Estudantes de Economia necessitam aprender mais do que Teoria Neoclássica

Durham University library economics and politics books

Meu promissor ex-aluno, Roberto Borghi, atualmente completando seu doutoramento em Cambridge – Inglaterra, enviou-me, via Facebook, duas dicas de artigos publicados ontem pelo jornal The Guardian, pois deduziu, corretamente, que eles me interessariam. Completou: “A economia precisa olhar (ou ser olhada) para além do mainstream…” Traduzi o primeiro e postei o segundo em inglês mesmo. Leiam abaixo.

Economics students need to be taught more than neoclassical theory

University syllabuses for economics are stuck on an outdated model. There are other schools of thought worth learning about

Zach Ward-Perkins and Joe Earle

The Guardian.com, Monday 28 October 2013 08.00 GMT

Será que as pessoas leigas acham a maneira como os estudantes de economia são educados uma questão política importante? Provavelmente não, mas a forma como estudantes de Economia são educados tem implicações muito mais amplas para a sociedade do que é comumente imaginado.

Anualmente, milhares de formandos em Economia obtém empregos no mercado financeiro, thinktanks e dentro do próprio governo. A Economia é assunto altamente técnico e muitas vezes expresso via Matemática. Isso eleva os economistas a uma posição de especialização a partir da qual medeiam a análise econômica para o público britânico. Eles são os guardiões de nossa economia, responsáveis ​​pela sua manutenção, e desempenham um papel importante na formação de narrativas políticas em torno da economia. No entanto, as universidades britânicas estão produzindo graduados em Economia que não são adequados para essa finalidade.

A crise financeira representa o fracasso final deste sistema de ensino e da disciplina acadêmica como um todo. A educação de Economia é dominada pela Economia Neoclássica, que tenta compreender a economia por meio de modelagem de agentes individuais. As empresas, os consumidores e os políticos enfrentam escolhas claras em condições de escassez, e devem alocar esses seus recursos escassos a fim de satisfazer as suas preferências. Diferentes agentes se encontram através de um mercado, onde as fórmulas matemáticas, que caracterizam os seus comportamentos, interagem para produzir um “equilíbrio”. A teoria enfatiza a necessidade de micro-fundamentos, que é um termo técnico para basear o seu modelo de toda a economia na extrapolação do comportamento individual.

Os economistas que usam esta teoria econômica convencional não conseguiram prever a crise, falhando de forma espetacular. Até mesmo a rainha da Inglaterra cobrou dos professores da LSE: “por que ninguém a viu chegando?!” Agora, cinco anos depois de um resgate bancário que custou centenas de bilhões de dólares, com o desemprego chegando a 2,7 milhões de desocupados e havendo brutal queda dos salários, mesmo assim os currículos de Economia permanecem inalterados!

The Post-Crash Economics Society é um grupo de estudantes de Economia criado na Universidade de Manchester. Eles acreditam que a teoria econômica neoclássica já não deve ter o monopólio dentro dos nossos cursos de Economia. Associações do mesmo tipo em Cambridge, UCL e LSE têm sido fundadas para destacar questões semelhantes – e esperamos que isso vai se espalhar para outras universidades também. No momento, um estudante graduando, pós-graduando, ou até mesmo um economista profissional, todos poderiam facilmente passar por toda a sua carreira sem saber nada de substancial sobre outras escolas de pensamento como a Marxista, a Evolucionista, a Economia Pós-keynesiana, Austríaca, Institucionalistas, o saber dos economistas ecológicos ou feministas. Tais escolas de pensamento são simplesmente consideradas inferiores ou irrelevantes para o desenvolvimento da verdadeira “Ciência” Econômica.

“Somos ensinados a memorizar e regurgitar as teorias econômicas neoclássicas e seus modelos. Nossos tutoriais consistem simplesmente em copiar problemas alheios à realidade e a discussão crítica é inexistente. Estudamos nossas Ementas de Disciplinas e descobrimos que apenas 11 foram exceções dos 48 que sequer mencionaram as palavras ‘crítica’, ‘avaliar’ ou ‘comparar‘ em suas guias de curso. Dezoito dos 50 dos nossos módulos possuem 50% ou mais de suas notas atribuídas por exame de múltipla escolha e em nove deles é mais do que 90%. Isto, combinado com o fato de que os alunos de Economia não têm a opção de fazer uma dissertação ou monografia, significa que muitos aceitam a única Economia ensinada como verdade absoluta, ao invés de teoria contestada.”

Quando levantam-se estas questões com os professores de Economia, muitos deles argumentam que “a economia ortodoxa é dominante porque é academicamente superior”. O manifesto continua: “No nosso primeiro evento, o nosso velho chefe do Departamento de Economia sugeriu que muitas dessas outras escolas de pensamento foram refutadas da mesma forma que o medicamento com tabaco não foi aceito como uma prescrição médica a mais”…

Manchester costumava ter um dos mais pluralistas Departamentos de Economia do país. Isso se refletiu em um programa de graduação mais ampla, com disciplina como a de Sistemas Econômicos Comparados disponível para os alunos. Um dos principais guias orientadores para os Departamentos de Economia passarem por “limpeza étnica”, como um professor de Manchester disse, foi o Research Excellence Framework [espécie de Qualis], que passou a ser o critério pelo qual o governo aloca fundos para pesquisa e bolsas em universidades. A cada quatro anos, um grupo de acadêmicos dá graus em um ranking de Revistas de Economia de 4 a 0 estrelas em função da suposta “qualidade acadêmica”. O problema é que não há nenhum economista reconhecidamente do não-mainstream neste comitê e a classificação é feita “a portas fechadas” com apenas os resultados institucionais publicados. Devido a isso, as revistas mais ranqueadas são todas neoclássicas e, consequentemente, as universidades devem contratar acadêmicos que subscrevem esta escola de pensamento para ter chance de receber bolsas de estudos para seus alunos.

Apesar deste domínio intelectual, os poucos que previram a crise financeira foram os economistas de origens não-tradicionais. Isso mostra claramente que as linhas de pensamento alternativas têm muito a contribuir para as disciplinas de Economia. A Economia Neoclássica é o mainstream; assim é vital para a os alunos de Economia para compreendê-lo [e criticá-lo], e há razões para ele ter se mostrado tão atraente para tantas grandes mentes. Embora nas últimas décadas , muitas vezes, tem sido usada para defender o livre mercado, ele pode ser usado para argumentar a favor de uma economia socialista, e na verdade o foi em 1930. Por isso, não necessariamente devemos nos restringir a um único ponto de vista político. No entanto, o pensamento dominante não compreende a totalidade da economia – e nem deve tentar… Não se trata de ideologia o que está se falando, é sobre a melhoria da educação em Economia!

Propomos que a teoria neoclássica deva ser ensinada em paralelo e em conjunto com uma ampla variedade de outras escolas de pensamento, de forma consistente, ao longo do curso de graduação. Desta forma, a disciplina será aberta à discussão e avaliação crítica. Como as diferentes escolas bem explicam fenômenos macroeconômicos? Quais os pressupostos que devemos adotar na construção de nossos modelos? Devemos acreditar que os mercados são inerentemente autorregulados ou não? Outra escola de pensamento explica melhor a realidade? Quando os economistas forem ensinados a pensar assim, de forma pluralista, toda a sociedade vai se beneficiar mais do saber mais amplo dos economistas – e se antecipará quando a próxima crise se aproximar. Pluralismo crítico abre amplas possibilidades à imaginação criadora.

O atual estado de coisas não é suficientemente bom. Nossos colegas nos dizem que eles ficam embaraçados quando suas famílias e os amigos pedem-lhes para explicar as causas da crise atual e eles não conseguem! A um dos nossos professores foi dito que “ele deveria seguir a agenda de pesquisa dominante ou então se transferir para a Escola de Negócios [Administração de Empresas] ou o Departamento de Política”! A outro foi dito que “se ele ficasse no Departamento, seria ‘deixado para murchar na videira’”. Esta situação reflete-se nos Departamentos de Economia em todo o país – é um problema nacional. A Economia acadêmica pode (e deve) ser melhor do que isso, e é por isso que estamos clamando por mudança!

Mainstream economics is in denial: the world has changed

Despite the crash, the high priests of economics refuse to look at the big picture – and continue to prop up world elites

Large bust of Karl Marx in former east Berlin, Germany

Karl Marx: time he went back on the syllabus? Photograph: Alamy

Rebellions aren’t meant to kick off in lecture theatres – but I saw one last Thursday night. It was small and well-read and it minded its Ps & Qs, and I think I shall remember it for some time.

