Remuneração Milionária de Executivos com Bônus

Remuneração média antual dos executivos no Brasil

Se por um lado as empresas nacionais se destacaram nos últimos anos por oferecer para os CEOs pacotes mais agressivos que as multinacionais, por outro, quando a situação fica difícil, elas são as que mais reduzem a remuneração total dos dirigentes. Isso porque a ousadia das nacionais está na oferta de bônus de curto prazo, que são diretamente afetados pelo não cumprimento de metas quando os resultados ficam abaixo do esperado. Se um presidente recebia, em média, R$ 2 milhões de pagamento anual incluindo o salário base, bonificações e incentivos de longo prazo em uma empresa brasileira de grande porte em 2012, este ano ele vai receber R$ 1,5 milhão. ‘Tadinho…

Esses dados fazem parte de uma pesquisa realizada pela empresa de recrutamento Page Executive com mais de 700 executivos do país. “Os números das companhias brasileiras este ano ficaram aquém do previsto e isso teve um impacto forte no pagamento dos executivos”, afirma o diretor geral Marcelo De Lucca.

Em média, um CEO recebeu dez salários extras como prêmio em 2012 em uma grande empresa nacional, com faturamento acima de R$ 1 bilhão. Já este ano, o bônus caiu para oito salários. Nas multinacionais, o pagamento total somando salário base e a parte variável subiu de R$ 1,3 milhão no ano passado para R$ 1,4 milhão em 2013. De acordo com De Lucca, o incremento no pagamento dos presidentes nesse caso aconteceu em razão de um aumento nos incentivos de longo prazo. “Mesmo assim, no Brasil os presidentes ainda recebem mais nas empresas locais.”

Ele ressalta que entre as companhias nacionais vem crescendo o uso de stock options como incentivo de longo prazo. Elas respondem este ano por 32% da preferência das empresas nesse tipo de pagamento, no qual o gestor tem a opção de comprar um lote de ações da companhia por um determinado valor para exercer em um prazo de três a cinco anos. “O principal uso tem sido como uma ferramenta de retenção no alto escalão”, afirma. “Existe hoje também o desejo de alinhar os interesses das empresas com o dos executivos.”

No geral, as empresas brasileiras têm sido mais criativas que as múltis na elaboração de planos de incentivo de longo prazo. O uso das chamadas phantom stocks é um exemplo, segundo De Lucca. Nessa modalidade, o executivo recebe um bônus em dinheiro equivalente ao valor de um lote predefinido de ações, mesmo que a empresa não seja listada em bolsa de valores.

Outra forma de estimular a permanência dos executivos nas empresas nacionais tem sido o pagamento de bônus de retenção, usado por 41% das companhias pesquisadas. Nessa prática, a empresa se compromete a pagar um determinado valor, no geral, no prazo de três anos. “Quando a economia não vai bem, estas são maneiras de manter esses gestores em seus quadros sem ter que desembolsar grandes somas imediatamente.”

O levantamento também constatou um aumento na contratação de diretores estatutários, especialmente nas empresas brasileiras, e a diminuição de executivos contratados como pessoa jurídica. “Existe uma preocupação crescente com as questões relacionadas à governança corporativa no país”, diz De Lucca. A presença dos fundos de private equity em diversas companhias locais tem incentivado as organizações e se adequarem às melhores práticas.

De acordo com o consultor, também cresceu, tanto nas empresas brasileiras como nas múltis, o número de gestores com seguro de responsabilidade civil e criminal, o D&O. Na pesquisa deste ano, 55% dos executivos disseram ter essa proteção em comparação aos 51% de 2012. “Esse seguro se popularizou no país nos últimos quatro anos por conta de casos recentes em que os executivos foram responsabilizados por práticas ilegais.”

Leonid Bershidsky (Bloomberg apud Valor, 21/10/13) escreveu o seguinte artigo a respeito de bônus.

