Internauta + Idiota = Interniota

Arena de Debates

O interniota é aquele frustrado que não tem consciência do mal que faz a si e aos outros ao se aproveitar do recurso do anonimato para navegar na Web 2.0 injuriando as ideias alheias. Com sua agressividade acaba por desestimular uma plataforma social de discussão que poderia ser civilizada e educativa.

Ler o jornal Folha de S.Paulo era um hábito diário, desde que sou assinante no início do anos 80. No entanto, a cada dia o desprazer tornou-se maior com os colunistas direitistas desta “grande” imprensa brasileira. Agora, tem um antipetista todos os dias (Ferreira Gullar, Elio Gaspari, Luis Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Aécio Neves, etc.) para ofender agressivamente a todos aqueles que têm ideias discordantes das deles, entre os quais eu me incluo.

A ombudswoman, Suzana Singer, parece ser a única que mantém certa lucidez, alertando aos Editores, Redação e leitores desavisados para o que está acontecendo: o jornal está, gradativamente, perdendo o respeito de seus antigos leitores de esquerda ao disseminar ódios e agressões verbais da direita. Sua imagem está se tornando similar à da revista direitista Veja, tipo “veja-mas-não-leia-jogue-no-lixo”.

Como a direita toma conta da imprensa e métodos de violência fascista tomam conta das ruas, estádios e vizinhanças, cabe tomar alguma atitude defensiva dentro do alcance de cada pessoa que se preocupa com a violência que está ocorrendo no que deveria ser um debate público civilizado. Coerente com a denominação deste modesto blog – Cidadania & Cultura -, resolvi que não darei mais “palanque”, por modesto que seja, às vociferações de direita nos Comentários do meu blog. As ideias da direita já tem o mais amplo espaço na mídia. Só postarei e responderei os Comentários que seguirem regras de civilidade. Comentários sem cortesia, simplesmente, jogarei no Lixo.

Vale lembrar, pois esses termos andam esquecidos (ou não são conhecidos) por muitos interniotas:

vociferação = impropério, insulto lançado a alguém [pessoa, partido, corrente de pensamento, etc.].

civilidade = conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, cortesia, polidez.

cortesia = civilidade, educação no trato com outrem; amabilidade, polidez.

Leia a coluna — Arena de Debates — da Suzana Singer (FSP, 27/10/13) abaixo, destacadamente seu final: “a Folha estará apenas fazendo barulho e importando a selvageria que impera no ambiente conflagrado da internet.” Eu (FNC) não quero cooperar para agravar este ambiente.

“Ao trazer novos colunistas, o jornal não pode reproduzir a polarização estéril que reina na internet

Na semana em que o assunto foram os simpáticos beagles, a Folha anunciou a contratação de um rottweiler. O feroz Reinaldo Azevedo estreou disparando contra os que protestam nas ruas, contra PT/PSDB/PSOL, o Facebook, o ministro Luiz Fux e sobrou ainda para os defensores dos animais.

A coluna publicada anteontem não destoa do que Reinaldo vem defendendo em seu blog no site da “Veja” nos últimos sete anos. “Eu sou mesmo um reacionário à moda antiga”, escreveu o jornalista na quarta-feira, emendando que é “humanista e cristão”, contra o aborto e contra a pena de morte. Dá para deduzir o que ele pensa dos governos Lula e Dilma pelo título do seu livro “O País dos Petralhas”, uma corruptela de petistas e irmãos Metralha.

Sua volta à Folha, onde já havia trabalhado como editor-adjunto de política, suscitou reações fortes. O leitorado mais progressista viu a chegada do colunista como o coroamento de uma “guinada conservadora” do jornal. “Trata-se de uma pessoa que dissemina o ódio e não contribui com opiniões construtivas”, escreveu a socióloga Mariana Souza, 35.

Poucos se manifestaram a favor de Reinaldo, mas isso não significa que não exista uma parcela considerável que esteja comemorando a sua vinda, já que ao ombudsman costumam recorrer os insatisfeitos. Ana Lúcia Konarzewski, 61, funcionária aposentada do IBGE, afirma que vai voltar a assinar o jornal por causa do novo colunista. “Não aguentava mais tanta gente defendendo o governo”, disse.

A contratação de Reinaldo é coerente com o “saco de gatos” da Folha, que dá abrigo à ambientalista Marina Silva e à defensora do agronegócio Kátia Abreu, a dois filósofos tão díspares quanto Luiz Felipe Pondé e Vladimir Safatle, à contundente Barbara Gancia e ao delicado Antonio Prata.

