Ciências Afins: Sociologia

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Joseph A. Schumpeter, em sua História da Análise Econômica (1964: 55), afirma que “todo sociólogo ou economista, não importa quão especulativa a sua mente, deve usar alguns fatos, a maiorias dos quais não pode deixar de ser de natureza histórica (…). Definimos um homem como um sociólogo histórico apenas quando realiza, ele mesmo, trabalhos históricos ou etnológicos sérios, ou se, pelo menos, chega  a seus resultados baseado em análise de tal tipo de trabalho feito por outros. O uso ocasional de fatos históricos, para fins de ilustração, ou mesmo de verificação de uma teoria, não torna a pessoa um sociologista histórico”.

Também é difícil imaginar qualquer trabalho de análise sociológica que não use fatos psicológicos de um tipo ou de outro. É o uso de métodos e resultado de Psicologia profissional que definirá, nesse livro de Schumpeter, a Sociologia Psicológica ou Psicologia Social, e não o uso de fatos da experiência corrente observados e conceituados pelo sociólogo, não importando quão psicológicos possam estes fatos ser por sua natureza.

Schumpeter (1964: 56) salienta que “esse é um problema de considerável importância metodológica e uma fonte de muito mal-entendidos porque economistas e sociólogos, que nunca aplicaram seriamente a Psicologia profissional e nunca realizaram qualquer trabalho que necessitasse de nenhum dos seus métodos, descrevem, não obstante, o seu procedimento como psicológico, expondo assim, sem qualquer necessidade, as suas estruturas pseudopsicológicas ao criticismo profissional”.

Ele reconhece o crescimento de uma Sociologia Autônomaa sociologia que não toma emprestado métodos ou resultados de outras ciências –, durante o período de 1870 a 1914, que tateava em busca de seus próprios métodos e problemas, mesmo levando em conta que os produtos desta Sociologia estavam cheios de conceitos e proposições pseudo-históricas e pseudopsicológicas. Sociedade, classe, grupo, estrutura, dominação e subordinação, liderança, assimilação e ajustamento são exemplos dos itens que entravam na parte da Sociologia Autônoma que Schumpeter descreveu como Sociologia Pura.

Os esforços não criaram, na verdade, nenhuma Sociologia Geral que fosse tão amplamente aceita como o era a Economia Geral no período precedente. Tal Sociologia Geral foi formada aos poucos, em vez de ser criada subitamente. Talvez isto tenha sido natural para uma ciência que então lutava pela sua existência.

Isto ocorreu dessa forma, segundo Schumpeter, “porque os sociólogos suficientemente importantes não trabalharam bastante no assunto. E isto, por sua vez, deveu-se não somente ao fato de que nos períodos de pós-guerra sociólogos absorveram-se cada vez mais nos problemas especiais e muito ‘factuais’, mas também ao fato de que a teoria pura só se desenvolve com vigor em campos quantitativos. Onde os problemas são necessariamente não-matemáticos, os seus objetivos são necessariamente limitados e em pouco tempo deixam de oferecer atrativos”.

Émile Durkheim (1858-1917) é considerado um dos pais da Sociologia tendo sido o fundador da Escola Francesa, posterior a Karl Marx, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica. É amplamente reconhecido como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social.

Durkeim representa a hierologia: estudo das várias religiões. Foi um dos principais sociólogos da religião. Ele viu que o comportamento do indivíduo não pode ser explicado exclusivamente com os fatos pertinentes ao próprio indivíduo, e que é necessário recorrer às influências do seu ambiente social.

Isto pode ser feito de várias maneiras. O método de Durkeim era a construção de uma mente grupal (ou tribal) que sinta e pense e atue como tal. A posição dele era uma espécie de positivismo romântico. A explicação fundamental do problema da Religião, por exemplo, que derivou desse princípio, pode ser resumida na seguinte frase: “a religião é a adoração do grupo pelo grupo”.

Partindo da afirmação de que “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”, forneceu uma definição do normal e do patológico aplicada a cada sociedade, em que o normal seria aquilo que é ao mesmo tempo obrigatório para o indivíduo e superior a ele, o que significa que a sociedade e a consciência coletiva são entidades morais, antes mesmo de terem uma existência tangível. Essa preponderância da sociedade sobre o indivíduo deve permitir a realização deste, desde que consiga integrar-se a essa estrutura.

Para que reine certo consenso nessa sociedade, deve-se favorecer o aparecimento de uma solidariedade entre seus membros. Uma vez que a solidariedade varia segundo o grau de modernidade da sociedade, a norma moral tende a tornar-se norma jurídica, pois é preciso definir, numa sociedade moderna, regras de cooperação e troca de serviços entre os que participam do trabalho coletivo, ou seja, uma preponderância progressiva da solidariedade orgânica.

“Nenhum outro ramo da vida social necessitava mais desesperadamente de pesquisa orientada por interesse científico do que a Política, onde os sonhos dos filósofos produziram questões ideológicas na máxima desatenção dos fatos mais comuns. Tanto os cientistas políticos como os economistas, quando se referiam a problemas públicos, perseveravam na construção de visões agradáveis de um bem público, que seria o objetivo elevado a ser atingido pelo ‘estadista’, e de um Estado que flutuava nas nuvens, como fosse uma divindade beneficiente” (Schumpeter; 1964: 58).

Os fatos de guerra entre agrupamentos, máquinas, chefes, propaganda de grupos de pressão, psicoses coletivas e corrupção eram encarados como “aberrações”, por exemplo, a política partidária era encarada como uma coisa que não devia existir, e não como partes essenciais. Mas, durante o período (1870-1914 e posteriormente) desenvolveu-se como que um despertar da consciência científica, e a Sociologia Políticaum estudo das instituições políticas como na realidade funcionam – apareceu.

Qualquer um sabe, por experiência própria, que em um grupo, trate-se de uma multidão ululante das ruas de uma metrópole ou de um comitê de professores idosos, o nosso nível de inteligência, moralidade e responsabilidade cai, imediatamente, a um plano menor quando normalmente agimos e pensamos por nós mesmos. O mérito de ter apresentado esse fenômeno com todas as suas implicações, segundo Schumpeter, é sem dúvida de Le Bon.

Gustave Le Bon (1841- 1931) foi um psicólogo social, sociólogo e físico amador francês. Foi o autor de várias obras nas quais expôs teorias de características nacionais, superioridade racial, comportamento de manada e psicologia de massas. Sua obra sobre Psicologia de Massas tornou-se importante na primeira metade do século XX, quando foi usada para descrever as reações de grupos subordinados à mídia.

Sigmund Freud (1856-1939) no seu livro Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, publicado originalmente em Leipzig, Viena e Zurique, em 1921, discutiu as ideias de Le Bon.

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