Aborto e Política de Saúde Pública

Aborto no MundoAborto no Mundo - Legenda

Meus alunos Olívia Polli, Mariana Correa e Thiago Tonus, dentro do curso Métodos de Análise Econômica, apresentaram as posições em debate a respeito da complexa questão do Aborto, muito explorada eleitoralmente, sobre a qual assistimos um documentário como motivação para discutirmos a Política de Saúde Pública, em especial o Programa Mais Médicos. Leia a apresentação: Aborto e Política de Saúde Pública.

Vale salientar que muitos economistas incultos, especialmente os formados no exterior, onde aprendem tão somente a teoria econômica ortodoxa e modelos econométricos, se surpreendem com estudantes de Economia estarem completando sua formação assistindo documentários brasileiros e debatendo problemas socioeconômicos nacionais. Para os adeptos da Tese Monoeconômica, a Economia está integrada apenas por teorias de validez universal e só há uma Ciência Econômica, a inspirada e criada em países de capitalismo avançado. Os PhDs não necessitariam de baixar o nível de abstração (e arrogância) quando fossem aplicar seu pretenso saber universal à realidade de países atrasados

No entanto, em geral, não sabem se posicionar a respeito, p.ex., desse debate público sobre tema relevante no Brasil: a morte de mulheres ao não terem assistência médica quando abortam. A visão religiosa “pró-vida” crê que a vida começa na concepção, quando o óvulo é fertilizado, formando já um ser humano pleno, e não apenas um ser em potencial. Na visão filosófica “pró-escolha”, a capacidade de sobreviver fora do útero materno é que faz do feto um ser social com direito de cidadania, ou seja, sob proteção da sociedade. Em todas as fases, a mulher necessita de apoio da Saúde Pública.

O aprendizado de debater temas controversos é fundamental para o futuro economista enquanto cientista social. Nessa experiência educacional, os estudantes aprendem a ter empatia com as pessoas mostradas em documentários, respeitar posições contrárias e contra-argumentar. Ficam mais humildes, tendo noção do que ainda não conhecem…

4 thoughts on “Aborto e Política de Saúde Pública

  1. Você tem razão. Os economistas incultos com PhD fora nunca trataram de temas como o aborto ou a escolha de fertilidade. O Gary Becker nunca escreveu o Treatise on the Family sobre fertilidade e decisões de famíliaou ganhou um prêmio Nobel por isso. John Donohue III e Steven Levitt não publicaram “The Impact of legalized abortion on crime” no QJE. O Joshua Angrist e o William Evans nunca escreveram o “Schooling and Labor Market Consequences of the 1970 State Abortion Reforms,” National Bureau of Economic Research. Claudia Goldin e Lawrence Katz nunca escreveram o “The Power of the Pill: Oral Contraceptives, a Women’s Career and Marriage Decisions”. Ou então nunca foram esses ortodoxos com PhD que iniciaram o estudo sistemático desses temas.
    Efetivamente só os socialmente preocupados economistas heterodoxos é que se preocupam e se posicionam sobre estes temas …

    • Prezado Silvio,
      seu analfabetismo digital é um problema, sou solidário contigo, tente reler o texto calmamente, sem parti pris, e não cometa a estupidez da sua generalização.
      Quando escrevo muitos, não escrevo todos. Quando cobro interesse em problemas brasileiros, evidentemente, não estou cobrando de intelectuais estrangeiros, mas sim daqueles brasileiros que acham que se enobrecem através de citações de obras alheias – e que basta isso.
      Outro caso de psicanálise é sua raiva contra “heterodoxos”. O que é isso?! Intolerância com a diferença?
      att.

  2. Caro Fernando

    Não tenha todo esse ódio no seu coração.
    Só acho que da forma como escrito fica implícito que somente os heterodoxos se preocupam com esses temas. E de forma mais geral é um hábito dos heterodoxos e dos economistas de esquerda acharem que tem o monopólio sobre temas de economia social e bem estar.
    É sempre bom lembrar que programas de transferência condicional de renda, como o bolsa família, foram uma criação ortodoxa e antes da sua implementação eram bastante combatidos pela esquerda. Só lembrar que os principais economistas que tratam desse tema no Brasil são o Ricardo Paes de Barros (PhD por Chicago), assessor especial da Presidência, e o Marcelo Neri (PhD por Princeton) presidente do Ipea. Embora seja justo lembrar que o Rodolfo Hoffman da Esalq/Unicamp tem alguns trabalhos interessantes sobre pobreza e desigualdade no Brasil.

    • Prezado Sílvio,
      não tenho menor problema em reconhecer o mérito de outras instituições, pesquisadores ou economistas com outras linhas de análise. Pensar diferente não significa ser estúpido.
      Os adjetivos como “principais”, ou rankings, isto é, a preocupação em classificar, catalogar, comparar, competir, etc., não ajuda em debate substantivo. Na maior parte das vezes, apenas comete injustiças, pois só aponta aqueles que você conhece ou que pensam igual a ti, provocando, como você disse, “ódio no coração”…
      att.

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