Metodologia da Análise Econômica

Aula 1 – Metodologia de Análise Econômica

UnicampResumo: Embora seja um instrumento de intervenção na realidade, a política econômica não está isolada do resto do mundo, pois ela tem limites sociais e políticos. Portanto, não existe algo que possa ser considerado uma Teoria Econômica Pura da Política Econômica. Essa proposição fica clara se consideramos uma metodologia correta para enquadrá-la de acordo com o critério de níveis de abstração da Metodologia da Análise Econômica.

1. Ciência Abstrata ou Teoria Economia Pura

2. Ciência Aplicada ou Teoria Econômica e Teorias de Outras Ciências

3. Arte da Decisões Práticas ou Arte da Economia

No nível mais elevado de abstração, estão as teorias puras que revelam a consistência no uso dos instrumentos de política econômica. No nível intermediário, o analista deve reincorporar todos os conflitos de interesse antes abstraídos. No nível mais baixo de abstração, quando (e onde) há a necessidade de se contextualizar, ou seja, datar e localizar os eventos, que se capta os imperativos de dada conjuntura na prática da arte de tomadas de decisões práticas. Em outras palavras, a partir daqueles pré-requisitos teóricos, é  neste plano mais concreto que se demonstra a arte, a sensibilidade ou a habilidade no uso dos instrumentos de política econômica em curto prazo.

6 thoughts on “Metodologia da Análise Econômica

    • Prezado Reinaldo,
      grato pela redistribuição. Hoje, em fase intelectualmente mais madura, o que tem mais me despertado a curiosidade são estudos multifocais. São mais gerais, sistêmicos e interdisciplinares. O Cinema apresenta a visão do “espírito da época” ou do “sinal dos tempos” e inspira a pesquisa e o debate interdisciplinar. É um instrumento complementar.

      Estes estudos multidisciplinares constituem uma tentativa de resgatar a seminal Economia Política dos séculos XVIII e XIX, quando ainda não tinha sido “depurada” das outras Ciências Humanas afins (Política, Sociologia, Psicologia, Filosofia, etc.), para embarcar na tentativa de ganhar respeitabilidade científica apenas matematizando suas formulações. A linguagem matemática, um instrumento útil, acabou sendo totalitária e obscurecendo sua finalidade principal: a de interpretar e transformar a realidade, o modo de produção, o modo de vida, i.é, O Todo.

      No entanto, a heterodoxia continuou suas pesquisas setoriais sobre recortes da realidade. O problema é que mesmo os pesquisadores heterodoxos se especializaram demasiadamente, perdendo a visão sistêmica. Por exemplo, para interpretar a atual crise financeira, resultante de uma Economia de Bolhas, é necessário conhecimento além do sistema financeiro, strictu sensu, recorrendo às Finanças Comportamentais e/ou Psicologia Econômica para analisar “comportamentos de manada” ou “psicologia de massa”.

      Quanto à Economia Governamental, cujo link enviado está “quebrado”, o que posso dizer é que as Finanças Públicas, assim como as Finanças Domésticas, eram focados especialmente na citada “fase da Economia Política”. Antes, a Economia buscava ajudar os governos a tomarem decisões de gasto e arrecadação.
      abs.

      • Prezado Fernando,
        a sua observação é sintética e objetiva, procurando explicar o todo estudando suas partes constituintes. Também gosto dessa forma de pensar heterodoxa. Ah, o site cujo link poderia estar quebrado no momento é este aqui: http://www.brasil-economia-governo.org.br/ clicando em “Perguntas”, as pessoas podem submeter aos críticos do sistema, às suas dúvidas, achei interessante.

        Os estudos multidisciplinares indicam caminhos alternativos que recebem um melhor esboço com a atuação de determinada especialidade. Por exemplo: eu já fui programador de sistemas computacionais e vejo como as equações trabalham e se transformam em programas. O mesmo procedimento ocorre com os nossos neurônios; estou terminando de ler o livro “Muito além do nosso eu” de Miguel Nicolelis (também já li informações no seu blog em 2011), nosso principal cientista cognitivo que está na vanguarda dessa tecnologia. Essa interface cérebro máquina irá proporcionar aos deficientes físicos terem seus membros de volta com o auxílio de chips que simulam os desejos e intenções do cérebro ao transmitir a sensibilidade para mover determinado aparelho cibernético. São as equações matemáticas trabalhando dentro de algoritmos embarcados em chips que conseguem traduzir a intenção de um agrupamento de neurônios, quando se submetem e controlam determinado membro corporal ou (membro cibernético). Esse interfaceamento é o que proporciona a interação cérebro-máquina [cérebro físico-neurônios ativos-chip tradutor (indutor-receptor)].

        Gosto muito das equações e tenho estudado o comportamento delas nos espaços topológicos Riemannianos, que conseguem resolver os problemas das singularidades dos buracos negros e também conseguem fazer cirurgias nessas singularidades. Uma singularidade é um limite físico onde as leis da física perdem o sentido, mas a matemática conseguiu ir mais longe e já é possível (matematicamente falando), realizar a continuidade de uma singularidade para outra através da cirurgia nos espaços topológicos.

