Avaliação dos Planos de Previdência Complementar

Desempenho das Aplicações em 5 anos

Obs.: parece-me que o quadro acima informa erradamente rendimentos dos Fundos DI e FRF acima do CDI em 5 anos.

Catherine Vieira é editora de investimentos pessoais. Publicou artigo (Valor, 20/11/13) reavaliando os Planos de Previdência Complementar.

“O ano de 2013 sem dúvida está sendo difícil para quase todas as classes de ativos e para muitos produtos de investimentos. Mas parece particularmente importante falar dos Fundos de Previdência Complementar Abertos: são eles que servem de lastro para os planos do tipo PGBL e VGBL, os quais costumam ser o primeiro (e muitas vezes, infelizmente, o único) caminho procurado pelos brasileiros que decidem começar a poupar para a aposentadoria. Até setembro, os fundos DIs comuns renderam 5,79% e os de renda fixa, 4,77%, como mostram os dados da Associação Brasileira dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). No mesmo período, os fundos de previdência renda fixa com baixa taxa de administração (veja tabela acima) renderam, em média, 2,34%, de acordo com levantamento da NetQuant / Towers Watson.

O desempenho destas carteiras está particularmente com baixo rendimento neste ano corrente por alguns motivos.

O primeiro deles pode ser conjuntural: a forte oscilação dos títulos públicos que pagam a variação da inflação mais um juro real prefixado, as NTN-Bs. Esses papéis estão balançando quase como a bolsa em 2013, mas, em tese, não devem ser motivo de preocupação para o investidor que poupa para a aposentadoria e, portanto, para o longo prazo, uma vez que, se levados a vencimento, esses títulos pagam exatamente o que foi acordado na hora da compra. Os títulos do governo só devem preocupar quem for resgatar em prazo mais curto ou quem tem desconfiança sobre a capacidade de pagamento do país.

Um segundo motivo para o desempenho ruim dessas carteiras parece ser claramente o custo e, mais do que isso, o custo versus a capacidade de gestão. A revista “ValorInveste“, que circulou na semana de 18-22 de novembro, mostrou que, no ranking elaborado pela Standard & Poor’s – e que tem por base a consistência de resultados em janelas de três anos, com ênfase nos seis meses mais recentes -, o número de fundos de previdência que alcançam a distinção máxima das cinco estrelas caiu de 29 em 2012 para apenas 16 este ano.

Os levantamentos da NetQuant /Towers Watson mostram ainda que, quando separados por faixas de taxa de administração, o retrato para os fundos de previdência que têm custo igual ou maior que 3% é pior: os ganhos médios no ano, até setembro, ficam em 1,65%. Considerando que a inflação medida pelo IPCA foi de 3,79% no período, é preciso que o investidor, no mínimo, pare para fazer uma reflexão.

Os especialistas costumam argumentar que não se deve olhar apenas um período tão curto para tomar decisões de mudar qualquer investimento e isso, sem dúvida, é ainda mais verdadeiro para os valores que estão sendo investidos para a aposentadoria, que é um objetivo de longo prazo. No entanto, os dados alargados ainda sugerem que a reflexão sobre como alocar a poupança para o seu futuro parece extremamente relevante.

No período de cinco anos encerrados em setembro de 2013, os fundos DI comuns renderam 60,6%; os de renda fixa, 69%; e os de previdência com taxa inferior a 1,5% deram retorno de 54,9%. Os com taxa igual ou maior que 3% alcançaram 40,15%. Nesse período, que ainda pega um momento econômico diferente, o IPCA teve variação de 30%. Já o CDI variou 59,19% no intervalo. [Parece-me esta informação estar errada.]

Em ambiente de inflação pressionada e juros reais muito menores, como o que vem se desenhando pelo menos nos últimos dois anos, o risco de perda de poder de compra vai se acentuando. Neste contexto, não buscar as melhores opções pode ser fatal e implicar adiamento da hora de se aposentar, redução drástica do padrão de vida no futuro ou ambas as coisas.

Muitos brasileiros só pensam nos planos de previdência como opção na hora de poupar para aposentadoria, embora a diversificação seja uma recomendação de muitos especialistas em finanças pessoais, como mostrou reportagem de Fernando Torres, também na “ValorInveste“. Outros produtos de investimento podem ser válidos para investir recursos que serão usados como forma de complementar renda na hora de parar de trabalhar. Fundos comuns, imóveis, títulos públicos comprados diretamente por meio do sistema Tesouro Direto, ações e outras aplicações (desde que devidamente autorizadas pelos órgãos reguladores, é importante consultar o site cvm.gov.br).

Isso não quer dizer que os planos de previdência não tenham vantagens. Eles oferecem diferimento de imposto e dois aspectos muito positivos para quem é indisciplinado: a possibilidade de destinar automaticamente uma parcela mensal para a aplicação e um ‘pênalti’ que inibe saques prematuros. Mas vale lembrar que neste momento a indisciplina provavelmente está custando mais caro. Como em qualquer decisão de consumo ou investimento, comparar a melhor relação custo x benefício tende a ser ainda mais crucial. Isso vale também para os planos oferecidos, com contrapartida, pelo empregador. Vale a pena pesquisar e questionar se você ou sua empresa estão com a melhor alternativa possível. Inclusive porque existe a alternativa da portabilidade dos recursos entre planos.

Quando os consumidores pressionam os prestadores de serviço por melhores condições, a tendência é que a oferta melhore. Comparar, negociar e avaliar a opção mais adequada são atitudes que valem para qualquer compra, mas devem ser uma preocupação ainda maior quando o ‘bem’ a ser adquirido é um futuro mais tranquilo.”

OBS.: Catherine Vieira deveria ter incluído em sua análise  comentário sobre a vantagem fiscal de 12% da renda bruta anual em PGBL para quem faz a DIRPF Modelo Completo. Deve ser contabilizado eventual devolução do IR descontado na fonte pagadora como parte do rendimento.

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