We’d gathered at Downing College, Cambridge, to discuss the economic crisis, although the quotidian misery of that topic seemed a world away from the honeyed quads and endowment plush of this place.

Equally incongruous were the speakers. The Cambridge economist Victoria Bateman looked as if saturated fat wouldn’t melt in her mouth, yet demolished her colleagues. They’d been stupidly cocky before the crash – remember the 2003 boast from Nobel prizewinner Robert Lucas that the “central problem of depression-prevention has been solved”? – and had learned no lessons since. Yet they remained the seers of choice for prime ministers and presidents. She ended: “If you want to hang anyone for the crisis, hang me – and my fellow economists.”

What followed was angry agreement. On the night before the latest growth figures, no one in this 100-strong hall used the word “recovery” unless it was to be sarcastic. Instead, audience members – middle-aged, smartly dressed and doubtless sizably mortgaged – took it in turn to attack bankers, politicians and, yes, economists. They’d created the mess everyone else was paying for, yet they’d suffered no retribution.

In one of the world’s elite institutions, the elites were taking a pasting – from accountants, entrepreneurs and academics. They knew what they were on about, too. Given his turn on the mic, one biologist said: “I’ll believe economists have reformed when the men behind Black and Scholes [the theory that helps traders value financial derivatives] have been stripped of their Nobel prizes.”

One of the central facts of post-crash Britain is that the elites still hold power, but no longer command the credibility to wield it. You see that when Russell Brand talks on Newsnight about the corrupt lilliputian world of Westminster, and the various YouTube clips total more than 3m views. And I certainly saw it in Cambridge.

Like all the other plebs in Britain – whether on minimum wage, or a five-figure salary – the people in that lecture theatre had been told for decades to trust the politicians, policymakers and employers to provide the jobs, the houses and pensions, and the prospects for their kids. In the wake of the biggest economic rupture since the 1930s, they’re evidently no longer so willing to extend that trust.

But at the same time, the elites – whether in Whitehall or the City – remain in charge. Looking at mainstream economists gives us as good an idea as any as to how reform has been warded off.

As Bateman points out, by rights these PhD-armed boosters of The Great Moderation should have been widely discredited after the crash. After all, the most significant thing to emerge from academic economics in the past five years has not been any piece of research, but the superb documentary Inside Job, in which film-maker Charles Ferguson showed how some of the best minds at American universities had been paid by Big Finance to produce research helping Big Finance.

Yet look around at most of the major economics degree courses and neoclassical economics – that theory that treats humans as walking calculators, all-knowing and always out for themselves, and markets as inevitably returning to stability – remains in charge. Why? In a word: denial. The high priests of economics refuse to recognise the world has changed.

In his new book, Never Let a Serious Crisis Go to Waste, the US economist Philip Mirowski recounts how a colleague at his university was asked by students in spring 2009 to talk about the crisis. The world was apparently collapsing around them, and what better forum to discuss this in than a macroeconomics class. The response? “The students were curtly informed that it wasn’t on the syllabus, and there was nothing about it in the assigned textbook, and the instructor therefore did not wish to diverge from the set lesson plan. And he didn’t.”

Something similar is going on at Manchester University, where as my colleague Phillip Inman reported last week, economics undergraduates are petitioning their tutors for a syllabus that acknowledges there are other ways to view the world than as a series of algebraic problem sets. I was puzzled by this: did that mean Smith, Marx and Malthus weren’t taught? Yes, I was told, by final-year undergraduate Cahal Moran: in development studies. What about Joseph Schumpeter and his theory of creative destruction? Oh, he gets a mention – but literally only a mention.

This isn’t all the tutors’ fault: when you have to lecture to 400 students at once, it’s hard to find time and space to go off-piste. But the result is that economics students come out of exam halls and go off to government departments or the City with exactly the same toolkit that just five years ago produced a massive crash.

Economics ought to be a magpie discipline, taking in philosophy, history and politics. But heterodox approaches have long since been banished from most faculties, claims Tony Lawson. In the 1970s, when he started teaching at Cambridge, the economics faculty still boasted legends such as Nicky Kaldor and Joan Robinson. “There were big debates, and students would study politics, the history of economic thought.” And now? “Nothing. No debates, no politics or history of economic thought and the courses are nearly all maths.”

How do elites remain in charge? If the tale of the economists is any guide, by clearing out the opposition and then blocking their ears to reality. The result is the one we’re all paying for.

55 thoughts on “Estudantes de Economia necessitam aprender mais do que Teoria Neoclássica

  1. Prezado Fernando,

    Vou colocar “pimenta no molho”, muito além da teoria econômica neoclássica, é o Ocidente em ‘State of Denial’.

    Como diria Jack “Stripper”, “vamos por partes”, pois a crise de valores ocidentais são muitas, digamos desde 1776, A Riqueza das Nações, pois Adam Smith olhava a China e o oriente.

    Creio que o Ocidente ainda não digeriu a pergunta Henry Kisssinger no início dos anos 70:
    Henry Kissinger perguntou ao Primeiro ministro Chinês, Zhou Enlai, o que ele pensava (perspectiva histórica) sobre a revolução francesa.
    Resposta: “É ainda muito cedo para dizer” (‘it was too early to tell’).

    O grande problema do ensino na academia, desde a Revolução Industrial, particularmente no Brasil:
    Teoria (academia): perguntas e respostas
    Prática (Mundo real): problemas e soluções.
    Sds,

    • Prezado Oswaldo,
      engraçado que eu conhecia essa resposta sobre o efeito da Revolução Francesa – “ainda é cedo para dizer” – como típica de um economista, em uma piada corporativa. Não sabia que era de Chou En Lai. Talvez o chinês fosse economista… 🙂
      sds.

  2. Prezado Fernando,
    é claramente visível que a grande crise mundial de 2008 pegou todos os economistas de calças curtas. Isso se deve exatamente ao que o nosso colaborador acabou de dizer “um lapso de credibilidade”; confiaram demais nas fórmulas e teorias e até parece que essas fórmulas ficaram apenas no papel, quando deveriam estar amalgamadas em suas mentes.
    O drama que todos os estudantes de economia vivem é ter que trilhar caminhos totalmente divergentes que extrapolam a formação instrumental.
    A maioria dos formados e até mesmo, especialistas, querem rapidamente conquistar um lugar ao sol, mas esquecem das turbulências atmosféricas. Os resultados precisam aparecer de alguma maneira, algo que justifique o investimento desses profissionais, tanto para eles quanto para os seus empregadores. E ao perceberem que a vaca está indo para o brejo, rapidamente fazem outro curso de extensão e assumem outras funções que muitas vezes nada tem a ver com a formação original.
    E falando de questões de múltiplas escolhas, elas deveriam ser abolidas de todos os cursos e provas, pois incentivam a não aprendizagem da matéria, fazendo os alunos decorarem as questões sem que saibam mais a fundo os temas abordados.
    Outro lapso que pega quase todo mundo de surpresa é uma questão que até parece brincadeira, mas que na prática causa o maior equívoco.
    Alguns exemplos:
    Tentar achar o gato no meio do entulho? Primeiro procura-se na mente e não no entulho!
    Tentar achar um número perdido no meio de muitos outros? O número não está lá, ele sempre estará no cérebro primeiro!
    Diante desses equívocos podemos notar que a melhor resolução de um problema é a revisão de sua abordagem. Isso precisa ser aplicado na própria economia. Abs.

    • Prezado Reinaldo,
      bem colocado, Reinaldo, bem colocado!
      Estou de acordo com tudo que você ponderou. Observo apenas que nossa mente também nos prega peças, principalmente no tocante ao pensamento rápido e intuitivo. A memória é curta.
      Por isso, temos de treinar o autocontrole e pensar devagar…
      abs

  3. Fernando,
    Gostaria de acrescentar, sobre a propalada revolução francesa e os direitos universais do ser humano, em artigo de 1998, Amartya Sen, diz que no século III e IV do calendário ocidental, os filósofos indianos já haviam escritos sobre o tema, pensado sobre os conceitos e valores universais do homem, ou seja, é outro assunto que os ocidentais eurocêntricos não gostam de comentar, pois abala as estruturas, os conceitos e o modelo de mundo criado nos últimos séculos pelo eurocentrismo.
    É esse modelo de mundo eurocêntrico dos últimos séculos, que não se sustenta, essa é a crise, não econômica, mas crise de valores filosóficos, morais e éticos do modelo ocidental, da civilização ocidental, com a civilização oriental.
    E quem teve essa visualização, quem vislumbrou esse cenário no fim do século XX, como sabemos, chama-se Celso Furtado.
    Assim como entra aqui a visão da civilização do terceiro milênio, a “Perspectivismo Ameríndio” dos trópicos, com Oswald de Andrade, Darcy Ribeiro, Eduardo Viveiros de Castro, etc…

