Política: Ação Coletiva para Alcançar Poder e/ou Direitos

Políticos

Pensadores refletiram, desde o século XVI, sobre o equilíbrio de Poder entre o governo, as comunidades e os indivíduos. Até o século XVII, a ideia dominante ainda era a de um Estado centralizado com o poder no soberano absolutista.

As visões radicais do filósofo calvinista alemão Johannes Althsius (1557-1638) sobre o papel do Estado, da soberania e da política abriram caminho para o conceito moderno de federalismo. Althusius redefiniu a Política de uma atividade relacionada apenas ao Estado para um movimento social que se revela em associações coletivas subjacentes ao Estado. Ele apresentou a ideia de Consorciação, a qual serviu de base ao pensamento federalista.

Althusius defendia que as comunidades humanas, desde as privadas, como famílias e guildas, às públicas, como as cidades, eram entidades autônomas que se formaram por meio de uma forma de Contrato Social. Ele acreditava que as pessoas eram sociáveis e, para viver em paz juntas, se dispunham a compartilhar bens e serviços e a respeitar os direitos uns dos outros.

Cada associação de indivíduos começa quando alguém reconhece uma necessidade, um serviço ou um grupo de valores compartilhados. Está, então, disposto a contribuir para o bem-estar do grupo.

Quanto a essa divisão de trabalho, vale relembrar o conceito econômico de serviços: a atividade econômica cujo produtor se encontra diretamente com o consumidor. A prestação e o consumo de serviços exigem o contato presencial e/ou a comunicação entre os indivíduos. A progressiva urbanização, superando a sociedade rural, relaciona-se também com essa busca por serviços, sejam públicos, sejam privados.

A Soberania Absoluta, tal como defendida por Bodin e Hobbes, era vista por Althusius como ilógica e repressiva. Ele acreditava que o poder e autoridade deveriam se mover em direção ao topo através das consorciações e não do topo a partir de um soberano. Ao serem subordinadas independentemente ao Estado, as consorciações seriam superiores a ele.

O governo ficaria no topo de uma hierarquia de consorciações. Seu papel seria administrar a comunidade composta de vários grupos em interação. Ele tomaria parte do Contrato Social, reconhecendo e compartilhando metas, valores, bens e serviços de seu povo e coordenando sua comunicação.

Na teoria de Althusius, a Soberania pertenceria ao Povo, não ao Monarca. Os representantes do governo eleitos não representariam indivíduos ou uma vontade comum única, mas uma pluralidade de vontades de todas as comunidades existentes dentro do grupo maior, que é a Nação.

O foco de Althusius na associação simbiótica distinguiu sua ideia de Federalismo dos governos federais tais como os do Estados Unidos e do Brasil. No entanto, o federalismo contemporâneo sofre forte influência do individualismo com sua aversão ideológica a grupos sociais ou partidos políticos. Mas ambas ideologias – individualista e coletivista – encaram o Estado como uma associação política, não como uma simples entidade independente de suas unidades constitutivas.

Fonte: O Livro da Política. São Paulo; Globo, 2013.

2 thoughts on “Política: Ação Coletiva para Alcançar Poder e/ou Direitos

  1. Eu achava que Vladimir Putin seria uma versão russa de um Lula do Brasil. Governo na história da humanidade parece ter sido sempre algo que não foge ao vago, impreciso, volátil e por demais genérico. O homem da iniciativa privada de verniz religioso não superficial é o que toca o mundo…:)

    • Prezado Pedro,
      é um ponto de vista “o homem da iniciativa privada de verniz religioso não superficial tocar o mundo”.

      Outro ponto de vista é o da luta de classes como explicação histórica do capitalismo.

      Eu prefiro pensar O Mundo como um Sistema Complexo emergente de interações entre seus diversos componentes. Destaco as castas e seus Éthos (valores morais e éticos) interagentes ao longo de toda a história humana. Fazem alianças, dão golpes e reagem com contra-golpes. E assim o mundo segue sua dependência de trajetória caótica, afastando-se de suas condições iniciais.

      Enquanto isso, “louvo todos os deuses, bebo meu bom vinho e deixo o mundo ser mundo…”
      🙂

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