Avaliação Discente do Curso Métodos de Análise Econômica: Documentários-Pesquisas-Apresentações

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Completada mais uma experiência didática-cinematográfica no Curso de Graduação do IE-UNICAMP – delinear uma alternativa ao ensino tradicional de Economia via livro-texto, usando documentários para obter informações e empatia com os protagonistas e aplicando métodos de análise econômica para fazer apresentações de histórico, estatísticas, diagnóstico e políticas públicas para enfrentar os problemas apresentados nos documentários –, é interessante compartilhar seus resultados com todos os interessados.

O objetivo central do curso Métodos de Análise Econômica era ensinar/aprender a análise das políticas socioeconômicas e formas de intervenção governamental para regulação de economia de mercado. Usamos como método didático, em uma aula, a apresentação de um documentário sobre temática socioeconômica brasileira para referenciar e/ou motivar o debate das políticas públicas para enfrentar os problemas abordados pelo filme. Na aula seguinte, um grupo de alunos apresentava os resultados de suas pesquisas a respeito.

A intuição e a criatividade dos alunos estiveram envolvidos nesse processo através da própria ação grupal de pesquisar dados e informações sobre o problema, dimensionando-o, e analisando se as políticas públicas usadas são as pertinentes. Assim estimulados, os alunos obtiveram a apropriação intelectual do tema apresentado. Através dessa prática didática, houve a elaboração mental cujos resultados estão postados neste blog em Apresentações do Curso de Métodos de Análise Econômica.

Fiquei muito satisfeito também com o resultado desse curso! No primeiro semestre, tinha usado muitos filmes do gênero Drama e/ou Épico Histórico para traçar a história da evolução humana através das Grandes Eras Econômicas. Ler: Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema. Desta vez, usei Documentários Brasileiros como motivação para a pesquisa e a elaboração da apresentação (oral e em PowerPoint) por parte de grupos de três alunos a respeito de cada tema apresentado. Visava o treinamento de exposição e debate em público.

Foi muito satisfatório conferir o sucesso da iniciativa, tanto pela avaliação oral, realizada na última aula, quanto pela avaliação escrita dos alunos sobre o curso.

Solicitei respostas às seguintes questões:

  1. ESTADO DA ARTE: Qual era o seu conhecimento sobre os temas do curso — Problemas Socioeconômicos e as Políticas Públicas — antes do curso?
  2. RESUMO DO CURSO: Descrição sumária do curso com sinopse(s) do(s) documentário(s) que mais lhe impressionou e/ou do fio-condutor analítico.
  3. AVANÇO: Quais foram as lições aprendidas com o(s) debates sobre os documentário(s)?
  4. CONTRIBUIÇÃO PESSOAL: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

As duas questões centrais foram espécie de recapitulação sintética do que foi visto e aprendido.

Meu objetivo com o Programa era, inicialmente, dar uma noção – uma “senha de acesso” para o aluno, eventualmente, na sua futura vida profissional, caso necessário, recorrer – a respeito de Metodologia da Análise Econômica. Assim, dei as primeiras aulas sob forma expositiva para explicar os três diferentes níveis de abstração no estudo de Métodos de Análise Econômica.

No nível mais elevado de abstração, é necessário o conhecimento da teoria da consistência no uso dos instrumentos de política econômica. No nível intermediário, o analista reincorpora os conflitos de interesse antes abstraídos para a definição do regime macroeconômico como uma característica estrutural do planejamento de desenvolvimento em longo prazo que condiciona o manejo das políticas públicas. No nível mais baixo de abstração, há a necessidade de contextualizar, ou seja, datar e localizar os eventos, para captar os imperativos de dada conjuntura na prática da arte de tomadas de decisões práticas quanto ao uso dos instrumentos de política econômica em curto prazo.