    Democracia (1998) – Robert Darnton e Olivier Duhamel
    http://books.google.com.br/books?id=XEssnEhf69IC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

    Celso Furtado e o Ocidente em ‘State of Denial’
    http://engenhonetwork.wordpress.com/2013/10/03/celso-furtado-e-o-ocidente-em-state-of-denial/
    Sds,

  4. Caro Fernando,
    Gostaria de comentar sobre algo que considero uma gafe e que você vive falando.
    Economia ortodoxa engloba muita coisa. É tudo que é aceito pelo mainstream.
    Economia comportamental é mainstream, ortodoxa, matemática, todos os adjetivos os quais a unicamp é contra. A economia comportamental foi concebia pelo Irving Fisher, um dos “papas ortodoxos”, um nobel que infelizmente não viveu para receber seu premio. O mesmo da equação de Fisher, ele concebeu a idéia de “money illusion”, a idéia de que os agentes muitas vezes não se importam com o lado real da economia, ou seja, ignoram a inflação nas suas decisões.
    A economia comportamental não é só ortodoxa, como é moda no mainstream. Pesquisadores “estrelas” como David Laibson, Peter Diamond(nobel), Robert Shiller(nobel) e os “psicoeconomistas” Amos Tversky e Daniel Kahneman(nobel) são dessa área.
    Há uma linha do mainstream que é a maior junto com a economia Neoclássica chicageana, que é o Neo Keynesianismo. A diferença dos dois é que no Neo Keynesianismo admite-se a presença do estado como uma ferramenta que corrige falhas de mercado(e apenas isso) e irracionalidade dos agentes.
    E sim, os ortodoxos previram a crise. Notadamente Robert Shiller e Nouriel Roubini, ambos Neo Keynesianos, “matemáticos”, ortodoxos e formados pelo MIT. O Shiller desconfiou de uma bolha olhando séries temporais, um das ferramentas favoritas do mainstream, e foi por causa de um artigo desenvolvido todo em torno de séries temporais que ele ganou o Nobel.
    Tenho que falar “matemáticos” entre aspas porque a economia moderna é formalizada com matemática. Economistas matemáticos são economistas que usam ferramentas de matemática abstrata e tentar relaciona-las a economia, como o Araujo, Mas Colell e Scheinkman, só de usar matemática(todos usam) não faz do pesquisador um “matemático”.

    • Prezado Daniel,
      1. defendo o meu direito humano de cometer gafes, principalmente, em meu blog!

      2. economia ortodoxa = mainstream = verdade?!

      3. economia comportamental = mainstream = ortodoxa = matemática X Unicamp?!

      4. Irving Fisher = economista comportamentalista “avant la lettre” = f( ilusão monetária )?!

      5. mainstream = pensamento dominante => “tudo que há sob o sol”?!

      6. todos ganhadores do Nobel de Economia = mainstream = caso contrário, não ganhariam…

      7. ortodoxos = clarividentes = oniscientes = divinos?!

      8. por que culpar a pobre Matemática dos equívocos dos economistas?!

      9. ortodoxia X heterodoxia = Fla X Flu = maniqueismo sectário?!

      10. você acredita neste modelo de vida profissional?!

      Poupe-me! Não pretendo debater com economistas que pensam de acordo com esse modelo, porque é pura perda de tempo!

      Gosto de estudar Economia de maneira interdisciplinar, tentando diminuir minha ignorância em outras áreas de conhecimento.

      Compartilho minhas (poucas) ideias neste modesto blog com quem as aprecia.

      Surpreendentemente, para um desconhecido “heterodoxo”, sem espaço na mídia, esse compartilhamento tem bastante audiência, não?

      Quem não as apreciar, que vá ler blogs dos seus “geniais” colegas ortodoxos — e não me encha o saco!

      att.

  5. E o contrário ? Que estudantes de escolas heterodoxas aprendessem de fato a teoria econômica padrão?
    Muitos comentários que você faz, como esses de caos, agentes heterogêneos, bounded rationality, noise trading, etc, são parte da teoria econômica moderna (ortodoxa, como queira chamar), e são basicamente desconhecidos pelos heterodoxos.
    Não seria melhor para a discussão?

    • Prezado Flávio,
      estou de acordo contigo. Sempre defendi – veja meu livro publicado em 1999 – uma abordagem pluralista é necessária para o conhecimento de todos os economistas. Porém, não tenho dúvidas que os ortodoxos menosprezam mais o conhecimento alheio… Basta ver esta tradicional reação como se detivessem o monopólio do saber. Tudo que escrevo, deduzindo da minha reflexão, logo tem uma “patrulha-ideológica” falando que um fulano estrangeiro, que não li, já escreveu antes. E daí? Todo o mundo com um mínimo de conhecimento e inteligência pode deduzir racionalizações similares, não?

      Há muito guardo uma reflexão comigo: aprecio a cultura da Economia Política como visão interdisciplinar, deprecio a maioria dos economistas “puros e incultos”!
      att.

      PS: quanto ao conteúdo do artigo do The Guardian, ele não defende o fim do estudo da teoria neoclássica, o que seria uma estupidez, porém, parece que por lá não se encontra mais heterodoxos… O processo de seleção artificial os exterminou!

  6. Caro Fernando

    Não sei discutir se a seleção foi natural ou artificial. O que acho que aconteceu é que a ortodoxia incorporou os temas que eram antes heterodoxos – como agentes com racionalidade limitada, falhas de mercado, política industrial (industria nascente) e até mesmo importância de cultura e história e path dependence e muitos outros temas. O que ainda divide não é uma questão de temas, mas de métodos, com a ortodoxia favorecendo formalização e testes estatísticos.
    Mas não acho que a heterodoxia tenha sido exterminada na Inglaterra. Manchester é uma basicamente escola heterodoxa, Cambridge ainda tem economistas heterodoxos, e mesmo em alguns departamento da LSE ainda prosperam abordagens não ortodoxas.
    O problema de ter uma formação dual -heterodoxa e ortodoxa é que devido ao nível de competição atual (não sei se a qualidade é alta, mas a quantidade de economistas tentando publicar é enorme) sem se especializar em uma das áreas a chance de sobrevivência acadêmica é baixa.

    • Caro Fernando,
      Eu concordo plenamente com o o artigo e sua posição em relação ao problema. Mas primeiro eu gostaria de adereçar alguns dos comentários acima:

      Daniel: Sim, o neo keynesianismo com seus super stars Clarida e Gertler (entre outros famosos) contribuíram muito para o desenvolvimento da teoria econômica, e sim os Neo-Keynesianos previram a crise, mas essa não é bem a discussão aqui, não é mesmo? Ninguém disse que Matemática não é uma ferramenta importante e deveria ser desprezada, a questão aqui é que a formação acadêmica na Europa é extremamente “conservadora” e tende a desvalorizar outros aspectos importantes na educação de um bom pesquisador.

      Flávio C: eu não acredito que uma formação dual-heterodoxa ortodoxa seja em si ruim, o que é ruim é má reputação que os heteroxos desfrutam no meio acadêmico aqui na Europa.

      Bom eu tanto estudei economia na Alemanha (Freie Universität Berlin) como trabalhei durante 5 anos como assistente de uma professora (heterodoxa) aqui na minha universidade, e concordo 100% com o artigo e o post do blog. Eu decidi estudar economia justamente pela habilidade que essa disciplina tem para incorporar tanto aspectos sociais como também ciências exatas. Infelizmente a realidade é bem diferente, eu só tive a oportunidade de conhecer a economia heterodoxia quando estava quase formada, e mesmo assim, somente porque estava me formando pelo sistema antigo (o Diplom), e por isso tive mais liberdade na escolha dos cursos que atendi. Interação interdisciplinar, então? Pode esquecer!

      • Prezada Fabiana,
        agradeço os sensatos comentários.

        Eu só lembraria que a ortodoxia necessita da heterodoxia para sua transformação em uma nova ortodoxia. Exterminar os heterodoxos seria o equivalente a “dar um tiro no próprio pé”!

        PPC progressivo é o termo técnico da metodologia de Lakatos para um PPC (Programa de Pesquisa Científico) cujas formulações sucessivas explicam todos os fatos que falsearam previsões de um PPC rival. Além disso, faz a previsão de fatos novos.

        PPC em degeneração ocorre quando, sem confirmação de previsões, o núcleo rígido se mantém somente com emendas. São adotadas hipóteses ad hoc (adicionais) para explicar “causas perturbadoras”. Revela sinais de fraquejar, na medida que se mantém sem revisão das premissas ou hard core.

