência do mercado acionário brasileiro, ao retratar o comportamento dos principais papéis negociados na BM&FBovespa. O índice corresponde ao valor de uma carteira teórica de ações, constituída inicialmente com valor-base de 100 pontos.

A bolsa se orgulha de manter a metodologia do índice intacta desde sua elaboração. O indicador apenas foi dividido por dez e por cem em alguns episódios, sem alteração no cálculo.

Para integrar o índice, num período dos 12 meses anteriores à formação da carteira teórica, as ações precisam estar incluídas em uma relação de papéis cujos índices de negociabilidade somados representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais; apresentar participação, em termos de volume, acima de 0,1% do total negociado na bolsa; e presença maior que 80% no total de pregões do período. Se não conseguir atender a pelo menos dois desses critérios, o papel deixa de integrar o Ibovespa.

Atualmente, a carteira do Ibovespa é composta por 71 ações de 65 empresas. As dez mais representativas do índice, lista na qual se inserem companhias como Vale, Petrobras, Itaú Unibanco e a própria OGX, respondem por nada menos que uma participação de 43%. O portfólio tem vigência de quatro meses.

A metodologia do Ibovespa, disponível no site da bolsa, também define os critérios de exclusão de ações do índice. Companhias sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou, ainda, que estiverem sujeitas a prolongado período de suspensão de negociação, não integrarão o Ibovespa. As regras determinam ainda que, caso uma empresa com ação no índice seja incorporada por outra cujos papéis não pertencem ao referencial, a situação será analisada caso a caso. Caberá à bolsa, a seu critério, excluir a ação do Ibovespa, redistribuindo a participação pelos demais papéis da carteira. Outra opção prevista na metodologia é substituir a ação da empresa incorporada pela da incorporadora.

Beatriz Cutait e Luciana Seabra (Valor, 22/07/13) informam que o Ibovespa está em xeque. As discussões sobre a urgência de alterações na metodologia do principal índice da bolsa brasileira voltaram aos holofotes. E a razão por trás dos debates é uma só: as empresas do grupo X, do empresário Eike Batista, especialmente OGX. O próximo rebalanceamento do portfólio do Ibovespa só entra em vigor em setembro, mas os debates já estão a pleno vapor.

Apesar de as cotações terem despencado nos últimos meses, para R$ 0,50 no dia 19/07/13, o volume de negociações das ações da OGX – a principal do grupo a compor o Ibovespa, com peso de 5,061% – disparou. Os papéis têm afetado a volatilidade do índice e, ainda que o valor de mercado da petroleira tenha caído para cerca de R$ 1,6 bilhão, suas ações tendem a aumentar a fatia na próxima carteira teórica, já que o Ibovespa leva em consideração a liquidez dos ativos. Quando entrou no portfólio, em 2010, OGX valia R$ 55,3 bilhões e tinha um peso de 0,868%.

Em relatório recente, a equipe de estratégia da Itaú Corretora destacou que o setor que mais deve ganhar peso com o rebalanceamento da carteira é o de energia, com aumento previsto de 2,7%, puxado pelo crescimento também do peso de OGX.

A BM&FBovespa nega a intenção de fazer alterações representativas na metodologia, porém um grupo de estudo no qual instituições financeiras se reúnem mensalmente, com destaque para gestoras de fundos passivos, leva o assunto a sério. A questão também é foco dos encontros bimestrais da Câmara Consultiva de Equities da bolsa.

A derrocada das ações das companhias X reacendeu a pressão de grandes participantes do mercado por um novo modelo de Ibovespa, diante do estrago feito por papéis bastante representativos no índice, mas com valor de mercado muito menos relevante que o de companhias de menor peso.

A proposta mais citada no mercado é de que o Ibovespa passe a incorporar um critério que alie liquidez e “free float” (total de ações em circulação) para inclusão e saída da carteira teórica. Além disso, por conta do aumento das negociações de papéis baratos, há um pleito pela rejeição das chamadas “penny stocks” (papéis que valem centavos) no índice. “Ou a empresa faz um grupamento de ações ou não faz mais sentido integrar o Ibovespa, dada a volatilidade que gera”, diz uma fonte a par das discussões.

Um participante do mercado afirma que operadores de alta frequência geram volumes muito altos de papéis especulativos, que acabam ganhando peso no índice. “Criam-se anomalias e o Ibovespa fica com ações de empresas que muitas vezes não representam a real situação da economia.”

Hoje, faltam papéis da OGX no mercado de aluguel e operadores já mostram preocupação com a falta de ações para compra no mercado à vista para os ajustes do próximo rebalanceamento da carteira. Uma mudança na metodologia afetaria principalmente as carteiras indexadas, que buscam replicar o Ibovespa e somam patrimônio de R$ 1,8 bilhão, e os fundos de índice (ETF), com R$ 1,3 bilhão. Há ainda os Ibovespa Ativo que, por terem como meta superar o desempenho do índice, precisam estar atentos ao portfólio. Neles, o patrimônio é de R$ 20,6 bilhões.

 

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