Expectativa de Déficit Comercial

Balanço Comercial 1998-2013

Tatiana Freitas (FSP, 18/07/13) informa que a queda na produção de petróleo e o recuo dos preços de matérias-primas devem fazer o país ter o primeiro deficit desde 2000 no seu comércio com o resto do mundo. Os exportadores já preveem déficit de US$ 2 bilhões neste ano – o pior resultado em 15 anos. No fim de 2012, a AEB (que representa exportadores e importadores) previa saldo positivo de US$ 14,6 bilhões, o que já representava queda de 25% em relação a 2012, mas estava longe de um cenário catastrófico.

O balanço comercial acumula déficit de US$ 3 bilhões no primeiro semestre, o que fez analistas iniciar um ciclo de revisões nas suas estimativas. Primeiro, a Funcex (Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior) reduziu a projeção para o superavit de US$ 13 bilhões para US$ 4,5 bilhões. Depois, foi a vez de a AEB rever a estimativa e, diante da continuidade do deficit na primeira quinzena de julho, mais consultorias devem fazê-lo.

O principal motivo para a piora nos números é o balanço comercial de petróleo e derivados. A queda na produção reduzirá em 38% a receita com as exportações, enquanto o aumento no consumo elevará a importação de combustíveis em 9%, segundo a AEB. O aumento na importação de derivados do óleo também é explicado por um artifício contábil da Petrobras, que atrasou o registro de importações de 2012 para este ano. É possível ainda esperar superavit por melhor desempenho nas vendas de petróleo nos próximos meses, devido a uma recuperação na produção sinalizada pela Petrobras.

O menor preço das matérias-primas, principais produtos exportados, também explica a queda de 5% prevista para as exportações. Ainda não se vê retração na quantidade exportada. Mas isso não está descartado e, se ocorrer, provocará uma queda mais forte nos preços.

A principal preocupação é o minério de ferro (produto mais exportado pelo país) devido à desaceleração da China e ao elevado nível dos estoques globais de aço.

Já a alta na exportação de soja, que teve produção recorde, é apontada por Branco como o principal fator positivo, mas ela deixará de impactar a balança a partir de agosto, com o fim da safra.

O desempenho dos grãos não foi suficiente para salvar estragos em outras áreas. As commodities, que normalmente salvam o balanço comercial, não compensaram o cenário desastroso do petróleo. Com o preço das matérias-primas abaixo do previsto, ele reduzirá a previsão de superavit, hoje em US$ 9,5 bilhões.

Os industrializados também não devem compensar as commodities. Embora a queda do real torne esses itens mais competitivos, ela não será suficiente para compensar a demanda retraída nos principais importadores. A redução de 30% no superavit comercial da Argentina até maio de 2013 deve estimular restrições às importações no país.

2 thoughts on “Expectativa de Déficit Comercial

  1. É difícil classificar o que é pior no governo Dilma. A gestão macroeconômica ou microeconômica. A gestão da Petrobras no governo Dilma está se tornando um caso de livro texto de destruição de valor. E obviamente é um caso de gestão – quando você olha o resultado das empresas de oil no resto do mundo no mesmo período o resultado é completamente diferente.

    • Prezado Carlos Fernando,
      a comparação de empresas que foram mais ou menos bem-sucedidas é, em grau significativo, uma comparação entre empresas que tiveram mais ou menos sorte. Na presença da aleatoriedade, padrões regulares altamente consistentes são apenas miragens. Como a sorte desempenha um grande papel, a qualidade da liderança e das práticas de gerenciamento não pode ser inferida de modo confiável das observações temporárias de casos extremos, seja de sucesso, seja de fracasso, principalmente quando não se observa o período subsequente ao estudo. Decisões de investimento – no caso, em extração de petróleo em águas profundas – só darão resultados (dividendos recebíveis) em longo prazo, talvez em 2022.
      Então, racional e não emocionalmente, reconhecerão a visão de estadista da Dilma ao olhar além do seu mandato.
      att.

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