        Desde a pesquisa para defesa de minha Tese de Livre-docência, em 1994, estudando a teoria monetária desde o início do século XIX, adotei a convicção que sempre existiu um pensamento econômico alternativo ao dominante.

        Ai, ai, ai, já já um ortodoxo furibundo fará mais um comentário afirmando que a “revolução keynesiana” também pertence a sua hoste… 🙂

        att.

      • Fabiana,
        A minha crítica ao artigo faz parte da discussão sim, porque segundo o artigo, a economia mainstream está sendo criticada por que os ortodoxos não previram a crise.
        Por mais que eu ache a justificativa meio boba, é fato que vários Neo Keynesianos, como os que eu e você citamos falavam da possibilidade de uma bolha, ou seja, previram a crise. Logo a crítica é infundada.
        E mesmo que nenhum ortodoxo tivesse previsto a crise, ainda acho o motivo da crítica bobo. Quer dizer, pra ser bom economista tem que prever crise?
        O fundo do Scholes e do Merton faliu por causa da crise dos tigres asiáticos, mas por isso o modelo Black-Scholes deve ser descartado? Porque ele não funciona em um caso muito extremo?

      • Caro Daniel,
        No momento nós economistas somos persona non grata em qualquer lugar, sendo o economista heterodoxo “roxo” ou ortodoxo de paixão, principalmente por profissionais de outras áreas. Eu me lembro de um dos cursos que visitei em 2007 onde um dos meus professores introduziu o termo Global Inbalances (não estou falando do caso especifico da bolha do setor imobiliário mas sim de um modo geral) e como parte da preparação tivemos que ler vários artigos e papers, tanto com conteúdo alternativo como também literatura mais conservadora. O assunto vinha sendo discutido em âmbito acadêmico há algum tempo.Eu prefiro não me posicionar nesse caso, porque agora todo mundo tem alguma coisa para dizer em relação a isso, os culpados sempre serão os outros. Essas rixas fazem parte da vida no meio acadêmico e o cidadão ou aceita ou morre cedo.

        Além do mais, desde de quando os políticos e tomadores de decisão escutam tudo o que os economistas tem a dizer?! Na maioria dos casos, o bendito só escuta o que quer. Pergunte a qualquer profissional que trabalhe no Departamento de Pesquisas Economicas em qualquer banco ou instituição financeira se eles acreditam que os relatórios que eles escrevem são levados em consideração. Mesmo assim, eu concordo com o Fernando, quando ele diz que muitos economistas se distanciam tanto da realidade, que acabam perdendo a objetividade e, dependendo da pergunta, isso pode ser tanto bom como ruim. É tudo uma questão de perspectiva. Mas tudo isso é irrelevante, já que estamos contemplando um problema totalmente diferente.

        Na minha opinião o autor do artigo redigiu o mesmo de maneira provocativa, justamente, para induzir os leitores á discussão e isso, que como se poder ver por aqui, aconteceu. Eu não vou ficar defendendo a posição de fulano ou ciclano por que isso não “edifica”. O que me interessa é que os economistas por aqui estão sendo mal preparados. Para mim o objetivo do post do Fernando Nogueira foi tematizar o problema na formação dos profissionais dessa área. O resto é secundário.
        Abs
        Fabiana

        .

  7. Eu não entendo você querendo que os ortodoxos “xispem” daqui.
    O legal de discutir é discutir com quem tem uma opinião diferente da sua. No mainstream só existe discussão entre Neo Keynesianismo X Neoclassicismo, Harvard e MIT X Chicago e Minnesota.
    Entre Neo Keynesianos só existe conversa, entre Neoclassicos idem. Só dá pra discutir mesmo com os heterodoxos. Porque mesmo na “briga” do mainstream as opiniões, principalmente metodológicas são muito parecidas. É matemátcia e estatística pros dois lados.
    Legal de discutir com heterodoxo é a diferença metodológica que eles aplicam na análise.Vocês são mais cultos do que nós no sentido de ler filosofia, sociologia e etc, admito que não entendi o termo em francês que você escreveu. Mas a grande briga que a gente(ortodoxos) tem com a “cultura” de vocês é basicamente: Ser tão culto é relevante pra analisar economia?
    Não é melhor simplesmente aprender a formalizar as idéias com matemática e deixar Kant, Dostoiévski, Marx e outros autores demasiadamente eruditos para os sociólogos e filósofos e focar no que é realmente importante? Que é economia?

    • Prezado Daniel,
      o que eu não quero é discussão agressiva, em que um não respeita o outro.

      Tenho comigo que a escolha de pensamento econômico muitas vezes é questão de oportunidade – o ambiente sentimental e/ou institucional no qual o sujeito desenvolveu seus estudos – e não de racionalidade, ou seja, uma escolha consciente baseada apenas em critérios objetivos. Jamais se pode reduzir a uma questão de inteligência!

      Mas o que entendo como o conhecimento de Economia, que é do meu interesse cultural, é justamente essa que você se refere como não necessária, sob um ponto de vista pragmático, isto é, voltado para o mercado de trabalho.

      Fora a experiência no mercado de trabalho acadêmico, onde diariamente constato a importância da cultura geral, na minhas outras experiências profissionais – 8 anos no IBGE (RJ), 4,5 anos como VP da Caixa e como Diretor da FEBRABAN, trabalhando em negócios e dando palestras por todo o Brasil, vi como essa formação cultural é muito mais importante do que a restrita à especialização em Economia. Com ela, eu tinha uma visão estratégica, necessária para dirigente de alta administração, e consegui relacionar-me com o Presidente da República, Ministros, presidentes de Bancos Centrais e outros banqueiros, inclusive estrangeiros, embaixadores, fora os demais executivos e políticos em geral, inclusive Governadores e Prefeitos.

      Vi que é uma besteira típica do mundinho acadêmico essa “guerrinha de posições entre ortodoxos e heterodoxos”. No governo e no mundo dos negócios, quando você encontrar um economista com quem consiga manter um diálogo com jargão profissional, agradeça a sorte! Economistas constituem uma pequena minoria — e ficam improdutivamente brigando entre si!

      Outro dia escutei uma hipótese para refletir: “curso para formar só economistas é uma espécie em extinção”. Por que? Por causa de sua irrelevância social? Por causa de sua baixa demanda fora dos centros de excelência?

      Se esta hipótese for verdadeira, o ensino de Economia se dará através como “disciplinas de serviço”, em outros cursos, ou seja, como uma sabedoria necessária, porém insuficiente. Economistas serão especialistas, formados em pós-graduação, dotados de uma visão interdisciplinar e com maior flexibilidade para atuar em diferentes atividades e com pessoas diversas de si próprio.
      att.

  8. Desculpe a intromissão na discussão uma vez que não tenho “carga” intelectual suficiente, no momento, para debater.
    Frente as disputas entre as escolas e doutrinas econômicas, uma essência mantem-se constante, pelo menos ao meu ver, em quase todas: a busca incessante pelo que consideram riqueza.
    Me pergunto, qual a finalidade dessa busca? Aumentar o falso bem-estar sugerido pelo sistema? Possibilitar equidade de possibilidades este falso bem-estar?
    Uma busca que despende grande quantidade de energia inutilmente, contrariando a lógica da oikosnomia. Navega mares nunca antes navegáveis pelo abstratismo humano.
    Desculpe minha ignorância, mas percebo, como Hobbes chama, um absurdo na economia, na qual o nexo entre meio e fim perdeu-se na obscuridade da incerteza.
    Por que é assim? Qual o fim almejado? Falta um pouco mais de filosofia do que a simples e velha economia.

    Obrigado.

    • Prezado Arthur,
      concordo com sua Filosofia, ou melhor, a sabedoria em viver.
      No entanto, em termos de Riqueza das Nações, a busca é por crescimento da renda de toda a população e de ocupação para todos. Evidentemente, é necessário o crescimento com distribuição mais justa da renda e política social ativa.
      Sendo assim, o social-desenvolvimentismo não focaliza o enriquecimento pessoal, mas sim a melhoria da qualidade de vida da população, onde a renda per capita, a educação, a saúde, etc. são componentes essenciais. Pasme, essa corrente de pensamento econômico é considerada “heterodoxa”!
      att.

    • Eu acho que não precisa se importar tanto com filosofia na ciência econômica não, Arthur.

      Porque se você for pensar na atuação profissional do economista, ele tem que saber fazer um valuation, analisar séries temporais, maximizar os retornos de um portfólio, rodar e interpretar uma regressão multipla…

      Precisa de filosofia pra isso? Não é melhor deixar a filosofia nas eletivas e usar as disciplinas obrigatórias para formar um bom economista profissional?