Os novos nomes -além de Reinaldo, escreverão, no caderno “Poder”, o geógrafo Demétrio Magnoli e o jornalista Ricardo Melo- vão engrossar o já extenso plantel de colunistas do jornal. São hoje 102, provavelmente um recorde mundial.

Não dá para fazer um censo ideológico de tanta gente. Do novo trio, Demétrio é também crítico entusiasmado do PT. Em sua estreia ontem, negou a tarja de direita e acusou os “lulo-petistas” de serem “conservadores, corporativistas e racialistas”. Ricardo Melo, que foi um dirigente estudantil trotskista, deve fazer o contrapeso à esquerda.

A Secretaria de Redação diz que “o jornal não pensa em colunistas em termos de esquerda e direita, mas no que eles têm de original para dizer aos leitores e como podem reforçar o pluralismo da Folha“.

No atual momento da mídia, em que boa parte do noticiário está de graça na internet e no qual falta dinheiro para expandir as equipes de reportagem, aumentar o espaço destinado à opinião tem sido uma forma de tentar diferenciar-se.

Com o movimento da semana passada, a Folha almeja tornar-se a principal arena de debate político em 2014, ano de campanha eleitoral. Para que o leitor seja de fato beneficiado por isso, será preciso garantir um bom nível de “conversa”, à altura do que escrevem Janio de Freitas e Elio Gaspari, colunistas do mesmo espaço.

No impresso, espera-se mais argumento e menos estridência. Mais substância, menos espuma. Do contrário, Folha estará apenas fazendo barulho e importando a selvageria que impera no ambiente conflagrado da internet.

2 thoughts on “Internauta + Idiota = Interniota

  1. Prezado Fernando,
    o seu posicionamento é coerente com a lamentável realidade dos nossos jornais, principalmente a Folha e Veja, estão jogando lenha na fogueira e não vejo discussões que sejam imparciais, até parece que estão puxando a farinha para o saco dos patrocinadores, isso não torna os internautas mais cultos.
    Estou lendo mais os Blogues como o seu e de vários colegas e colaboradores que ativamente pesquisam e coletam bons conteúdos dentro da própria internet.
    Sou partidário de ideias progressistas e dentro de um contexto de desenvolvimento em todos os sentidos. O meu maior prazer é disseminar o conhecimento. Grande abraço.

    • Prezado Reinaldo,
      felizmente, você entendeu meu posicionamento.

      Infelizmente, outros não entenderam e continuam com a ladainha do “discurso competente”, tipo só quem tem autoridade para falar é o simpatizante do mercado livre (ou da Teoria das Vantagens Comparativas), cuja profissão de fé é o credo ortodoxo em Economia. Daí tratam de desqualificar os oponentes, ridicularizando todas as suas ideias. Por que? Porque elas não são publicadas nos jornais e revistas deles! Porque não são ganhadoras de Prêmio Nobel! Enfim, porque a ortodoxia dá conta de tudo e a heterodoxia deverá ser exterminada!

      A ortodoxia e a direita usam esses métodos agressivos para desqualificar a heterodoxia e a esquerda, como fossem frutos de inferioridade mental e não contrapontos intelectuais e políticos.

      Não conseguem ter empatia: capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende. Em psicologia, é um processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro.

      No relacionamento interpessoal, mesmo na web onde aparentemente há a “impessoalidade” homem-máquina, deve se adotar a forma cognição do “eu social” mediante três aptidões:
      1. para se ver do ponto de vista de outrem,
      2. para ver os outros do ponto de vista de outrem, ou
      3. para ver os outros do ponto de vista deles mesmos.

      Quando comecei este modesto blog, há quase 4 anos, fui advertido por amigo para “não me tornar escravo dele”. Retruquei que “só continuaria fazendo postagens caso tivesse prazer com isso”. Quando leio alguns comentários agressivos – felizmente, de uma minoria geralmente composta de economistas arrogantes tipo “sabe-tudo” e “donos-da-verdade”, mas incultos e mal-educados -, pergunto-me: será que não estou perdendo meu tempo com isso? Não necessito (e não quero) ficar trocando impropérios com a direita.

      Como você bem disse: “o meu maior prazer é disseminar o conhecimento”. Se alguém discordar do que conheço, que seja em termos educados, não aceitarei que me desqualifique…
      Abraço

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