Sobre o Subjetivismo

OBs.: veja em tela cheia, legendada, a singular entrevista de Ayn Rand.

Subjetivismo é um tema filosófico que não admite outra realidade se não a realidade do ser pensante. Em ciências sociais, é o modo de pensar que enfatiza ou leva em conta exclusivamente os aspectos subjetivos (como intenção, ação, consciência, etc.) daquilo que é estudado ou daquele que estuda ou interpreta qualquer coisa.

O Subjetivismo é a doutrina filosófica que afirma que “a verdade é a mentira individual”. Cada sujeito teria a sua verdade. A ideia do sujeito é que projetaria o objeto. Portanto, insere-se na tradição idealista e afasta-se da materialista.

O contrário disso é adotar a postura de confiar menos no que parece evidente como essencial para tentar prever o futuro, ou seja, auto subverter as próprias ideias para tentar captar a verdade objetiva. É do objeto conhecido que a inteligência deduz a ideia. Para o Objetivismo, a verdade é a correspondência ou adequação entre a ideia do sujeito conhecedor e o objeto conhecido. A verdade objetiva, por isso, não é pessoal, nem subjetiva.

O Subjetivismo, por sua vez, atribui a fonte da verdade ao sujeito. Mas, se cada um tem a sua própria verdade, talvez seja impossível haver entendimento.

O problema da verdade não se encerra na questão de aceitar o entendimento individual dos fatos da vida, ou a forma como cada um vê e interpreta a vida. Existe sim uma verdade aparente, limitada às questões cotidianas, e outras possíveis funções práticas dos objetos, quando pode-se dar-lhes outros usos.

O problema reside quando a verdade deixa a existência prosaica e passa para as questões imateriais que demandam abstrações. O que é Deus? Como deveríamos viver? Se aceitar-se apenas a verdade objetiva, significa que é possível estabelecer conceitos universais em relação a todas as coisas. Eles devem ser aceitos por todas as pessoas, mas isso não é possível.

O que um cristão entende como Deus, não é o que vê e entende um mulçumano sobre este assunto, o que difere também da visão de um ateu. Entender a verdade como objetiva, possível de ser estabelecida em todos os planos, significa para o Subjetivismo uma tentativa de manipulação: querer que a totalidade veja e aceite a forma de ver e entender a vida de uma individualidade ou um de grupo.

Daí, partimos para nossa terceira e última reflexão filosófica dessa série de posts.

Leia os demais posts: Sobre o ObjetivismoSobre o Individualismo e o Liberalismo.

8 thoughts on “Sobre o Subjetivismo

  1. Em uma aula de teologia em 1983, com um padre como mestre, eis que o mesmo tem uma crise existencialista em sala, diante da galera. Aterrorizado na sua verdade momentânea, pergunta-se: “Quantos deuses seremos capazes de criar para nos permitirmos viver?”
    A aula terminou com algumas colegas em pranto e com uma licença médica para o docente. 🙂

    • Prezado Paulo,
      bom mestre esse… Honesto intelectualmente, deparou-se com um impasse e deduziu, racionalmente, que tinha de rever seus conceitos religiosos.
      Ainda bem que a Inquisição mudou seus métodos: em vez de queimar o herege, deu apenas uma licença médica…
      att.

  2. Fernando, se me permite, gostaria de saber qual a sua posição quanto ao tema do Subjetivismo. Eu assisti ao vídeo e li o post, porém, não enxerguei claramente a sua opinião no assunto, apenas detalhes sobre a filosofia e questões para reflexão.

    Obrigado!

    • Prezado Ranielli,
      originalmente, eu fui escrevendo o post de acordo com minhas indagações sobre os temas Objetivismo, Subjetivismo, Individualismo, Liberalismo. Fui fazendo as perguntas e pesquisava uma resposta na Wikipedia. Ao final, vi que o post ficaria muito grande e resolvi dividi-lo em três. Então, minha posição ficou implícita no final da série dos três posts:

      “Por Individualismo entende-se, não apenas a defesa radical do indivíduo, único real protagonista da vida ética e econômica contra o Estado e a sociedade, mas também a aversão à existência de toda e qualquer sociedade intermediária entre o indivíduo e o Estado. Em consequência, no mercado político, bem como no mercado econômico, o Homem deve agir sozinho. Porém, em contextos sócio-institucionais diferentes, correspondentes a diferentes formas de evolução política e de modernização, o Liberalismo enfatizou o caráter orgânico do Estado, último elemento sintético de uma série de associações particulares e naturais, fundamentadas no status quo. Em outras ocasiões, reivindicou a necessidade de associações livres (partidos, sindicatos, etc.), quer para estimular a participação política do cidadão, que o individualismo dos proprietários pretendia reduzir à esfera da vida particular, quer como proteção do indivíduo contra o Estado burocrático.”

