Regressão à Média

Dados

Regressão à Média refere-se a flutuações aleatórias na qualidade do desempenho. Um desempenho acima da média pode ser devido à sorte em uma tentativa particular, sendo provável que piore em nova tentativa. Quando o desempenho for singularmente ruim, há probabilidade de melhorar independentemente do que um instrutor fizer. Mas este tende a vincular uma interpretação causal às flutuações inevitáveis de um processo aleatório.

Um fato significativo da condição humana é que o feedback ao qual a vida nos expõe é perverso. Como tendemos a ser bons com os outros quando nos agradam e ruins quando não o fazem, somos estatisticamente punidos por sermos bons e estatisticamente recompensados por sermos ruins. A sorte muitas vezes contribui para o sucesso.

O fato de que você observa regressão quando prediz um evento anterior a partir de um evento posterior deve convencê-lo de que a regressão não possui uma explicação causal. Os Efeitos da Regressão são ubíquos, ou seja, estão ou existem ao mesmo tempo em toda parte, são onipresentes. Desse modo, induzem a erro as histórias causais feitas para explicá-los. Superconfiança e pressão para atender as altas expectativas são, em geral, oferecidos como explicações. Mas há uma explicação mais simples para o declínio de desempenho: antes contou com um pequeno empurrão da sorte – e a sorte é volúvel.

Mudança de desempenho de uma hora para outra não necessita de uma explicação causal. É uma consequência matemática inevitável para o fato de que a sorte desempenhou um papel no resultado anterior. Uma história não muito satisfatória, já que todos preferimos um relato causal, mas isso é tudo que há quando se detecta uma regressão à média. Não se deve inventar uma história causal para a qual não há evidência alguma.

Seja não detectado, seja explicado erradamente, o fenômeno da regressão é estranho para a mente humana. Foi descoberto somente em 1886 por Francis Galton, primo de Charles Darwin, e publicado em artigo sob o título Regressão à Mediocridade na Estatura Hereditária.  Curioso título, pois “mediocridade” possui duplo sentido. Em sentido pejorativo, significa insuficiência de qualidade, valor, mérito ou pobreza, banalidade, pequenez. Mas também refere-se à justa medida, moderação.

Efeitos de Regressão podem ser encontrados para onde quer que olhemos, mas não os reconhecemos pelo que são: regularidade estatística comum. Correlação e regressão não são dois conceitos – são perspectivas diferentes do mesmo conceito. A regra geral é inequívoca, mas apresenta consequências surpreendentes: sempre que a correlação entre duas pontuações é imperfeita, haverá regressão à média.

Por exemplo, se a correlação entre a inteligência de cônjuges é menos do que perfeita – e se homens e mulheres em média não diferem em inteligência –, então é uma inevitabilidade matemática que mulheres altamente inteligentes serão casadas com maridos que são em média menos inteligentes do que elas são – e vice-versa, é claro. A regressão à média observada não pode ser mais interessante ou mais explicável do que a correlação imperfeita.

O principal motivo para a dificuldade de explicação de Regressão à Média é um tema recorrente do livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar: nossa mente é fortemente propensa a explicações causais e não lida bem com “meras estatísticas”. Quando nossa atenção é exigida por algum evento, a memória associativa procura sua causa – mais precisamente, a ativação vai se propagar automaticamente para qualquer causa que já esteja armazenada na memória. Explicações causais serão evocadas quando a regressão é detectada, mas estarão erradas, pois a verdade é que a regressão à média possui uma explicação, mas não possui uma causa.

No mundo real, O Mercado paga muito bem a algumas pessoas para fornecer explicações interessantes dos efeitos da regressão. Um consultor de empresas que anuncia, corretamente, que “os negócios foram melhores este ano porque foram mal no ano passado”, muito provavelmente, está com os dias contados…

Sem instrução especial, relacionamento entre correlação (interdependência de duas ou mais variáveis) e regressão (dependência funcional entre duas ou mais variáveis aleatórias) permanece obscuro. O Sistema 2 acha difícil compreender e aprender. Isto se deve em parte à demanda insistente por interpretações causais, que é uma característica do Sistema 1.

Interpretações causais incorretas dos Efeitos de Regressão não estão restritos aos leitores dos jornais. Pesquisadores eminentes cometem o mesmo engano, confundindo mera correlação com causação. Efeitos de Regressão são uma fonte comum de dificuldade em pesquisa. Cientistas experientes desenvolvem um medo saudável da armadilha da inferência causal injustificada.

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