“Se você acredita que pagar grandes participações nos lucros para executivos torna um banco mais competitivo, avalie isto: dois dos mais seguros do mundo se recusam a pagar qualquer bônus a seu mais alto escalão. Por várias décadas, havia apenas uma instituição desse tipo – o sueco Handelsbanken – que aboliu a distribuição de participações nos lucros e, em 1973, lançou, em vez disso, um programa de partilha de resultados que prometia um pagamento em dinheiro somente quando o participante completasse 60 anos. Era o único que não pagava bônus até a semana passada, quando o holandês Rabobank anunciou a extinção da remuneração variável para seu conselho executivo.

Os bônus dos dirigentes dos bancos são um assunto político quente. O ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, processou a União Europeia (UE) devido ao pretendido limite máximo para os bônus em 2014. A medida limita a remuneração variável ao dobro do salário-base, sujeito à aprovação dos acionistas e desde que pelo menos 40% da bonificação seja adiada por três a cinco anos. Ainda assim com o banco tendo o “direito de retenção”, que lhe permitiria manter o dinheiro, caso o desempenho se deteriorasse ao longo desse período.

Se adotado, o limite afetaria todos os funcionários de bancos cuja remuneração total ultrapassasse US$ 680 mil ao ano. Seus defensores franceses, alemães e italianos dizem que o limite reduzirá o incentivo para que os dirigentes dos bancos incorram em riscos desnecessários. O Reino Unido retruca que os banqueiros, um grupo mercenários, procurarão apenas as empresas em que não exista limite – os fundos de hedge e os bancos dos Estados Unidos e dos mercados emergentes. Isso esgotará a reserva de talentos do setor bancário de Londres e transformará o centro financeiro, conhecido como a City, num lugar atrasado gerido a partir de Bruxelas. 🙂

O argumento britânico não resiste à prova. Segundo recente estudo de Kevin J. Murphy, da Universidade do Sul da Califórnia, a mediana da relação remuneração variável sobre remuneração fixa dos dirigentes dos bancos foi de 1,5 na UE e de 9,3 nos EUA em 2011, mas os bancos europeus seguem competitivos.

Há também os exemplos do Handelsbanken e do Rabobank. O principal executivo do Handelsbanken, Paer Boman, recebeu um salário fixo de US$ 1,7 milhão e benefícios no valor de cerca de US$ 60 mil em 2012.

O Handelsbanken, o 22º colocado na lista da revista “Global Finance” dos bancos mais seguros do mundo, e 11º colocado na lista da “Bloomberg” dos bancos mais sólidos do mundo, ostentou um retorno sobre ativos de 0,6% em seu mais recente ano fiscal, comparativamente à média de 0,4% negativo atribuída a 28 bancos participantes do índice Euro Stoxx Financials. Um banco sensato, à moda antiga, com baixo apetite por risco, o Handelsbanken, no entanto, conquistou grande presença internacional, com 770 agências em 24 países.

Outra instituição conservadora, com foco em empréstimos ao setor agrícola e ao varejo, o Rabobank paga bem aos seus diretores: os cinco membros do conselho executivo ganharam um total de US$ 15,6 milhões em 2012, dos quais apenas US$ 272 mil vinculados a desempenho. O Rabobank é o 28º maior banco mundial em termos de ativos. É também o 10º mais seguro, segundo a “Global Finance“. A exemplo do Handelsbanken, não precisou de ajuda do governo durante a crise.

Os opositores ao limite sobre o pagamento de participação nos lucros dizem que o foco em salários fixos, que já estão subindo em toda a Europa com a expectativa da imposição do limite, torna um banco mais vulnerável a ciclos e desaquecimentos dos negócios. Os exemplos do Handelsbanken e do Rabobank mostram que isso não é necessariamente verdadeiro. Ambas as instituições se concentram em operações bancárias comerciais, em vez de em banco de investimentos, e ganham muito dinheiro sem se envolver em derivativos sofisticados.

Os órgãos reguladores podem ser perdoados por puxar os bancos em direção a seu modelo de comportamento, por meio da severa restrição aos bônus. Se essas restrições permanecerem e se enrijecerem, as “estrelas” motivadas por enormes quantias de pagamento variável deixarão o setor e poderão, em última análise, tornar ainda mais necessário regulamentar o “setor bancário paralelo”, os fundos e outras instituições que atualmente desempenham papel tão destacado no sistema financeiro quanto os bancos tradicionais.”

 

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