Em seguida, motivados por assistir “Celso Furtado: O Longo Amanhecer” (2007 – 1:13) e debater essa cinebiografia do economista nacional-desenvolvimentista, comentei Como Classificar Economistas. É prudente conhecer, antes de “ir procurar a sua turma”…

Na 3a. aula, fiz apresentação oral sobre Estratégia do Social-Desenvolvimentismo, Capitalismo de Estado Neocorporativista e Financiamento Interno do Desenvolvimento em Longo Prazo, temas de minhas pesquisas recentes. Visava balizar o que viria adiante em um visão sistêmica, condicionantes das particularidades microeconômicas e sociais.

Na minha 4a. aula, fiz uma apresentação sobre as características da política econômica brasileira na última década (2003-2013). Na aula Variáveis-Metas e Variáveis-Instrumentos da Política Econômica em Curto Prazo, focalizei o uso dos quatro instrumentos de política econômica em curto prazo – política monetária, política fiscal, política cambial e controle de capital – no tateio para se buscar a consistência dinâmica das variações dos preços básicos. Envolve uma série de decisões práticas a regulação da coerência e/ou da covariância entre os movimentos da taxa de câmbio, da taxa de juros e da taxa de inflação.

A 5a. aula foi dedicada à pesquisa pelos alunos de informações na internet sobre o PPA 2012-2015 e o andamento do PAC. A partir de então, o meu papel de professor foi apenas de orientador, estruturador e crítico das apresentações, e estimulador dos debates, inclusive protagonizando as necessárias provocações de “o advogado do diabo”, para se examinar todos os pontos-de-vista ideológicos. Passei a sentar no fundo-da-sala-de-aula, junto com os estudantes.

Na 6a. aula, assistimos o documentário “O Petróleo Tem Que Ser Nosso” (2009 – 60:00) a respeito da questão da soberania nacional sobre a exploração do pré-sal. Foram avaliados os distintos graus de nacionalismo das correntes ideológicas. Serviu de pano-de-fundo para, na 7a. aula, discutirmos a Política Energética, isto é, os investimentos em hidroelétricas e na “extração de petróleo em águas profundas”: o Pré-Sal.

Na 8a. aula, vimos “Eliezer Batista, O Engenheiro do Brasil” ( 2010 – 00:20). Os empreendimentos de Eliezer Batista, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce, serviram como referências para conhecermos e debatermos a Política de Mineração.

Conhecidas a riqueza dos recursos naturais, em nosso território (inclusive marítimo), na 10a. aula, tratamos de ter a consciência presente de que esse espaço geográfico foi conquistado à custa do genocídio étnico dos nativos, isto é, os habitantes originais do que veria ser o Brasil. Assistimos “Terra Vermelha” (2008 – 1:39) e “Terra dos Índios” (Zelito Viana), para tratar da Política Indígena. Foi um dos debates mais interessantes o ocorrido sobre a antes desconhecida Política para os Nativos da Terra. O choque entre os defensores das Reservas Indígenas e os da Riqueza Brasileira (construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte) se reproduziu entre os alunos (e o professor), alguns se posicionando como “ambientalistas”, outros como “desenvolvimentistas”. Rimos ao verificarmos que, nessa última posição, houve “aliança tácita” entre esquerdistas e direitistas!

Na 12a. aula, como desdobramento natural, vimos “Terra Para Rose” (1987 – 1:22) e “O Sonho de Rose: 10 Anos Depois” (2009 – 0:03), ou seja, documentários sobre a luta pela reforma agrária. Foi motivação para a apresentação e discussão da Política Fundiária.

Na 14a. aula, o filme foi “Migrantes” (2007 – 0:46), sobre a migração atual de trabalhadores nordestinos para os campos de açúcar paulista. Discutimos a Migração campo-cidade com a ocupação das periferias das metrópoles pelos expulsos pela mecanização do agronegócio. Analisamos os fatores de repulsão da zona rural e os fatores de atração da cidade.

