Estratégia do Social-Desenvolvimentismo

Aula 2 – Social-Desenvolvimentismo

UnicampResumo:

Os social-desenvolvimentistas enxergam o nacionalismo com uma ótica territorial de integração regional socioeconômica. Atualizam o intervencionismo de outrora com a concepção de coordenação reguladora. Apoiam a volta da política industrial à agenda nacional, distinguindo prioridades entre a Indústria de Transformação, dada sua necessidade de incentivos para superar o obsoletismo tecnológico e concorrer com a China, e a Indústria Extrativa, elevando sua capacidade de atender ao mercado chinês.  Concordam a respeito da importância estratégica de observar a ecologia, por exemplo, a preservação da biodiversidade da Amazônia como um potencial de desenvolvimento da indústria brasileira de fármacos.

Quanto à estratégia internacional, os social-desenvolvimentistas entendem que a política de internacionalização de empresas brasileiras não merece a crítica neoliberal de “política de seleção dos campeões nacionais”. Enxergam a formação do bloco regional, seja pelo Mercosul, seja pela Unasul, como fundamental tanto para a ampliação do “mercado interno”, quanto para a extensão das cadeias produtivas e de infraestrutura logística pela América do Sul. Os acordos comerciais bilaterais se impõem, agora, como uma alternativa capaz de abrir alguns mercados face ao protecionismo vigente mundialmente.

novo-desenvolvimentismo propõe sacrificar os salários reais dos trabalhadores, base de apoio político do atual governo, em nome de beneficiar os preços em dólares dos produtos dos industriais, base de apoio político do neoliberalismo. O social-desenvolvimentismo discorda dessa estratégia política e econômica. Prioriza o controle da inflação e o desenvolvimento sustentado pela ampliação do mercado interno, isto é, crescimento da renda real e do emprego com política social ativa. Isto quanto à prioridade em curto prazo: o combate à retomada da inflação.

Quanto ao modelo de desenvolvimento em longo prazo, os social-desenvolvimentistas acham ultrapassada a dicotomia desarollo hacia adentro versus desarollo hacia afuera. A participação percentual das exportações no PIB do Brasil gira em torno de 10% e do fluxo corrente de comércio (exportação + importação) em torno de 20% do PIB, ou seja, o saldo líquido desse comércio exterior está muito distante de dar dinamismo e sustentar o crescimento da economia brasileira a la modelo exportador asiático.

Por todas essas razões econômicas, sociais e políticas, os social-desenvolvimentistas colocam a inclusão social no mercado interno como a prioridade estratégica brasileira. Soma-se aos investimentos em infraestrutura, logística e extração de petróleo em águas profundas, para o País se tornar superavitário no balanço de transações correntes e o Fundo Social de Riqueza Soberana transferir seus rendimentos para Educação, Ciência e Tecnologia.

2 thoughts on “Estratégia do Social-Desenvolvimentismo

  1. Fernando,

    O Social-Desenvolvimentismo propõe algo do tipo investment-led direcionado ao mercado interno, de onde adviriam as externalidades positivas no que tange às contas externas, este é o raciocínio?

    Eu gostaria de saber também algo mais específico sobre a posição dos Social-Desenvolvimentistas em relação ao câmbio, uma vez que tem por objetivos o combate à inflação mas ao mesmo tempo o acicate à competitividade internacional da indústria de transformação. É razoável supor que há alguma hierarquia entre esses dois objetivos?

    • Prezado Vinícius,
      o SD enxerga complementariedade e não escolha excludente entre mercado interno e externo. No caso de demanda externa, o ciclo econômico mundial é determinante-chave, ou seja, a demanda determina a exportação efetiva. Evidentemente, a política comercial ativa com acordos bilaterais ou multilaterais conta, mas não determina o ciclo.
      Câmbio possui três determinantes: fundamentos macroeconômicos (paridade de juros, saldo de transações correntes, paridade entre poder de compra), forças de mercado e política cambial (regime cambial e controle da capital). Então, o Estado tateia na fixação da paridade entre juros internos e externos, considerando também a expectativa de câmbio e os outros determinantes.
      É possível o “equilíbrio estável de preços relativos”, determinando “equilíbrio geral em todos os mercados””?! Não creio… Tateia-se, mas não o obtém de maneira permanente.
      att.

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