Autocontrole do Instinto da Maternidade e Queda da Fertilidade

Declínio Populacional

No Censo Demográfico de 2010, evidenciou-se que brasileiras próximas do fim do ciclo reprodutivo (50 anos) sem filhos expandiu-se 20% na década anterior, dado muito significativo em termos demográficos. Entre as mulheres diplomadas em Ensino Superior, no Brasil, pouco mais de 1/5 optou por não experimentar a maternidade. Na Alemanha, quase 1/3 das mulheres diplomadas em curso superior passa dos 40 anos sem filhos.

Na análise da composição da família brasileira, aquelas que não têm crianças serão cada vez mais comuns: seu número se multiplica em um ritmo três vezes mais rápido do que o das famílias com filhos. Alguns demógrafos acham que as famílias sem filhos nunca serão maioria nas estatísticas por um argumento malthusiano invertido levado ao extremo: “as sociedades deixariam de produzir o número mínimo de novos indivíduos para a manutenção da espécie e levariam a processos de despopulação“.

O fato, demograficamente comprovado, é que há mais mulheres que optam por não ter filhos agora do que havia alguns anos atrás. A liberação da mulher significou a capacidade de fazer escolhas relativamente autônomas — até mesmo sobre ter ou não ter filhos. A imposição de (e do) marido já era!

Antes de 1970, a sociedade brasileira ainda era predominantemente rural, onde mais filhos, criados no nível da (auto)subsistência, representavam “braços para trabalhar no campo”. A taxa média de fertilidade era cerca de 6 filhos / mulher. Hoje, quase metade das brasileiras trabalha fora, cerca de 50% mais do que no fim da década de 60. Com o aumento de produtividade, substituíram os filhos no mercado de trabalho.

A maioria das brasileiras atinge o auge profissional um pouco depois dos 40 anos, quando sente que o momento para ser mãe já se foi. Muitas não tiveram nem tempo para namorar! Entram na “idade da loba” e, assim como os homens, na “crise da meia-idade” masculina, partem vorazmente “em busca do tempo perdido” ou “o direito de ser feliz” pelo menos fazendo sexo com mais jovens

Quando mais educadas e bem-sucedidas, mais as mulheres têm se revestido de coragem para se desviar daquilo que antes era a única educação feminina: a maternidade como destino inescapável… Os casais ambicionam carreiras bem sucedidas, duas rendas, férias com status, e em função do individualismo narcisista vão adiando o padrão tradicional de ciclo de vida: saída de casa dos pais – casamento – maternidade.

Os demógrafos estudam os desdobramentos do encolhimento da população de crianças e jovens em países mais desenvolvidos — as childless societies. Pelo menos metade da população mundial vive hoje em lugares onde as taxas de fecundidade se situam abaixa do chamado Índice de Reposição de 2,1 filhos por mulher. É esse o caso do Brasil, onde a média nacional caiu para 1,7 – menos de 1/3 do registrado nas décadas de 40 e 50. Entretanto, ainda é uma raridade as mulheres terem tão poucos filhos quanto na Alemanha e no Japão, países cujos antecedentes passaram por experiências traumáticas de escassez e autocontrole devido à derrota na II Guerra Mundial. Ambos tem taxa de fecundidade com média 1,4.

As consequências mais previsíveis da queda no número de nascimentos são:

  1. a redução do contingente economicamente ativo, que tende a diminuir a taxa de desemprego;
  2. o aumento do número de idosos com maior esperança de vida — no Brasil, chega em média aos 75 anos, com aposentadoria em média aos 55 anos (20 anos de “ócio”) –, que tende a desestabilizar a Previdência Social;
  3. o aumento da sobra de renda familiar, com menor taxa de dependência e, consequentemente, menores gastos com educação, propiciando investimentos em Previdência Complementar.

Há tempo para os países se ajustarem à nova realidade demográfica, racionalizando os gastos públicos na relação Saúde/Educação para populações envelhecidas. A demanda por asilos será maior do que por novas escolas. Assim, ganharão produtividade, adotando Educação com melhor qualidade: fazer mais com menos gente.

Dentro desse amplo quadro demográfico, é fruto do conservadorismo-ambientalista colocar o sinal de alarme da expectativa de que, nas duas ou três próximas décadas, é muito provável que “até os países africanos cheguem aos dois filhos por mulher, conta a média atual de cinco”. Alguns catastrofistas denunciam que “o padrão de consumismo excessivo se alastrará pelo mundo, destruindo os recursos naturais do planeta”! Advertem que a incapacidade de adaptação da nova realidade demográfica ao meio-ambiente poderá levar, no limite, à extinção da raça humana!

 

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