Na 16a. aula, o documentário foi “Elas da Favela” (2010 – 00:24), com relatos de moradoras do Complexo do Alemão sob a incursão da polícia naquela Comunidade. Havia a alternativa de “5XFavela: Agora por Nós Mesmos” (1:39). Todos serviriam como pano-de-fundo para o debate sobre Urbanização das Favelas e Política Habitacional.

Na 18a. aula, foi visto um dos dois documentários que despertaram maior empatia nos estudantes universitários: “Meninas” (2006 – 1:10), sobre gravidez na adolescência. Ele motivou a análise de Bônus Demográfico, Natalidade, Escolaridade, Mercado de Trabalho e Previdência Complementar.

Na 20a. aula, outro tema polêmico, especialmente em ano eleitoral: “O Aborto dos Outros” (2008 – 1:12). Foi discutido o Aborto no Brasil sem preconceitos religiosos, como referente à Política de Saúde Pública. Mas foram também mapeadas as correntes ideológicas em conflito através do reducionismo entre “Pró-Vida” versus “Pró-Direito de Controle do Próprio Corpo”, respectivamente, a linha religiosa e a linha feminista. Cada aluno expôs seu posicionamento pessoal a respeito, respeitando-se o pluralismo de opiniões.

Na 22a. aula, havia uma imensidade de documentários para se ver em casa (via YouTube), durante a greve de cerca de duas semanas: “Notícias de uma Guerra Particular” (1993-1998 – 56:46), o premiado documentário de João Moreira Salles, “Falcão – Meninos do Tráfico” (57:47), que retrata a vida jovens de favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas, “Quebrando o Tabu” (2011 – 1:20), documentário conduzido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a descriminalização das drogas; “Juízo” (2007 – 1:30), que acompanha a via crucis de menores infratores. Voltando às aulas, assistimos em sala-de-aula “Justiça” (2004). Também impactou emocionalmente a todos, criando empatia com cada protagonista: os infratores, suas mães, os procuradores, os advogados-de-defesa, os juízes, os policiais-militares, etc. Despertou muito interesse tanto a discussão da Política de Segurança Pública quanto a da Justiça e Sistema Presidiário Brasileiro.

Por motivos dos dias de greve por parte do Movimento Estudantil, o ônus (“não existe almoço de graça”) foi a perda da aula em que seria exibido o documentário “Garotas do ABC” (2003 – 2:05), em que o ABC paulista aparece como cenário, abordando uma série de questões: o trabalho, a imigração nordestina, o racismo, o neofascismo e a esperança. Seria discutida a Política de Direitos Humanos: Igualdade Racial, Diversidade de Gêneros, Anti-homofobia, etc.

Na 26a. aula, foi visto o outro documentário que despertou maior interesse entre os jovens estudantes: “Para O Dia Nascer Feliz” (2006 – 1:28): os conflitos e a vida na escola de três jovens de classes sociais diferentes. Foi muito citado nas avaliações escritas sobre o curso, pois distingue não só as dificuldades de acesso à escola dos estudantes da zona rural – e a ânsia de saber motivada inclusive pelo desejo de ascensão social de suas famílias – e o pouco caso infanto-juvenil dos estudantes da Baixada Fluminense (Caxias) e da periferia da Grande São Paulo. Todos carentes de algumas necessidades básicas foram contrastados com os dramas psicológicos dos estudantes do Colégio Santa Cruz no rico Bairro Alto dos Pinheiros em São Paulo. Observou-se a terceirização da educação por parte dos pais das famílias urbanas, com o casal dedicando-se durante todo o dia ao trabalho e pagando para os professores, seja do Colégio, seja de atividades extra-classes, dar conta praticamente de todas as tarefas educacionais. Debatemos a Política Educacional atual, sua numerologia, seus programas ENEM, ProUni, FIES, PRONATEC, etc.

Na 28a. aula, era para ser visto o documentário “Um Lugar Ao Sol” (2009 – 1:05) sobre a visão de mundo de pessoas de alto poder aquisitivo que moram em coberturas. Porém, ele foi retirado de exibição no YouTube. E ainda como “compensação dos dias perdidos na greve”, apenas foi apresentada e discutida a Política de Combate à Desigualdade Social: Renda e Riqueza Pessoal.