      • Prezado Daniel,
        você sabe muito bem que eu discordo do seu ponto de vista. Entendo seu comentário como mera provocação.
        Não quero crer que o horizonte profissional (e cultural) de um economista seja tão curto… Mas, pelo que você me diz, “tem gente prá tudo”! Até para almejar ser apenas um simples calculista subordinado a um filósofo formado na USP, como é o sábio e competente presidente do Bradesco.
        att.

      • Daniel,
        a busca da Economia é maximizar o bem estar frente aos recursos escassos, em um sentido agregado, pelo pouco que entendo.
        Você sabe o significado etimológico da palavra Economia? Você sabe o que é crematística?
        Não defendo a Filosofia, mas o homem racional utópico da teoria neoclássica.
        Você me critica, mas não possui argumentos concretos apenas “absurdos”, ou seja, um conjunto de silogismo que não expressam nenhuma ideia ou expressão.
        Não proscrevo a Matemática na economia, mas sim certas abstrações não tornarão “a economia mais perfeita”…
        Amplie sua visão e renuncie à sua alienação puramente ingênua!
        Quem você acha que mais lucra com o mercado financeiro e as “descobertas” dos laureados do Nobel? Você?!

        Obrigado.

    • Eu sei o que é crematística, e na verdade aprendi o termo numa matéria de filosofia obrigatória que tive que fazer. E sim, no agente racional concebido por Jevons, a maximização do seu bem estar é semelhante à maximização da sua utilidade individual, que depende unicamente dos seus ganhos financeiros.

      Recentemente alguns economistas criaram modelos com altruísmo, o Becker por exemplo, que modela agentes que maximizam suas utiliades via maximização da utilidade das pessoas que gostam(normalmente seus familiares).

      Mas enfim, isso tudo é uma discussão filosófica demais. E se você defende o agente Neoclássico, não deveria estar criticando o meu ponto de vista “ortodoxo”.

      E sim, se eu trabalho no mercado financeiro, eu ganho com as descobertas dos Nobéis. Principalmente se eu sei usar os métodos que eles utilizaram.

      Também sugiro simplificar o vocabulário. Estamos num blog de economia, não na ABL.

      • Epa, este é aqui não é um “blog de economia” qualquer, é um Blog de Cidadania & Cultura! Respeito e Educação, custam pouco, valem muito… Valem mais do que a ABL!
        🙂

      • Daniel,
        Refletindo sobre o assunto, ontem à noite, encontrei uma situação que impunha a divergência entre nossas opiniões.

        Ao meu ver, você prioriza uma abordagem individualista, a grosso modo, referente a não cooperação entre agentes, como forma de auto regulamentação da economia. Contrariamente, tenho uma visão agregada , buscando a interação cooperativa entre os agentes afim de proporcionar o bem-estar equitativo

        Defendo essa ideia uma vez que, tenho uma visão de “economia do Estado”( ou verdadeira economia), na qual a influência política é maciça e quase sempre pejorativa, beneficiando a uma pequena classe, ou seja, contrariando a auto regulação da economia.

        Não busco me enriquecer infinitamente mas o progresso nacional, pois a economia brasileira desenvolve-se em vista dos anseios de uma pequena classe.Você acha aceitável esse cenário de igualdade?

        Por fim, não me declaro heterodoxo ou ortodoxo, busco apenas solucionar as situações de forma racional. Tenho minhas ideias e teorias mas claro busco algumas inspirações em muitas obras, indiscriminadamente.

        obs.: com relação ao português,desculpe mas tenho mantido esse rito formal a muito tempo, apesar de você está correto. Escrevo desta forma automaticamente.

        Obrigado, e desculpe algum transtorno ou descontentamento. Acho legal termos um debate saudável, ainda mais no meu caso que ainda estou no 2º período de Economia.Proporciona novos ares!

  9. Caro Fernando, não foi provocação.

    É a mesma rationale da formação de um engenheiro ser focada em matemática, física e nas matérias específicas de engenharias. Afinal como é a atuação profissional de um engenheiro civil por exemplo? Otimizar a estrutura de uma construção, reformar uma barragem…

    Como é a atuação profissional de um médico? Examinar, medicar e operar. São coisas técnicas, e não filosóficas.

    Você deu o exemplo do Bradesco, mas no Itau temos o Roberto Setubal que é engenheiro formado e mestre em Stanford. Ou seja, é um técnico, não um filósofo. Tem exceção pra tudo, não se pode pegar um exemplo e generalizar.

    Eu te garanto que se pegar uma lista com os donos dos maiores hedge funds, presidentes de bancos e das indústrias, em média eles vão ser engenheiros e economistas, grande parte com MBA em finanças, que também é um grau profissional que visa a análise com ferramentas técnicas, como as que eu citei acima.

  10. Não creio que exista nenhuma contradição entre ter uma boa formação técnica e cultural/filosófica. Isso é um falso dilema, e acho que vem da péssima formação superior no brasil, a cultura do título. Sou matemático de graduação e depois estatístico, e depois de uma vida acadêmica me tornei consultor de controle qualidade e com isso viajei quase o mundo todo.
    Vou dar minha visão, com um estudo de caso. Sempre vou a Singapura e a Coréia do Sul, e vejo a enorme dedicação dos alunos e professores de lá, que tem uma formação técnica impecável e uma formação cultural excelente também. Singapura se tornou um centro de excelência com algumas das melhores escolas de economia do mundo. Com muito esforço e programas de contratação dos melhores professores em joint appointment. Por exemplo Peter Phillips, o mais produtivo econometrista do mundo, criou uma geração de brilhantes economistas lá, que agora são professores nos melhores departamentos dos EUA e Europa. E da mesma forma o nível cultural dos alunos e professores é extraordinário.
    Essa dedicação em formação de capital humano se mostra não somente em elevação extraordinária de nível de renda, mas em cultura e civilidade. Comentei de Singapura, mas a Coréia do Sul e a China seguem a mesma idéia. Os grandes pesquisadores chineses são todos formados nos EUA e Europa e trabalham metade do ano na China e metade do ano nos Eua/Europa.
    Ao invés de ficarem reclamando de discriminação, construíram capital humano. Enquanto que aqui no Brasil uma universidade pública não pode contratar um professor estrangeiro em joint appointment. E essa restrição embora seja em parte culpa da burocracia, também é dada pela pressão dos professores daqui que não querem concorrência com estrangeiros.
    Enquanto isso aqui a cultura não é de formação, mas de emissão de diplomas sem qualidade. E com isso não temos profissionais com o mínimo de qualificação, e mais ainda, de formação cultural que permite o aprendizado de novas idéias.
    E na academia prospera a baixa qualidade e inserção internacional dos pesquisadores brasileiros. Veja por exemplo os departamentos de ciências sociais e filosofia no Brasil, que tem professores titulares que nunca publicaram um estudo na vida. Por exemplo a maioria absoluta dos alunos de filosofia não tem nenhum conhecimento de lógica ou matemática, e não conseguem entender filósofos como Bertrand Russel ou Wittgestein. Isso é cultura ? A chamada filosofia no Brasil é um submarxismo rasteiro . Não tenho nada contra Marx ou Hegel ou o materialismo, mas com a rasa formação dada aqui os alunos e professores são incapazes de discutir com os verdadeiros filósofos contemporâneos.

    • Luiz,
      Concordo e também acredito que os métodos quantitativos devem ser ensinados obrigatóriamente nas ciências humanas e sociais.

      Nos Estados Unidos todos os filósofos sabem matemática, todos os sociólogos e historiadores sabem estatística(cliometria), todos os cientistas políticos sabem teoria dos jogos.

      Essa cultura anti-exatas do brasil faz com que o nível dos nossos pesquisadores de humanas e sociais fiquem muito abaixo do nível da discussão internacional, e daí vem a necessidade de se formar no exterior. E alguém que se forma no exterior provavelmente vai querer trabalhar no exterior, afinal os salários de professores(que é o caso do exemplo) nas faculdades top americanas é cerca de 5 vezes o daqui, na mesma moeda. Quando colocamos áreas mais “comerciais” como economia e engenharias, a distância é ainda maior.

      Um professor de economia num departamento top 10 nos EUA ganha mais de US$ 300.000 por ano, fora as vendas de livros-texto, consultorias e participação em boards de empresas. Na UFRJ, o salario de professor é cerca de R$ 100.000, e ele não pode prestar consultorias e nem ganhar dinheiro fora da universidade. Por isso, não só pelo medo da concorrência por parte dos pesquisadores brasileiro, nenhum pesquisador do exterior gostaria de trabalhar aqui e ver cair seu padrão de vida.