        Foi o matemático Grigori Perelman quem as estudou — vide informações aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grigori_Perelman

        É inacreditável que Perelman recusou o prêmio de um milhão de dólares pelo feito, ao resolver em 2010 um dos problemas mais difíceis do milênio. Eu não recusaria, isso é típico dos idealistas de carteirinha, já pensei assim, mas hoje o importante é a sobrevivência na selva do mercado…

        O interfaceamento proporciona coisas maravilhosas, por exemplo: podem-se ter todas as calculadoras físicas, simuladas dentro de nossos Smartphones – eu mesmo já baixei todas essas Rom Files (arquivos simuladores das calculadores), e posso rodá-los dentro do meu Smartphone Android, com o auxílio dos programas grátis da loja Google Play que rodam perfeitamente. Pode-se chamar um modelo de calculadora diferente conforme a necessidade de mais poder computacional oferecido por elas. Isso expande e potencializa o poder de cálculo da própria calculadora, pois na interface física, não há como aumentar a potência da calculadora, que roda dentro do chip nativo do dispositivo. Já na versão emulada (Rom), o processamento ocorre dentro do SOC Qualcomm: http://www.qualcomm.com.br/snapdragon/processors/800-600-400-200/specs que é milhares de vezes mais potente que o da calculadora original.

        Outro ponto interessante é que o interfaceamento é matemático-físico, e como tal, pode ser usado livremente para fazer tudo o que for possível. Exemplo: já clonei milhares de computadores e servidores, calculadoras, aparelhos de conectividade, etc. Podendo simular os dispositivos inteirinhos dentro de espaços virtualizados (em outros computadores ou smartphones), isso é muito divertido e traz um vislumbre de como será o nosso futuro cibernético.
        Abs.

      • Prezado Reinaldo,
        admiro seu vasto conhecimento de TI. Curiosamente, escolhi na véspera do vestibular estudar Economia simplesmente porque minha irmã me desestimulou a estudar Arquitetura, que era meu plano. Então, sugeriu-me como alternativa graduar-me em Ciências Econômicas e fazer a pós-graduação em “Análise de Sistemas”. Era como se denominava essa especialização em 1970.

        Logo, fiz curso de Programação de Computador IBM Assembler 360. Nas primeiras férias, fui fazer estágio no SPD da Reitoria da UFMG — e detestei ficar digitando/perfurando cartões que o maldito (e imenso) computador recusava de modo idiossincrático. Achei-o idiota. Desisti!

        “O mundo perdeu um ex-futuro gênio da TI — e ganhou mais um medíocre economista…” 🙂

        Eu, que era o melhor aluno de Física, Química e Matemática, no Curso Científico, nunca mais estudei tais coisas. Fiquei feliz estudando apenas Ciências Humanas.
        abraço

  1. Prezado Fernando,
    quem diria que você se aventurou em TI no passado e teve contato com um IBM funcionando com cartões perfurados, eu nunca vi um desses de perto somente em livros e revistas. Comecei a me interessar por TI há 21 anos, mas não gostei muito de cursos universitários, mesmo os considerando importantes. Estudei por conta própria e aprendi tudo sozinho, mas reconheço os méritos de todo os milhares de profissionais que fizeram carreira no mundo acadêmico. Hoje tenho minha própria empresa de consultoria e desenvolvimento de tecnologias cujo foco é adaptação de sistemas comerciais com o perfil das empresas, me especializei nas tecnologias do Google e executo a implantação do Google Apps Business para várias empresas por meio de contratos de implantação de sistemas.

    Em TI, as coisas avançam muito rápido e precisamos estar sempre alinhados com as novas tecnologias que surgem todos os dias, consigo acompanhar de perto essas mudanças e aproveito para levar às empresas contratantes o melhor desse mundo de conectividade.

    Considero os centros universitários lentos demais na aquisição e disseminação de tecnologias, como o próprio Heidegger já dizia “a tecnologia estará sempre à nossa frente e se não corrermos ficaremos para trás”. Vivemos o tempo todo nesse vácuo e o futuro nos atropela no presente e quando vamos dormir, no dia seguinte acordamos no passado. Como também gosto de Filosofia, procuro encontrar um nexo que valide e até mesmo refure a própria Filosofia. Atualmente estou me aperfeiçoando na lógica de Tarski e na filosofia de Popper.

    Também me sinto confortável trabalhando nessa área e não paro de aprender nunca, alias a aprendizagem é eterna, uma das razões da existência e da vida é a própria aprendizagem.

    A boa notícia é que hoje conseguimos levar conosco todo o nosso acervo na forma de livros, revistas, vídeos, áudio. Etc.

    Voltando aos assuntos sobre estudos, fiquei impressionado com a produção de Alfred Tarski – principalmente com as referências bibliográficas – ainda estou lendo as Primárias e Também as secundárias da Universidade de Oxford. Vide abaixo:

    Segue as Primárias: Tarski – Logics Semantics Mathematics 1956 http://www.multiupload.nl/X2TJGPVPZI
    Segue as Secundárias: Patterson – New.Essays.on.Tarski.and.Philosophy.Nov.2008 http://www.multiupload.nl/PHM79XQC67

    Há! E por falar em economia, estou lendo o seu livro Brasil dos Bancos, é uma leitura muito instrutiva e ao terminar farei vários comentários. A sua didática é excelente, estou aprendendo muito com seus trabalhos. Esse foi o melhor caminho que seguiu, é o mestre dos mestres com toda a certeza. Parabenizo-lhe hoje e sempre.
    Abs.

    • Prezado Reinaldo,
      agradeço sua gentis palavras.
      Sua carreira – e postura intelectual – é admirável!
      É um exemplo aos que desejam ampliar conhecimentos não só para si, mas para compartilhá-los com outros, gratuitamente. Estes sábios que tornam possível um mundo melhor.
      Acho também um caso exemplar este seu de somar os conhecimentos de TI com o acesso e usufruto às obras de Filosofia. Tenho ex-colegas que ficaram “bitolados” apenas em bits…
      Abraço

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