Arte sobre a pobreza tem mais impacto que pesquisas (por Felipe Gutierrez – Folha de S.Paulo)

O Mundo pelo Cinema

Conversei quase uma hora por telefone com o repórter Felipe Gutierrez da Folha de S.Paulo sobre minha experiência de usar Cinema no Ensino de Economia, seja com dramas/épicos históricos, seja com documentários brasileiros. Os seguidores deste modesto blog conhecem-na bem através dos programas — Economia no CinemaEconomia Monetária Através de Filmes, Métodos de Análise Econômica — ou via as avaliações discentes sobre os cursos — Avaliação Discente do Curso Métodos de Análise Econômica e  Avaliação Discente do Curso Economia no Cinema. Bem, a longa conversa, em que falei bastante sobre a empatia despertada nos alunos, o conhecimento interdisciplinar, e a complementação do interesse criado pelos filmes com pesquisa em literatura, sites e estatísticas — rendeu duas linhas na matéria publicada hoje (FSP, 15/12/13)… Confira abaixo.

“A forma como livros e filmes mostram populações pobres ou países em desenvolvimento influencia mais as organizações multilaterais do que pesquisas econômicas.

Pelo menos é o que afirmam três pesquisadores que publicaram um estudo pelo Banco Mundial em junho e que, recentemente, lançaram um livro sobre esse tema.

O raciocínio dos autores é que as instituições multilaterais são compostas por governos, que, por sua vez, são influenciados pelas opiniões do público de seus países.

E pouca gente lê artigos. O que se sabe sobre um país pobre é, geralmente, descoberto em livros e filmes.

Dennis Rodgers, um dos autores e professor de sociologia da Universidade de Glasgow, diz que isso pode ser positivo: um relatório nunca fará alguém ser voluntário por uma causa, mas um filme teria esse poder.

O estudo, no entanto, diz que pode haver falhas nos retratos de pobreza. Rodgers lista dois: a simplificação excessiva e a figura do europeu ou do americano “herói”.

“Na maioria dos filmes, o conhecimento, a tecnologia e a bondade vão do Norte ao Sul. E, se olharmos para como o desenvolvimento funciona, muitas inovações vieram do Sul para o Norte, como o orçamento participativo, que começou no Brasil.”

Cidade de Deus” é citado como “um dos primeiros a chamar a atenção, no circuito de cinema dos países ricos, para o tema da violência urbana, crítico para o desenvolvimento econômico”.

No texto, os autores lamentam que ele seja exibido em universidades como um “quase documentário”, algo que ele não se propõe a ser.

Hotel Ruanda“, que retrata o conflito entre duas etnias na década de 1990, vai “além da disputa entre o bem e o mal para mostrar pessoas em práticas boas ou más”, como salvar vidas ou lavar dinheiro.

O filme mostra “o negócio de transferências internacionais de dinheiro para solidariedade”, em que bilhões de dólares são aplicados nem sempre de forma eficaz.

Na Unicamp, o professor Fernando Nogueira da Costa ministrou pela primeira vez neste ano um curso sobre economia no cinema, no qual apresenta um filme por aula.

Para ele, filmes aguçam a visão multidisciplinar. Mas são sempre acompanhados de dados, como o documentário “Pro Dia Nascer Feliz“, que mostra alunos em diferentes escolas do país, acompanhado por relatórios sobre o ensino no Brasil.”

Leia maisA projeção do desenvolvimento: representação cinematográfica como uma outra fonte de conhecimento

2 thoughts on “Arte sobre a pobreza tem mais impacto que pesquisas (por Felipe Gutierrez – Folha de S.Paulo)

  1. Oi Professor,

    Esse semestre ofereci uma disciplina, na verdade uma disciplina eletiva, atividade complementar, com cerca de 15 filmes/documentários sobre a ditadura militar no Brasil. O intuito era inserir o aluno na realidade dura que a economia brasileira viveu entre 64 e 85, que achava completamente fora da bibliografia sobre economia brasileira à época, mesmo a mais progressista.
    Sem dúvida nenhuma os filmes ajudaram muito os alunos que faziam simultaneamente a disciplina Economia Brasileira 1, que eu leciono.
    Depois dessa experiência,pretendo seguir como o senhor aí na Unicamp, acreditando que a arte pode sim contribuir para o conhecimento e a formação de cidadãos mais conscientes, principalmente nossos futuros economistas. Como sua disciplina foi a base de inspiração, agradeço em nome de toda a comunidade que participou do CineOikos esse semestre, que foi só o primeiro de, espero, muitos que virão.

    att,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s