      • Prezados seguidores,
        estou apenas observando, de maneira crítica, o debate entre vocês, mas estou com uma preguiça de opinar…

        No entanto, não posso deixar de chamar atenção para alguns fatos, para quem ler não se enganar:
        1. Métodos Quantitativos fazem parte do currículo mínimo obrigatório em Cursos de Economia no Brasil — no caso do IE-UNICAMP, embora não tenha exclusividade, é dado com excelência.
        2. A diferença entre salários deve-se comparada em termos de Paridade do Poder de Compra, i.é, considerando o poder aquisitivo de acordo com o custo de vida local.
        3. Em termos nominais, o salário bruto anual na UNICAMP no final da carreira atinge cerca de US$ 130.000, desconsiderando ganhos avulsos em pesquisa, bolsas, extensão, etc.
        4. Tudo isso não justifica nenhum “complexo de vira-lata”, ou seja, este complexo de inferioridade tipicamente proferido por nossa elite.

        Ai, que preguiça!
        att.

      • Daniel

        De forma geral, concordo com você, mas só cuidado para não analisar pelo topo da distribuição. Essa situação reportada é válida para as top 10, mas não em geral. Mas mesmo nas top o próprio pesquisador deve buscar seu financiamento, e as verbas de pesquisa próprias da universidade são bem limitadas. Por exemplo, um bom amigo professor em Rochester tinha uma verba de US$ 3000 para o ano todo. A partir dai ele tinha que correr atrás. E com o corte de donations nos ultimos anos a situação está bem complicada.

        Mas muitos professores aceitariam ter um contrato de 3 ou 6 meses por aqui, sim, e já me manifestaram essa opinião. Temos professores assim nas top privadas (eesp, epge). E mesmo muitos professores brasileiros com tenure nos EUA voltaram para o brasil. Como é o caso do Marcelo Jovita que tinha tenure em Columbia, e é considerado um dos top 5 de econometria teórica no mundo, ou o Rodrigo Soares, que tinha tenure em Maryland.

        No Brasil é fácil conseguir verbas de pesquisa em Economia, mas não alteram o salário.

        O grande problema é que, nas estaduais ou federais, o salário não depende do desempenho. Tenho amigos nos dept. de matemática e estatistica na Usp e Unicamp que tem publicações com enorme impacto nas melhores revistas internacionais, top field, que tem o mesmo salário de professores sem uma publicação internacional. Esse é o grande problema.

    • É verdade que vários pesquisadores voltam, mas também tem outros fatores que influenciam.

      Acho que muitas vezes, chuto até que na maioria das vezes, é por questões pessoais. O Eduardo Loyo chegou a ter terune na Harvard Kenney School, mas voltou porque disse que trabalhar na PUC-Rio era o sonho dele.

      O Gustavo Franco e Arminio Fraga já eram casados quando foram estudar nos EUA, e por causa da criação dos filhos, emprego das esposas etc, acharam melhor trabalhar no Brasil depois de se formarem.

      Se parar pra analisar, muitas vezes dá pra ganhar mais dinheiro aqui do que la fora, se você não quiser ser pesquisador em tempo integral. AS empresas brasileiras, principalmente os bancos de investimento babam pra ter esses doutores nos seus quadros de alguma forma. Aqui quase não tem concorrência, são pouquissimos doutores de universidades top dos EUA. Se você for de áreas facilmente comercializáveis, isto é, finanças, macro, economia internacional, é possível ser chamado para ser sócio de bancos de investimento e conselhos de empresas, e ainda assim ter tempo pra dar aulas.

      • Prezado Daniel,
        este é o sonho individualista de realização profissional dos colegas?!
        De fato, confirma que o artigo tem razão: para edificar uma Nação civilizada, é necessário ensinar e aprender mais do que Teoria Neoclássica…
        att.

      • Daniel

        Sim, motivos pessoais contam muito. Mas acho a melhora das condições de pesquisa na eesp, epge e puc permite atrair pesquisadores sem motivações pessoais. Acho que é o caso do Prof. Victor Filipe que está agora na eesp, que é um brilhante economista matemático frances. E a epge tem contratado vários outros estrangeiros também. Esse é o caso exemplar da contribuição da imigração para a formação de capital humano.
        Você tem feitos ótimas contribuições nessa discussão.

        []s

      • Prezado Luiz,
        não entendi a aparente contradição: “Sim, motivos pessoais contam muito. Mas acho a melhora das condições de pesquisa na eesp, epge e puc permite atrair pesquisadores sem motivações pessoais”.

        Acho que ninguém discordaria da primeira frase, p.ex., motivações militantes, coletivas, culturais, e não só individualistas ou pecuniárias. Mas, “atrair pesquisadores sem motivações pessoais”?!
        att.

      • Caro Fernando

        Náo vejo nada de negativo nesses objetivos. Em um ambiente de liberdade cada um deve poder perseguir seus ideais, desde que isso não implique prejuízo aos demais.
        Por exemplo Armínio Fraga era um brilhante acadêmico, foi um excelente e reconhecido gestor no Banco Central e hoje é um excelente gestor de ativos. E sempre foi um grande incentivador da pesquisa acadêmica, patrocinando salários de vários professores no IMPA e na Puc. Não vejo como isso pode ser negativo.

      • Prezado Luiz,
        não personalizei meu comentário. Comentei o aconselhamento aos colegas: “Se você for de áreas facilmente comercializáveis, isto é, finanças, macro, economia internacional, é possível ser chamado para ser sócio de bancos de investimento e conselhos de empresas, e ainda assim ter tempo pra dar aulas.”

        Não vamos perder o foco da discussão: a necessidade de ampliar os horizontes culturais e profissionais além da ortodoxia para conhecer mais profundamente o mundo contemporâneo.

        Não estou dizendo que essa carreira convencional, em busca do enriquecimento (“comercial”), não seja individualmente satisfatória para muita gente com esse horizonte cultural e político…
        att.

      • Fernando

        Você tem razão sobre os motivos pessoais. Não ficou claro mesmo. Eu quis separar os efeitos mais individuais, em geral motivos de família, etc. O que quis dizer foi que muitos pesquisadores estão vindo para instituições brasileiras, mesmo não sendo brasileiros, tendo esposa brasileira, etc.

      • Prezado Luiz,
        entendi. Para analisar a imigração temos de considerar os fatores de repulsão – a crise na Europa expulsa até trabalhadores qualificados – e os fatores de atração – as perspectivas brasileiras estão atraentes.
        Nesse debate, achei interessante que o grupo de comentaristas que enfatiza o aspecto da autosuficiência do mainstream, ou seja, ser desnecessário qualquer conhecimento fora da ortodoxia econômica, ao mesmo tempo, defende uma ideologia individualista e carrerista. Mas até para analisar a perspectiva de vida individual e/ou profissional, parece-me que uma visão mais ampla, além da econômica, seria útil.
        att.

  11. Aproveitando o comentário acima, podemos lembrar que um grande amigo e colaborador de Wittgenstein, e inclusive o tradutor para o inglês do Tractatus, foi o grande economista matemático Frank Ramsey, que é o criador das teorias neoclássicas de crescimento com poupança e a teoria de taxação ótima.

    • Mas isso são duas coisas dissociadas, caro Aluisio.
      O Baumol, economista famosíssimo de Princeton também é escultor, e parece até que dava cursos de escultura em Princeton quando não estava lecionando organização industrial.

      Mas são duas entidades diferentes, o Baumol artista e o Baumol economista. Da mesma forma que o Ramsey, um polimata gênio que era bom em tudo, era matemático uma hora, economista político em outra, erudito da literatura em outra.

      O que eu estou tentando dizer quanto à isso é que a pessoa deve seguir os seus interesses culturais, mas isso não necessariamente será utilizado na sua vida profissional. O Baumol não fala de esculturas nos seus artigos.

      • Prezado Daniel,
        novamente, sentindo a inutilidade de eu repetir minha longa experiência profissional: educação e cultura geral distinguem os melhores profissionais!
        É uma bobagem achar que o profissional só é julgado por “Qualis”, ou seja, pelos veículos onde divulga seus artigos…
        Se ele for mal educado e inculto, ninguém gostará de trabalhar com ele ou se deixará liderar ou formar opinião por tal sujeito de mentalidade restrita.
        Líderes se expressam sempre pela cultura geral.
        att.

    • Fernando, o que você falou não corrige a superioridade das grandes universidades americanas em vários aspectos.

