Investimento Externo dos Fundos de Pensão Fechados

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Vale registrar aqui outra inovação financeira. Thais Folego e Luciana Seabra (Valor, 26/07/13) informam que grandes fundos de pensão, entre eles Previ e Fundação Cesp, concluíram a seleção de gestoras estrangeiras para confiar parte de seus recursos. As fundações aplicarão entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão em um fundo local, que por sua vez vai comprar cotas de fundos de ações no exterior geridos por J.P. Morgan, Franklin Templeton, Schroders e BlackRock.

Cada fundação está, neste momento, no processo de aprovação interna do investimento e, ao mesmo tempo, discutindo a estrutura do fundo local e elaborando o regulamento junto com a BB DTVM, que fará a administração dessa carteira localmente. A gestora do Banco do Brasil programa lançar até o fim de setembro de 2013 quatro fundos que investirão 100% dos recursos no exterior, um para cada uma das gestoras estrangeiras selecionadas. A ideia é que até o fim do ano tenha o ‘cheque’ assinado e a quantia aportada.

A má performance do Ibovespa e o patamar mais baixo da taxa de juros local são os dois principais catalisadores para o investimento externo. Os fundos de pensão receberam autorização para investir lá fora em 2009, mas até agora as iniciativas foram bastante tímidas.

No Chile, os fundos de pensão têm por volta de 40% dos ativos investidos no mercado externo, onde investem há mais de 15 anos. Com a contração dos juros no país nos últimos anos, não só os fundos de pensão, mas também a indústria de fundos de investimento e ‘family offices‘ estão buscando diversificar e diminuir a exposição ao risco Brasil.

Alguns dos entraves no Brasil para a aplicação no exterior são a exigência da legislação de que o investimento seja feito a partir de um fundo local e a limitação a 25% de participação de cada fundação nesse fundo. Com isso, é necessário que pelo menos quatro fundos de pensão com perfis de investimentos similares se reúnam para investir.

E foi o que cerca de 14 fundações fizeram. A partir de um workshop realizado com gestores de recursos em abril de 2013, os fundos de pensão definiram os padrões do investimento e selecionaram os gestores estrangeiros. Ficou estabelecido que o investimento será em fundos de ações que aplicam em grandes empresas, com gestão ativa, índice de referência MSCI Global e, no primeiro momento, a aplicação será feita sem hedge cambial.

No acumulado do ano até o dia 25/07/13, o MSCI Global tinha uma valorização de 13,4%, enquanto o Ibovespa perdia 26,9% em dólar. Se o índice fechar 2013 no negativo, este será o terceiro ano consecutivo de perdas em moeda americana do principal índice da bolsa brasileira.

Querem um portfólio que busque a diversificação. O Ibovespa é muito concentrado em commodities, empresas financeiras e petróleo. Para uma fundação de Previdência Privada Complementar como a Previ, que tem 60% dos recursos em renda variável, diversificou-se o que podia aqui e agora vai buscar lá fora.

Com um ciclo de desaquecimento econômico no Brasil e perspectivas não muito boas para as commodities, a aplicação em ações de setores que se beneficiem da recuperação global é uma boa alternativa para as fundações. O foco de gestão da casa está em empresas cujas estratégias englobam o crescimento do consumo nos países emergentes e nas mudanças climáticas e demográficas.

Maior fundo de pensão do país, a Previ teve a aplicação no exterior incluída em sua política de investimentos neste ano. Nela, está previsto o limite de aplicação de até R$ 340 milhões, correspondente a 0,3% do patrimônio do Plano 1 (o maior da fundação) e 1% do Plano Previ Futuro. Agora, a fundação vai submeter essa aplicação no fundo de ações à diretoria.

Na Fundação Cesp, que tem patrimônio de R$ 23 bilhões, o investimento precisa passar pela chancela de uma assembleia formada por representantes de participantes e patrocinadores. Ainda não aprovou o percentual de investimento, mas vai começar com pouco, no máximo 0,5% do patrimônio.

A Petros (dos funcionários da Petrobras) e a Funcef (da Caixa Econômica Federal) também devem aplicar nos fundos. Procuradas, as duas instituições não confirmaram a informação.

Das 14 fundações que participaram do workshop, 11 já manifestaram o desejo de investir nas carteiras que vão comprar cotas de fundos no exterior. No primeiro movimento de investimento no exterior, talvez seja próximo de R$ 1 bilhão.

Outros estimam uma primeira aplicação entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões, pois alguns fundos de pensão estão mais avançados que outros na aprovação do investimento. Vai ficar mais próximo da banda de baixo.

É importante que os fundos de pensão comecem com um investimento pequeno, para ir criando uma “curva” de aprendizado. O ideal é ir colocando aos poucos, fazendo um preço médio. Pois se começar com muito e o investimento não ‘performar’ bem no começo, vai deixar um sabor amargo para o participante, que nunca mais vai quer fazer de novo.

Uma das fundações que acompanharam o processo mas não fará o investimento agora é a Valia, dos funcionários da Vale. Ainda não tem a autorização do conselho para a aplicação, mas estamos estruturando uma área para tocar os investimentos no exterior. Ela planeja apresentar a proposta ao conselho este ano para que a aplicação esteja prevista na política de investimento de 2014.

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