Empreendedorismo segundo Benjamin Franklin

BenFranklinDuplessis

Os principais pensadores do rotulado Iluminismo norte-americano foram inspirados por escritores iluministas europeus, como John Locke, Edmund Burke, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire e Montesquieu. O sistema de governo do federalismo denominado Estados Unidos da América nasceu dos Princípios Liberais e Republicanos.

Os constituintes norte-americanos se opuseram à autoridade centralizada e absoluta, bem como aos privilégios aristocráticos. Apoiaram-se em alicerce constituído a partir de ideais pluralistas, a proteção dos direitos dos indivíduos e a cidadania universal.

A visão da natureza humana subjacente a esse novo sistema de governo brotou no republicanismo clássico que via a virtude cívica como o fundamento de uma boa sociedade. De acordo com Benjamin Franklin (1706-1790), considerado um dos mais importantes “Pais Fundadores dos Estados Unidos”, empreendedores individuais seriam cidadãos virtuosos, inspiradores do espírito capitalista norte-americano.

O termo “República” remonta à antiguidade grega romana, e a moderna ideologia republicana tomou formas ligeiramente diferentes, dependendo se ele foi desenvolvida nos Estados Unidos, França ou Irlanda. Na versão francesa, desenvolvida especialmente a partir dos escritos de Rousseau, defende-se o princípio da soberania popular e da participação popular. No entanto, no meio do século XX, adota-se uma perspectiva individualista, isto é, assume-se que os indivíduos procuram a sua felicidade em si mesmo ao invés de uma participação política.

Enquanto os liberais clássicos tendem a focar nos direitos individuais, por exemplo, à vida, à liberdade e à propriedade, os republicanos clássicos dão mais ênfase aos deveres dos indivíduos com a comunidade, como cidadãos, e nas virtudes que precisam ter para cumprir este papel. O conceito de virtude era importante aos primeiros republicanos clássicos, como Nicolau Maquiavel, ao descrever as características dos governantes. Porém, as virtudes dos cidadãos quase nunca eram discutidas.

Franklin discutiu a virtude nesse nível individual. Segundo ele argumenta, uma Nação próspera seria construída sobre as virtudes dos cidadãos individuais, trabalhadores e produtivos, não sobre as características do governante ou de uma classe social como a aristocracia.

Em comum com vários pensadores iluministas europeus, Franklin acreditava que os mercadores e os cientistas eram as principais forças motoras da sociedade, mas também dava ênfase à importância de traços pessoais e responsabilidades individuais. Ele considerava o empreendedorismo um importante traço pessoal da virtude.

O empreendedorismo, hoje, é associado ao capitalismo. No século XX, Schumpeter foi o principal proponente e popularizador da palavra “empreendedor” [entrepreneur]. À parte os monopólios sustentados por um governo, somente através da inovação e do empreendedorismo poderia qualquer negócio sobreviver em longo prazo. As principais preocupações de Schumpeter – inovação, espírito de iniciativa, e geração de crédito – desempenham papel proeminente no estabelecimento das estratégias empreendedoras.

No entanto, a visão de Benjamin Franklin dos empreendedores diferia muito da imagem moderna do empresário capitalista.

  1. Em primeiro lugar, ele via o empreendedorismo como uma virtude apenas nos caso em que promovia o bem comum, como na filantropia.
  2. Em segundo lugar, ele via um importante papel para as organizações voluntárias, capazes de restringir o individualismo.

Fonte: O Livro da Política. São Paulo; Globo, 2013.

5 thoughts on “Empreendedorismo segundo Benjamin Franklin

  1. Prezado Fernando,
    O Empreendedorismo segundo Leonardo Da Vinci, como deixou deixou registrado, há +/- 500 anos:

    “I have been impressed with the urgency of doing.
    Knowing is not enough; we must apply.
    Being willing is not enough; we must do.”

    (“Eu tenho estado impressionado com a urgência de fazer.
    Conhecer não é suficiente, nós devemos aplicar.
    Estar disposto não é suficiente, temos de fazer. “)

  2. ComoJFK disse:
    “Não pergunte o que seu país pode fazer por você,
    Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”
    Acho que essa seria uma boa filosofia de vida para a hedonista sociedade brasileira atual.

    • Prezado Tyrso,
      de acordo, de acordo… Como estão se avolumando as queixas individualistas, acompanhadas de severas críticas “aos outros”, através de xingamentos ao País! Principalmente, percebo por parte dos emigrantes a insuperável deselegância de “cuspir no prato que comeu”, para justificar os fatores de repulsão em relação ao seu passado.
      Para se feliz em outro lugar não se necessita denegrir os que aqui permanecem.
      att.

    • Prezado Tyrso,
      Permita-me, a elite tupiniquim não… Diferente do que diz e está registrado em latim na bandeira paulista, pelo contrário, é o oposto, ela não conduz, pois é conduzida pela hedonismo global.

      As percepções oswaldianas (Marx; Nietzsche; Freud do Pau Brasil e Antropofágicas) de digerir e abrasileirar a cultura europeia global ainda não entrou em cena.

      O Brasil precisa de mais “Riobaldo´s” urbanos, seja retirante, imigrante,…., pois um é pouco, e o povo brasileiro é cheio de riquezas de Riobaldos.

      Quiça neste século, quem viver verá!

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