      O salario de final de carreira de Unicamp é razoavelmente bom, mas tem os 30% de IR, e além disso você falou, não atoa, o salário da Unicamp, e não do departamento de economia. Nos EUA, pessoas com renda na faixa que eu coloquei, de US$ 300.000, ou seja, classe alta, pagam imposto de 17%, fora que o custo de vida lá é bem menor. Com US$ 1 milhão se compra uma casa, ou melhor, mansão cinematográfica. Não são poucos pesquisadores de universidades lá que moram em casas de capa de revista e dirigem BMW’s. Já no Brasil, com 2 milhões de reais mal se compra um apartamento bom em botafogo.

      As universidades americanas são superiores por considerarem o custo de oportunidade no salário dos pesquisadores. Isto é, professores de economia ganham mais que professores de letras, pois estar na universidade é mais custoso para o economista, que poderia estar ganhando fortunas no mercado, do que para um doutor em letras que não teria mercado fora do magistério.

      E devemos lembrar que pelos rankings(pra não falar que são viesados, consideremos os rankings chineses), as universidades americanas ainda estão centenas de posições na nossa frente. Todas as top 10 são americanas, e isso já tempo.

      • Prezado Daniel,
        eu não estou discutindo a superioridade das universidades americanas e do padrão de vida do povo norte-americano. O que questionei é o “complexo de vira-lata” do colonizado culturalmente. É só top, top, top… Só.
        att.

  12. Caros,
    Economia comportamental com Dan Ariely:
    O que nos faz sentir bem em nosso trabalho?

    Da Revolução industrial à Economia do conhecimento
    Adam Smith Vs. Karl Marx
    Eficiência Vs. Significado

    Sds,

  13. Prezados,
    Vou colocar meu dedo nessa ferida, já que está acabando o feriado finado.

    O “complexo de vira-lata”, está principalmente nas instituições e em boa parte das elites, tbm nas universidades.

    O comportamento patrimonialista da “República Inacabada” da sociedade tupiniquim e elite falso-letrada, não mudou muito desde o século XIX. Como disse Joaquim Nabuco, comparando-nos com a elite europeia, “o Brasil tem uma das piores elites”! Também disse o fundador do nacionalismo brasileiro, Euclides de Cunha, “a elite só sabe olhar para o outro lado do atlântico”,

    Meio século depois, Darcy Ribeiro nos anos 50´s, disse sobre o pensamento de Anísio Teixeira (então na UDN),

    (…) “era uma pessoa pelo qual não passou nenhuma informação sobre índio, nunca, era um agentezinho europeu aqui”.

    As elites se divide entre euro-franco-russa, e euro-americana, uma adora comemorar o 14 de julho e a outra o 4 de julho, mas nenhuma chegou ainda em 7 de setembro!

    Ainda é o que mais temos hoje, “agentezinhos euro-franco-russo e euro-americano”…

    Fernando Barbosa Lima – Darcy Ribeiro: O Guerreiro Sonhador (pt.2)

    de 5:43 min. à 8:30 min.:

    “Eu tinha antipatia pelo Anísio. Achava o Anísio um udenista (UDN) muito pequenininho, ranzinza… Eu tinha essa antipatia por ele e ele tinha por mim. Há uma frase do Anísio sobre mim, a primeira frase do Anísio é muito engraçada. Ele dizia: “[Darcy] só pode ser um imbecil, dizem que é inteligente, mas se dedica apenas a 0,02% da população brasileira… Caso fosse inteligente, ele se dedicaria aos outros 99,98% da população brasileira. Logo, é ideiota [idealista + idiota], em última análise, é idiota”. Ele também se negava a falar comigo: “Darcy também é um homem rude, um soldado do Rondon, esse negócio, ele quer ser bandeirante”.

    Alguns amigos queriam nos aproximar, e ele tinha má vontade. Um dia eu fui fazer uma conferência para um grupo em que ele estava. Ele nunca tinha assistido uma conferência minha. Ele viu a conferência, eu fiz uma comparação entre dois povos gregos, um COCAMECRA e outro CRAOS, e fiz um contraste. De repente, o infeliz se interessou muito! O Anísio e disse, “é igual Atenas e Esparta, é igual!”

    Atenas e Esparta eram parte do interesse dele. Ele era de formação européia, uma cabeça feita na igreja. A cabeça do Anísio se liberou na filosofia norte americana. Era uma pessoa pelo qual não passou nenhuma informação sobre índio, nunca, era um agentizinho europeu aqui… Ele precisava, atraves da Grécia, do contraste bonito entre Atenas e Esparta, ver que os índios poderiam ser interessantes (risos)… Isso nos aproximou, mais ou menos.

    Ele criou nessa época uma série de centros de estudos sociais, de Antropologia, Sociologia, tendo em vista, conhecer melhor a cultura brasileira, para fazer uma escola mais adaptada para o Brasil, e eu fui trabalhar nisso aí, isso me aproximou dele cada vez mais, houve uma espécie de paixão, depois paixão por uma vida inteira, a minha pelo Anísio e dele para mim, uma identificação tão grande que nós passamos a trabalhar com colaboradores muito próximos.”

    “Em 1957, Anísio Teixeira convida Darcy para trabalhar no Centro de Pesquisas Educacionais, do Ministério da Educação e Cultura.”

    Formar uma nova elite leva tempo, muito tempo… Nos últimos dois séculos, ainda não conseguimos…
    E la nave va,

    • Prezado Oswaldo,
      gostei muito do oportuno comentário — e do exemplo da dificuldade de diálogo intra-elite…
      Concordo inteiramente com sua dedução. Levamos (e levaremos) um tempo demasiadamente longo tentando formar uma elite intelectual no exterior.
      Ela acaba sendo apenas uma elite econômica, inculta e iletrada em coisas do Brasil.
      Pior, ao ficar depreciando tudo por aqui, acha que será melhor apreciada por sua subserviência às coisas lá de fora…
      att.

    • Prezado Oswaldo,
      tomo a liberdade de reproduzir seu excelente post abaixo:

      “Prezados geonautas,

      Comentário ao post Sobre o livro Oswaldo Aranha – A Estrela da Revolução.

      Alan da Rosa, no programa À Beira da Palavra (*), na entrevista com o cantador e trovador, José Paes Lira (Lirinha), conta a história entre o jornalista do sul e o poeta nordestino Severino Pinto de Monteiro:

      O jornalista ao iniciar a entrevista com o poeta Severino Pinto de Monteiro (já com idade centenária), diz:

      – Estou aqui com o poeta nordestino Severino Pinto de Monteiro, semi-analfabeto,…

      – O poeta interrompe o jornalista e diz: “semi-analfabeto é você, eu sou analfabeto”!.

      Esse poeta analfabeto, tem entre sua pérolas de poesias, essa dita por Lirinha:

      “Essa nossa triste vida

      Eu só comparo a um S

      Tem uma hora que sobe,

      Tem outra hora que desce,

      E a curva que dá no meio,

      Nem todo mundo a conhece”

      A chaga do poeta nordestino analfabeto, remete-nos a história da oralidade humana, assim como Ulisses de Homero, ele sabia quem era e o que queria, era analfabeto, mas faz poesia com a letra S.

      A questão entre o ser analfabeto ou ser alfabetizado, tem uma outra relevância, uma outra dimensão aqui, pois no Brasil temos a elite alfabetizada, mas boa parte ainda é falso letrada.

      O pensador que é referência da civilização ocidental, o sapateiro, o guerreiro e o filósofo grego, Sócrates, também era analfabeto, mais que isso, ele era contra a escrita, pois, acreditava que ela iria destruir a cultura da história oral (Maryanne Wolf: Prost and the Squid, 2007). A novidade da escrita, era para Sócrates, o que é para nós hoje os iPhone e Ipads, e a febre da tecnologia desde que o homem conquistou a lua. Sou cético, a universidade e a ciência não vão nos salvar, pode e devem nos ajudar, a nossa salvação é pela cultura dos povos, oral, escrita, mitológicas,…. (**)

      O livro de Oswaldo Aranha é para ser degustado por uns e digerido por outros, mas olhar, ver e reparar, pode mudar de perspectiva de pessoa para pessoa, “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.

      Oswaldo Aranha certamente não era da elite falso-letrada, mas Raymundo Faoro lembra-nos a linha tênue que separava (ainda separa) povo e elite no Brasil, Aranha dizia, “de nós para baixo é povo”.

      Ele não era falso-letrado, mas sim da elite derivada da aristocracia do império, que como dizia Joaquim Nabuco (outro não falso letrado), “em mim só o sentimento é brasileiro, a minha imaginação é europeia”, assim como uma outra frase derivada da reflexão também de Joaquim Nabuco, comparando a elite e o povo da Europa com a elite e o povo do Brasil, e sua conclusão virou uma crença na boca e na cultura do povo: “no Brasil, o povo é melhor que sua elite”.