      Escrevi um outro artigo onde explicitei minha posição quanto a essas “ideias de fora-do-lugar” ao colocar-me no meu lugar ideológico: a esquerda brasileira. Escrevi o seguinte:

      “A partir dessa definição filosófica do individualismo, quando a desagrega em seus componentes econômico e político, percebe-se distintas concepções por parte da esquerda norte-americana e da esquerda europeia-brasileira.
      • Esta critica o individualismo na teoria econômica liberal, tendência argumentativa que advoga a superioridade da liberdade individual na iniciativa econômica, em contraposição à ineficácia da ingerência estatal.
      • Porém, aceita o individualismo do pensamento político liberal norte-americano, perspectiva segundo a qual a liberdade individual deveria prevalecer sobre o autoritarismo estatal.
      • Ambas, a esquerda norte-americana e a europeia-brasileira, rejeitam o pensamento anarquista individualista, tendência intelectual que condena todas as formas organizadas de poder ou autoridade, por terminarem restringindo a soberania e a liberdade absoluta do indivíduo.
      A divergência se dá porque o liberalismo, doutrina cujas origens remontam ao pensamento de Locke (1632-1704), é baseada na defesa intransigente da liberdade individual, nos campos econômico, político, religioso e intelectual, contra ingerências excessivas e atitudes coercitivas do poder estatal. No entanto, a esquerda latino-americana contesta a aplicação das doutrinas do liberalismo clássico à economia, que se exprime por:
      1. preferência por mercados competitivos,
      2. livre jogo das forças econômicas no regime de livre concorrência,
      3. repulsa a qualquer forma de intervenção do Estado na vida econômica, e
      4. obediência ao princípio de que a lei da oferta e da procura é a única que deve influir sobre a produção, o consumo e o mecanismo dos preços.
      Por que? Porque para tirar o atraso histórico da região face ao capitalismo maduro como o dos Estados Unidos, que já se encontrava na era monopolista, o Estado desenvolvimentista teve (e tem) que intervir e regular a vida econômica com o objetivo de dar “salto de etapas” em busca da fronteira do conhecimento e de competitividade internacional.”

      att.

  3. saltos as custas de quem? você realmente acredita que o estado tem a competência tanto técnica quanto teórica pra lidar com isso? puxa… e eu achava que a ciência poderia apontar um caminho com menos desigualdade…

    • Prezado Ítalo,
      a pergunta-certa não é “salto de etapas às custas de quem”, mas sim “a favor de quem”. Eu responderia que o progresso social e econômico é a favor de toda a população, e apontaria o caso brasileiro como exemplo.
      Foi o país que mais cresceu em todo o século XX, exceto nas “duas décadas perdidas”, i.é, na era neoliberal, quando o Estado desenvolvimentista sofreu um desmanche.
      O desenvolvimentismo foi retomado. A economia brasileira já alcançou o sexto posto no ranking dos PIB nacionais e, na próxima década, se tornará a quinta maior economia do mundo. Não é só uma grande exportadora de commodities (e a maior exportadora mundial de alimentos), como também possui uma diversidade setorial que poucas economias possuem no mundo.
      Na área social, veja a evolução do IDH que passou para nível considerado alto. Portanto, é inegável que, na fase desenvolvimentista (1930-1980 e 2003-2013), houve desenvolvimento socioeconômico.
      Portanto, “salto de etapas” significa ter deixado de ser apenas um “fazendão produtor de café (ex-colônia escravista)” e ter se industrializado e urbanizado na fase monopolista do capitalismo mundial.
      att.

Deixe uma Resposta para Ítalo Souza Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s