Todas as apresentações foram postadas neste blog, para socializar o conhecimento adquirido. Veja: Curso Métodos de Análise Econômica.

Feito essa breve recapitulação do curso Métodos de Análise Econômica, cuja sequência, metaforicamente, representaria uma síntese da história do povo brasileiro: conquista do território – genocídio étnico  dos nativos – concentração fundiária – migração campo-cidade – favelização – explosão demográfica – problemas habitacionais, sanitários e educacionais – insegurança pública – injustiça – concentração de riqueza, vamos apresentar algumas avaliações dos alunos, através de citações de passagens de seus trabalhos.

Inicialmente, vejamos algumas respostas representativas à pergunta: Qual era o seu conhecimento sobre os temas do curso – problemas socioeconômicos e políticas públicas – antes do curso?

PIER: “Os problemas socioeconômicos dos quais eu tinha conhecimento eram muito limitados ao que havia sido aprendido nas disciplinas teóricas do curso [Graduação do IE-UNICAMP] (…) de sorte que os desafios sociais e as políticas públicas que eu conhecia eram muito restritos ao âmbito meramente teórico, limitados aos exemplos dos modelos e aos exercícios de livro-texto. Quando muito, atividades práticas (exercícios e estudos dirigidos) permitiam algum grau de aproximação com a realidade, todavia, mantendo uma forte restrição: a aproximação da realidade em termos da disciplina em questão, isto é, se a atividade fosse de Economia Brasileira Contemporânea, era muito mais provável, por exemplo, a abordagem de um artigo sobre Eleições do que sobre Política Comercial.”

LEONARDO: “Muitas vezes, a ânsia pela transmissão de conhecimento teórico em cursos de diferentes naturezas resulta em perdas significativas para o grau de percepção do aluno acerca de assuntos contemporâneos relevantes. O Curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Campinas, apesar de estar um passo à frente de outras escolas pelo foco que nele é dado às questões sociais e à análise qualitativa dos problemas econômicos, não é uma exceção à regra. Apesar de serem tangenciados em debates em sala-de-aula, ou ainda por vezes fervorosamente discutidos nos corredores e demais ambientes de encontro dos alunos, questões acerca das mazelas e potencialidades da economia brasileira nunca foram um alvo explícito de algumas das disciplinar do curso que frequentei. (…) a vasta maioria dos alunos (dentre os quais eu me incluo) pode até possuir uma opinião e debate-la, informalmente. Entretanto, tais visões são essencialmente fundamentadas em noções vagas, no senso-comum, e no preconceito. (…) o curso de Métodos de Análise Econômica busca, e consegue, preencher esta lacuna na formação dos alunos do IE-UNICAMP.”

JOÃO HENRIQUE: “O estado da arte antes do curso era o de um conhecimento bruto capaz de identificar os macro temas problemáticos no Brasil sem, no entanto, se envolver em destrinchar os desdobramentos mais particulares, fato que leva, muitas vezes, a proposições superficiais. Um exemplo marcante foi o da questão educacional. Embora muito se denuncie sobre a necessidade de maiores gastos com educação, ficou claro um componente totalmente distinto do gasto estatal que determina a educação das crianças brasileiras. Ficou nítido o fato de como as crianças pobres nordestinas eram mais bem educadas e davam mais valor à educação se comparadas às crianças de escolas públicas do Estado do Rio, por exemplo. Este e muitos outros fatos foram importantes para demonstrar a importância de se analisar os problemas com uma lupa maior. No exemplo citado, deduzi que a educação e a estrutura familiar podem ser muito mais importantes que o mero gasto público em educação”.