      O tempo passa, o tempo voa, mas o patrimonialismo secular tupiniquim, pouco muda, ainda somos uma “elite marginal”, falso-letrada ou não, para citar outro poeta nordestino analfabeto, Patativa do Assaré, na qual no Brasil persiste a separação entre o andar de baixo e o andar de cima, não temos um denominador comum com a história da nação, o “Encontro Marcado” (1956), de Fernando Sabino ainda é sonho e obra de ficção.

      A sim sinais no horizonte, vejo o futuro com certo otimismo, temos que acreditar em algo, eu também tenho as minhas crenças, mas “O Brasil nação hoje é a Alemanha de Friedrich List de 1841” (04-04-13).

      “Alea jacta est”, quem viver verá!

  14. Caros,
    Essa juventude precisa de história, pois um país se faz com sua própria história, principalmente, desde o bruxo do Cosme Velho, como diz Jorge Mautner, “o Dostoiévski brasileiro”.
    Roda Viva – TV Cultura (1989), entrevista Fernando Sabino

    Sds,

  15. Prezados,
    estou acompanhando atentamente as discussões neste tópico e gostaria de colaborar com um pouquinho de referências bibliográficas do meu acervo online. São fontes importantes de estudo em finanças e economia com links vivos e pronto para download. Sds.

    Handbook of Safeguarding Global Financial Stability: http://longfiles.com/a2bmffu7mbf4/0123978750FinancialStability.pdf.html
    The Economist Europe – 2-8 November 2013: http://longfiles.com/9b2v444op3yl/The_Economist_02_08_November_2013.pdf.html
    The Economist (Intelligence Unit) – Rebels without a cause (2013): http://longfiles.com/ewxmvsptsrzi/rviyucd3sx.pdf.html
    The Economist Europe – 26 October-1 November 2013:http://longfiles.com/1yshimj6nou8/The_Economist_26_October-01_November_2013.pdf.html
    The Economist – 19th October-25th October 2013: http://longfiles.com/txt7kpowdixu/The_Economist_-_19_October-19_2013.pdf.html
    The Economist Guide to Financial Management: http://www.epubbud.com/book.php?g=XE4FKDJX
    Currencies, Commodities and Consumption: http://longfiles.com/vg78wqzbt424/110701476X.pdf.html
    Artificial Economics and Self Organization:http://longfiles.com/3qphor2wuo8r/3319009117_Econom.pdf.html
    Economic Crisis in Europe and the Balkans:http://longfiles.com/3jkw9ozwftxz/331900493X.pdf.html
    Explorations in Economics: https://sites.google.com/site/mypublic1986/pliki/book_8592.zip?attredirects=0
    From Financial Crisis to Stagnation: http://longfiles.com/lccy9tia5ta3/1107612462.pdf.html
    The Portuguese Empire in Asia, 1500-1700: A Political and Economic History, 2 edition: http://longfiles.com/y3kok27jho4v/0470672919_Portug.pdf.html
    Reasonably Simple Economics: Why the World Works the Way It Does: http://longfiles.com/mrxdv3c7oamy/1430259418_Economics..epub.html
    Hidden Markov Models in Finance: http://depositfiles.org/files/20gmu9rh3
    Hidden Markov Models, Theory and Applications: http://depositfiles.org/files/j627t9hnh
    The Accumulation of Freedom: Writings on Anarchist Economics: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F9q33d93o
    Understanding the Chinese Economies: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F2mklf5fo
    The Economics Book: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fprhjt71w
    Sustainability of Indian Microfinance Institutions: A Mixed Methods Approach: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F6kegogsg
    Diversity and the Effective Corporate Board: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fvabvxa5j
    Handbook of Key Global Financial Markets, Institutions, and Infrastructure: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fdeo6nhwv
    Reconsidering Funds of Hedge Funds: The Financial Crisis and Best Practices in UCITS, Tail Risk, Performance: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fbwsviw29
    Crisis Management at the Speed of the Internet: Trend Report: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F8tka5dzi
    Management Accounting for Business Decisions (2nd edition): http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Ftmviiwdp
    India’s Open-economy Policy: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F2vfgriho
    Risk Management in Finance: Six Sigma and Other Next Generation Techniques: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fu3y7nlhg
    Mathematical Statistics for Economics and Business, 2nd edition: http://hulkfile.eu/oocb6gcbqn6k.html
    Welfare Reform and Its Long-Term Consequences for America’s Poor: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Flhcnyno1
    Pricing Behaviour and Non-price Characteristics in the Airline Industry:http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2Fynddh95m
    Getting Started in Chart Patterns: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Ful.to%2F69s3pw7k
    Demand and Supply Integration: The Key to World-Class Demand Forecasting: http://www.ebookl.com/url?url=http%3A%2F%2Fuploaded.net%2Ffile%2Fgi7j1ckw
    Steven Shreve: Stochastic Calculus and Finance: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.137.6951&rep=rep1&type=pdf
    Financial Numerical Recipes in C++: http://finance.bi.no/~bernt/gcc_prog/recipes/recipes.pdf
    A Basic Course in the Theory of Interest and Derivatives Markets:http://faculty.atu.edu/mfinan/actuarieshall/mainf.pdf
    Arkansas Tech University – Ebooks Free: http://faculty.atu.edu/mfinan/nnotes.html
    Mind, Body, World: Foundations of Cognitive Science:http://florida.theorangegrove.org/og/file/db5893b6-e17b-412c-8ca1-4fb51f1d87ac/1/99Z_Dawson_2013-Mind_Body_World.pdf
    Advanced Mathematical Methods for Finance: http://ryushare.com/4c7d0ea0fa36/3642184111_Finance.rar

  16. Caro Fernando,
    Entre sua longa lista de resenhas sobre livros, imagino, analise esse para uma possível resenha, que é uma coletânia de autores consagrados e best sellers:

    http://www.harpercollins.com/books/Thinking-Mr-John-Brockman/?isbn=9780062258540
    Book Description
    Unlock your mind

    From the bestselling authors of Thinking, Fast and Slow; The Black Swan; and Stumbling on Happiness comes a cutting-edge exploration of the mysteries of rational thought, decision-making, intuition, morality, willpower, problem-solving, prediction, forecasting, unconscious behavior, and beyond. Edited by John Brockman, publisher of Edge.org (“The world’s smartest website”—The Guardian), Thinking presents original ideas by today’s leading psychologists, neuroscientists, and philosophers who are radically expanding our understanding of human thought.

    Daniel Kahneman on the power (and pitfalls) of human intuition and “unconscious” thinking • Daniel Gilbert on desire, prediction, and why getting what we want doesn’t always make us happy • Nassim Nicholas Taleb on the limitations of statistics in guiding decision-making • Vilayanur Ramachandran on the scientific underpinnings of human nature • Simon Baron-Cohen on the startling effects of testosterone on the brain • Daniel C. Dennett on decoding the architecture of the “normal” human mind • Sarah-Jayne Blakemore on mental disorders and the crucial developmental phase of adolescence • Jonathan Haidt, Sam Harris, and Roy Baumeister on the science of morality, ethics, and the emerging synthesis of evolutionary and biological thinking • Gerd Gigerenzer on rationality and what informs our choices

    Resenha Maria Popova:
    http://www.brainpickings.org/index.php/2013/10/30/daniel-kahneman-intuition/
    How Our Minds Mislead Us: The Marvels and Flaws of Our Intuition
    by Maria Popova
    “The confidence people have in their beliefs is not a measure of the quality of evidence but of the coherence of the story that the mind has managed to construct.”

    Sds,

  17. Eu acho engraçado que agora que a crise já aconteceu faz alguns anos…sempre aparece um dizendo que fulanos tinham previsto a crise….Mas nunca vi documentos ou registros de tais fatos.Eu apenas conheço vídeos do economista do colégio austríaco Peter Schiff falando sobre isso, enquanto vários economistas adeptos da escola keynesianista chamavam ele de louco.E falaram tanto sobre abrir o leque de conhecimento, mas em todos estes posts, só uma menção à Escola austríaca?E, por favor, com todo respeito, mas não se trata de “prever crises”, mas sim de ter a capacidade de entender as relações de causa e efeito.

    • Prezado Felipe,
      por um lado, era conhecimento geral da opinião especializada a “bolha imobiliária” desde quando começou a inflar os preços de imóveis nos EUA.
      Por outro lado, era desconhecimento geral quando ela estouraria. Este momento do choque – reversão do auge para a crise – não há teoria ou método prático de se antecipar. Se houvesse, todos que os conhecessem estariam ricos, pois sempre sairiam no auge da alta e perderiam na baixa…
      att.

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