Terapia da Realidade e Teoria da Escolha

Rich X Poor

William Glasser (1925 – ) rejeitou publicamente a psiquiatria convencional e o uso de medicamentos, argumentando que a maioria dos problemas mentais e psicológicos vivenciados pelas pessoas está dentro de um espectro de uma experiência humana saudável e pode ser melhorado mediante mudanças comportamentais. Sua ideias tem como objetivo a conquista da felicidade e autorrealização por meio de escolhas pessoais, responsabilidade e transformação.

Glasser desenvolveu a Terapia da Realidade, um tratamento cognitivo-comportamental que objetivava solucionar problemas estimulando os clientes a descobrir o que realmente queriam naquele momento. Avaliariam, então, se o comportamento que haviam adotado os aproximava ou distanciava de seus objetivos.

Ele concluiu, após décadas de experiência com essa Terapia da Realidade, que toda a sua abordagem baseava-se na ideia de levar as pessoas a identificar o que queriam fazer para se sentir realizadas, o que o fez desenvolver a Teoria da Escolha. De acordo com ela, agimos de modo a aumentar o prazer e diminuir a dor – queremos pensar e nos comportar do jeito que nos faça sentir melhor.

Todo o prazer e a dor deriva de esforços para satisfazer cinco necessidades geneticamente codificadas:

  1. Sobrevivência,
  2. Amor e pertencimento,
  3. Poder,
  4. Liberdade, e
  5. Diversão.

Qualquer comportamento que satisfaça uma dessas necessidades é prazeroso, e qualquer comportamento que não alcança esse objetivo causa sofrimento. Basicamente, apenas por meio de relacionamentos humanos podemos satisfazer essas necessidades.

  1. Quando lutamos para sobreviver, a ajuda de outros nos faz bem.
  2. Para sentir amor e pertencimento, precisamos ter ao menos um bom relacionamento.
  3. Para sentir um mínimo de poder, precisamos que alguém ouça o que dizemos.
  4. Para nos sentir livres, precisamos nos desvincular do controle dos outros.
  5. Embora possamos nos divertir sozinhos, é muito mais fácil nos divertir com outras pessoas.

Por todos esses motivos, concluiu Glasser, “somos, por natureza, seres sociais”.

Distúrbios psicológicos duradouros são geralmente causados por problemas em nossos relacionamentos pessoais – e não são “sinais de anomalias bioquímicas no cérebro”. O sofrimento pode ser remediado se reparamos esses relacionamentos interpessoais sem recorrer a drogas psiquiátricas.

Glasser citou a necessidade humana básica de Poder, a qual procuramos satisfazer tentando controlar outras pessoas. A única coisa que realmente podemos controlar é o nosso comportamento e pensamento; não podemos controlar os outros. Tentar fazer isso é falta de respeito pelos outros e causa infelicidade.

A Teoria da Escolha é uma psicologia de autocontrole que visa combater essa tendência e nos ajudar a ser felizes em nossos relacionamentos.

Em 1791, Jeremy Bentham tinha formulado sua Teoria do Utilitarismo, cuja meta é “a maior felicidade do maior número de pessoas”. Em sua Teoria da Economia Política (1871), o economista britânico William Jevons mostrou que a utilidade pode ser medida por correlação com a quantidade disponível do produto. A procura é inversamente relacionada ao preço: ela aumenta, quando o preço cai. Isso significa que o consumidor só comprará mais de um bem se o preço cair, porque cada unidade a mais consumida dará menos prazer que a anterior.

Aristóteles foi a primeira pessoa a observar que uma coisa útil, se oferecida em grande quantidade, perderia essa utilidade. A ideia de que, quanto mais se consome de um produto, menor é o aumento da satisfação que se tem, é cultuada na teoria econômica como a Lei da Utilidade Marginal Decrescente. Marginal refere-se a mudanças no limite. Utilidade é “o prazer ou a dor” da decisão de consumir.

Em próximo post, examinaremos o relacionamento entre o Princípio da Utilidade,  o Empirismo e o Psicologismo.

2 thoughts on “Terapia da Realidade e Teoria da Escolha

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