RAFAEL FARIAS: “Em especial, devo salientar minha falta de conhecimento sobre a questão dos recursos naturais existentes no Brasil. Embora eu tivesse um mínimo de informações sobre o assunto, não era profundo o suficiente para possibilitar uma análise crítica ou uma emissão de opinião sólida. (…) Já com relação às políticas públicas, embora eu soubesse superficialmente sobre as áreas de atuação, o foco do governo, etc., não tinha conhecimento da abrangência, dos detalhes, dos reais problemas, dos avanços e diversos outros aspectos das políticas públicas levadas a cabo no Brasil.”

MARCELA: “No dia a dia, nossa realidade não se restringe somente aos afazeres dentro da universidade, o que faz com que a sensação final seja a de que muitos tópicos relativos à vida prática, principalmente, foram cobertos de forma rápida e superficial, e que em meio às infinitas demandas cotidianas o tempo que sobra para completar o estudo é insuficiente. Assim, acredito que a matéria Métodos de Análise Econômica foi uma abertura, principalmente na vida de um economista, cujas decisões serão tomadas em contexto dinâmico, sendo essencial a articulação entre o teórico e a realidade concreta. Devo confessar que até o começo do semestre meu conhecimento acerca dos problemas socioeconômicos e das políticas públicas ou se restringia ao senso comum ou a uma única visão das questões, o que inviabilizava qualquer debate ou o tornava vazio”.

LILIAN: “Ao longo do curso, percebi que meu conhecimento a respeito das Políticas Públicas era bastante restrito ao que é veiculado na mídia. Nesse sentido, resumia-se às políticas mais atuais e, mesmo em relação aos resultados, não era tão abrangente como eu gostaria, dado que nem sempre a mídia veicula todos os dados disponíveis.”

LAURENT: “As políticas públicas para tentar resolver problemas sempre existiram, porém a eficiência delas continua questionável. Só recentemente vemos programas que ao que me parecem podem melhorar a vida da população mais carente. Com o curso, pareceu-me ainda mais claro que as políticas tem começado a melhorar. Sempre considerei os programas governamentais como medidas paliativas e que nenhum deles tinha de fato um viés de longo prazo, de forma a manter melhorando as condições de vida para as futuras gerações. Percebia também que os programas dificilmente tinham uma boa articulação inter-regional, sempre feitos por cidades ou por estados, ao mesmo tempo, sem conseguirem solucionar os problemas locais, ou seja, não resolviam o problema, de maneira geral, quanto menos se adequavam à realidade local”.

OLÍVIA: “Principalmente acerca dos temas do primeiro bloco de apresentações, foi possível perceber o tamanho de minha ignorância acerca de assuntos como mineração, questão indígena, reforma agrária, etc. O último assunto era o que eu menos possuía informações a respeito. Por ter sido a apresentação elaborada pelo meu grupo, foi de grande aprendizado.”

MARIANA: “Meu conhecimento sobre os temas, antes do curso, se resumia a uma visão bastante generalista no que tange às políticas públicas brasileiras. Considerava a falta de planejamento e a dificuldade de coordenação entre os entes do governo e até mesmo entre os setores como os principais entraves ao sucesso das políticas públicas no País. Além disso, a descontinuidade das medidas, durante diferentes governos, dificultava ainda mais o alcance dos objetivos. Por isso, a importância da diferenciação entre Política Pública e Política de Governo. Acredito, agora, que essa continuidade foi uma das maiores conquistas dos últimos anos, estando concretizada nos significativos saltos positivos das políticas sociais implementadas”.

JOÃO EDUARDO: “Antes do curso de Métodos de Análise Econômica, era possível ter a visão do todo, mas sem conhecer mais a fundo as principais estratégias adotadas pelo Estado e pela iniciativa privada de fomento ao desenvolvimento regional-espacial do país. Após ter participado dos seminários, visto os documentários, filmes, curtas, e entrevistas apresentados, foi possível obter uma proximidade com os fatos que livro algum poderia ter oferecido. Os seminários e as pesquisas apresentadas foram de extrema importância para fazer com que os alunos ‘entrassem e fizessem parte do tema’, permitindo um conhecimento bem mais profundo do que teria apenas tendo uma participação passiva em uma aula expositiva”.

RAFAEL SILVA: “Nenhum dos tópicos abordados no curso era desconhecido por mim. Confesso que o curso entrou como um espaço para abordá-los com maior consideração e com maior propriedade, através não só da exposição de filmes que, de maneira elucidativa, incorporavam às manhãs um toque de realidade às futuras discussões. As aulas expositivas dos colegas da turma foram unânimes no esforço de realizar a transposição do conhecimento arquivado e disperso na internet, em sites de bancos de dados, sites governamentais, teses e artigos publicados pela imprensa, para o conhecimento fluido da oralidade e da exposição de gráficos, tabelas e comparativos uníssonos para o aprofundamento das discussões”.

Agora, vejamos alguns extratos das respostas para as seguintes perguntas: Qual é sua avaliação do curso? Por que? Sugestões?

PIER: “Minha avaliação do curso é muito positiva. Havia uma certa expectativa com relação ao que seria a disciplina, pois foi o primeiro oferecimento nestes moldes. A minha expectativa inicial era de mais uma disciplina ‘tradicional’, com discussões em grupos (seminários) pouco profundas e com uma avaliação final (prova) de cunho teórico. Todavia, o formato do curso e a forma pela qual foi conduzido tornaram-no diferente de tudo o que já fiz em disciplinas da Unicamp. Os motivos para este diferencial são, basicamente, dois: o compromisso do professor com um modelo de aprendizagem estruturalmente diferente; a possibilidade de trazer, para os alunos, conhecimento muito além do espectro comum. (…) foi muito original, tanto no método de aula, combinando exposições, filmes, e seminários com debates, quanto na avaliação dos alunos pelo professor, realizada por meio dos seminários, como na avaliação do professor pelos alunos, realizada a partir deste ensaio. Ademais, minhas expectativas foram em muito superadas também pelo fato de o professor, nesta disciplina, servindo como mediador das atividades, ter profundo e amplo conhecimento a respeito de temas importantes para a formação de um economista”.

LEONARDO: “Este curso teve o importante papel de preencher uma lacuna grave no curso de Ciências Econômicas da Unicamp, ao apresentar e debater, exclusivamente, temas socioeconômicos atuais da economia brasileira. Uma percepção apurada destas questões contribui para a formação ampla e interdisciplinar de alunos que, se seguirem seus colegas antecedentes, podem assumir cargos de relevância no cenário político nacional. Entretanto, há um aspecto que pode ser alterado, e que tornaria o curso ainda mais proveitoso. Pela abrangência dos temas abordados, pela dificuldade de síntese apresentada pelos grupos que os apresentavam, e , também, pela ausência de uma cultura de debate por parte dos alunos, foram raros os momentos em que os assuntos podiam ser debatidos amplamente por todos os alunos. Na minha opinião, ao menos os 30 minutos finais deveriam ser reservados para uma discussão em que todos pudessem expor e argumentar em favor de seus pontos de vista. O resultado seria um aprendizado ainda maior, não só acerca dos temas tratados, como também no que tange à experiência de debate”.

JOÃO HENRIQUE: “O curso centrado na sequência de documentários que apresentam o tema seguido por seminários e discussões se mostrou bastante inovador e com resultados muito positivos no âmbito de agregar conhecimento novo ao aluno. Uma vez que eram os alunos que preparavam o material para os seminários, esses obrigatoriamente aprendiam profundamente sobre seus temas, com um acréscimo de sair do método monótono e meramente expositivo de aula, dado que a interação [apresentadores-ouvintes] foi bastante intensa, embora no início do curso a turma permanecesse mais silenciosa. Outro ponto positivo para o curso era a vontade de pesquisar, despertada nos debates, uma que vez que, para debater em nível adequado, os estudantes tinham de ir em busca de informações competentes sobre o tema, ainda que os fizessem através de smartphones ou tablets, durante as aulas.

Com relação às sugestões para melhoria, acredito ser interessante o estabelecimento de regras claras e objetivas para os seminários, além de o cumprimento das mesmas de forma a melhorar a organização e maximizar a eficiência no uso do tempo. Por exemplo, estabelecer um limite de tempo exato para apresentação, como sugestão, 60 minutos nos quais nem o professor nem os colegas interromperiam, deixando o restantes da aula dividido em um primeiro feedback do professor, seguido pelo debate do tema, evitando assim debates durante a apresentação. Em suma, fica a melhor estruturação dos seminários como a única sugestão para o próximo semestre, apenas buscando o efeito de maximização do uso do tempo, uma vez que em termos de conteúdo a disciplina foi bastante abrangente e importante”.

RAFAEL FARIAS: “A minha avaliação é extremamente positiva. O curso de Métodos de Análise Econômica foi bastante interessante por diversos aspectos.

Um primeiro ponto a se citar, antes mesmo de se tocar no conteúdo tratado no curso, é a questão da apresentação, tanto no que se refere ao PowerPoint, quanto à maneira de se portar [no palco], de falar, de sintetizar, etc. Acredito que saber comunicar-se, eficientemente, é crucial, tanto no mercado profissional, quanto na vida acadêmica, por este lado o curso foi também bastante proveitoso.

Um segundo ponto refere-se à troca de papeis [atuações] entre professor e aluno. Em curso tradicional, o professor exporia todos os temas, de maneira unilateral, sem incentivar o debate. A inversão de papeis foi crucial para possibilitar aos alunos a tarefa de pesquisar, filtrar, analisar, criticamente, e expor, sucintamente, todas as informações pertinentes ao tema. Ainda que através da supervisão e coordenação do professor, esse processo de separação do seminário mostrou-se bastante rico para a construção do conhecimento individual sobre os temas.

O terceiro ponto é a escolha dos temas. Todos foram bastante interessantes e relevantes ao contexto atual do País, diferente de muitas matérias da graduaçãoo que pecam por não fazer um link com a realidade. O fato de haver muitas polêmicas, incitadoras dos debates, ao longo do curso, foi bastante positivo também, possibilitando a troca de argumentos entre os alunos.

O curso, portanto, foi muito bom!”

MARCELA: “Por ter uma dificuldade homérica em falar em público, os seminários foram válidos por me obrigar a tentar me expressar, já que, do contrário, isso não aconteceria. Pessoalmente, foi um aprendizado enorme tentar articular uma ideia, organizá-la e ter ainda a necessidade de comunicá-la de forma clara. Portanto, os seminários exigiram muita dedicação e esforço. Assim, minha única crítica quanto a isto seria o baixo peso [30%] atribuído a tais apresentações na nota final.

Gostei muito da forma como o curso foi estruturado, os documentários exibidos eram muito interessantes, e deixaram o curso ‘leve’, balanceando o peso dos seminários. Além disso, ao fazer este trabalho, ficou claro o impacto das imagens e das histórias relatadas nos documentários, pois elas me ajudaram muito na recuperação do conteúdo dos seminários. Foi uma matéria de fim de curso que soube harmonizar as exigências da academia, de forma multidisciplinar, sem deixar o descaso ‘reinar’ como acontece na maior parte das vezes quando algo parecido é proposto”.

LILIAN: “Acredito que o curso foi um interessante avanço na forma de apresentar o conteúdo em sala de aula. Dada a atualidade dos temas, foi interessante apresenta-los com os documentários, que trazem um relato muito mais próximo da realidade, de forma que pudemos adentrar em questões que não estão presentes em nosso dia-a-dia de forma tão marcada. Cabe mencionar também que a seleção dos temas foi bastante apropriada e a sequência entre eles permitiu uma evolução e conexão interessante entre os debates. (…) A opção por documentários foi essencial para passar a discussão para além das políticas públicas em si mesmas, mostrando de que forma os cidadão são afetados por elas”.

LAURENT: “Como aspectos positivos do curso vejo o incentivo ao debate, diferentemente das demais disciplinas oferecidas na graduação, nas quais apenas se expõe a visão de determinado autor ou de pensadores similares, não incentivando a construção de uma opinião sobre o tema, tão somente uma reprodução. Nesta disciplina, pode-se observar vários aspectos construtivistas, levando à construção ou reforçando uma opinião prévia do aluno sobre o tema.”

OLÍVIA: “Foi possível aproveitar o ambiente de uma turma pequena – muito raro ao longo da graduação –, porém, podíamos ter explorado mais com ‘rodas de discussão’. Por exemplo, dividindo previamente o mesmo tema em tópicos que seriam distribuídos entre os grupos e, após uma breve apresentação de cada tópico, discutiríamos todos. Ou ainda, ao invés de dividir em tópicos, atribuir a cada grupo um documentário em que ele seria responsável por extrair dois ou três trechos, no máximo, para apresentar o panorama e as principais ideias expostas pelo documentário em cerca de quinze minutos”.

MARIANA: “Avalio o curso de maneira muito positiva. (…) a maneira como foi estruturado (…) além da feliz escolha do método didático com documentários (…) a discussão aberta entre alunos e professor (…) temas bastante atuais (…) [orientações para] elaboração das apresentações em PowerPoint (…) a relevância da interdisciplinaridade, que cumpre muitíssimo bem o papel de superar a fragmentação do conhecimento, criando uma relação entre este, a realidade do aluno e os problemas do mundo moderno. Nesse sentido, minha única sugestão é que mais disciplinas baseadas nesse modelo sejam oferecidas no IE-UNICAMP.”

JOÃO EDUARDO: “A forma de trabalho desta disciplina é muito efetiva, no sentido em que faz o aluno refletir de maneira mais crítica a realidade de um país não só desigual, mas também injusto. O curso remete bastante à criação de arte nacional, em filmes e documentários, e fica menos ligado à bibliografias extensas, atraindo mais a atenção dos alunos que se interessam pela disciplina. Como sugestão de melhoria para a forma de avaliação, pode ser interessante adicionar algumas dinâmicas durante as aulas, não só o debate durante os seminários. Por exemplo, é possível simular um julgamento em sala (no seminário sobre o sistema judiciário) em que metade da sala pode representar a defensoria e a outra metade, os advogados de acusação, que julgarão um crime qualquer cometido, submetendo os alunos à dificuldade real do sistema, assim como na complexidade de não se estabelecer vínculos emocionais com o trabalho e pré-julgar o réu. De 0 a 5 estrelas, esta disciplina merece 5 estrelas pela forma inovadora como foi conduzida e pelo interesse do docente no aprendizado dos alunos.”

RAFAEL SILVA: “O curso foi muito bem aproveitado, gostei de tê-lo cursado, com essa turma e com esse professor. Acredito que a variedade de temas foi positiva no intuito de abranger, em muitas dimensões, uma noção mais real do nosso País, para nós, alunos, que estaremos nos graduando como economistas em curto prazo. Por sua vez, a mesma variedade de temas tornou o curso muito corrido. A dinâmica um documentário-um seminário poderia seria ser interrompida, a cada bloco de quatro semanas, apenas para fazer uma discussão com finalidade de sintetizar os temas tratados. Muitas vezes os documentários ou as apresentações tomavam grande parte do tempo da aula. (…) Achei extremamente positivo a turma ser pequena, dessa forma, nas discussões ao longo do semestre foi possível compreender o posicionamento de cada colega sobre algumas perspectivas gerais de discussão do curso, o que permitiu continuidade de debates paralelos fora das aulas. (…) E por último, e talvez menos importante, eu, pessoalmente, não colocaria essa disciplina com aulas as segundas-feiras às 8:00 da manhã: acredito esse horário ser o pior horário de aula!”

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