Retórica Eleitoreira X Debate Pré-Eleitoral

Aécio e Campos jantam juntos no RJ

“Não acredito em plano de governo encomendado a especialistas, iluminados. O que temos nesse momento são a oposição ao PT”. Ganha o Prêmio Bidú quem adivinhar qual candidato de oposição disse isso. Em outras palavras, quem pretende governar não para melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro, mas simplesmente pela obsessão ideológica direitista de derrubar o PT do governo eleito?

Sendo assim, esse candidato oposicionista minimiza a necessidade de um programa estruturado de governo. “Não tem essa de discurso para empresário ou povão. Não acreditamos em nada disso. Talvez por isso tenhamos perdido as últimas eleições. Mas esse discurso [centrado apenas na crítica ao governo petista]  vai nos ajudar a ganhar esta”, afirmou um dos seus assessores mais próximo. Sem nenhuma proposta nova?!

No entanto, deixando essa retórica eleitoreira de lado, na prática, o circuito de Aécio Neves se restringe a mais um encontro com empresários cariocas, aliados históricos do PSDB, como o presidente da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), o maior milionário do Rio de Janeiro, os amigos do candidato, como donos de academias e restaurantes, e do ex-presidente do Banco Central no segundo Governo FHC, Armínio Fraga, ou seja, cerca de 15 empresários cariocas. Esses simpatizantes nunca levaram o PSDB ganhar uma eleição no Estado do Rio.

Em todos os momentos, a estratégia é consolidar a imagem do partido como oposição ao governo do PT. “O ponto de partida para o programa de governo é o contraponto com o PT. Não concordamos com tudo isso que está aí”. Logo, a dedução lógica do eleitor é que, se a oposição ganhar, irá descontinuar “tudo isso que está aí”! Inclusive a inclusão social!

Esse tom exclusivo de enfrentamento ao PT já custou a perda do marqueteiro da campanha, que discordava dessa estratégia eleitoral da comparação: quem compara, perde! É necessário discernimento para avaliar, organizar as próprias percepções – e relativizá-las de maneira racional e não emocional.

É possível fazer contraponto com a agenda de 12 pontos que devem nortear o programa de governo dos tucanos. Cabe, neste post, apenas alguns exemplos. São suficientes.

“O Brasil enfrenta hoje um processo de perda de credibilidade e de aumento das incertezas. Numa combinação perversa, a inflação está alta, o crescimento é baixo e o déficit das contas externas, ascendente”. Não é verdade. O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) permanece em alto patamar (~US$ 65 bi). Os leilões das concessões estão sendo bem disputados. Parece que o PSDB tem de “baixar ao Planeta Terra”, para perceber que há crise internacional. Estamos na segunda perna do W em termos de crescimento desde a explosão da crise de 2008. Mas a taxa de inflação continua sob controle, abaixo do teto da meta (~5,8%aa), o crescimento está sendo retomado (~2,3%aa), e o déficit externo bem financiado, sem nenhum risco de depreciação descontrolada da moeda nacional, pois se acumulou US$ 380 bilhões de reservas cambiais. Enfim, estamos com relativamente bons indicadores macroeconômicos, no contexto de crise mundial, fundamentos propícios aos projetos de longo prazo em andamento.

“O aumento ilimitado dos gastos compromete as contas públicas e prejudica a melhor utilização do dinheiro pago pelos contribuintes. Arrecada-se cada vez mais e investe-se cada vez menos”. Os gastos públicos que aumentaram, desde que assumiram os Governos Social-Desenvolvimentistas de Lula e Dilma, foram gastos sociais ligados às políticas públicas de combate à miséria e às políticas sociais ativas na área de Educação, Saúde e Previdência Social, inclusive pelo aumento real do salário mínimo. O PSDB pretende cortar os gastos sociais?!

A carga tributária não subiu muito além da recebida de FHC: ~36% do PIB. É muito abaixo das cargas tributárias dos países de Bem-Estar Social europeus, como os nórdicos (~50% do PIB). O Governo Dilma prioriza políticas sociais ativas, inclusive como forma de elevar a mobilidade social para ampliar o mercado interno. Graças a essa política, o Brasil já tem o quinto maior mercado interno do mundo em número de consumidores inclusos, tendo superado o da Alemanha, em ranking por países. Com isso, o País atrai capital estrangeiro para estar presente nessa fronteira de expansão.

“Agências reguladoras, estatais e instituições como a Petrobras e o BNDES, patrimônio de todos os brasileiros, foram transformadas em instrumentos de um projeto de poder, causando enormes prejuízos ao país e aos brasileiros”. Todas essas instituições citadas se associam, no Capitalismo de Estado brasileiro, com capital privado nacional e estrangeiro e capital de origem trabalhista, como os fundos de pensão, o FGTS e o FAT. Estes fundos sociais são funding para financiamento em longo prazo dos investimentos em infraestrutura e logística.

A Presidenta Dilma tem uma visão de estadista, pois os resultados dos investimentos em andamento se apresentarão além até do eventual segundo mandato, caso reeleita, o que é esperado. Por exemplo, a terceira maior hidrelétrica do mundo (Belo Monte) e a extração do petróleo do pré-sal estarão apresentando os primeiros resultados no início da próxima década.

“Os brasileiros têm direito de saber onde foi parar cada centavo emprestado pelo BNDES e a que objetivos eles efetivamente estão servindo”. Nunca as informações foram tão transparentes, sendo apresentadas em sites de acesso público. BNDES é um banco – e banco é obrigado a preservar o sigilo bancário sobre os projetos financiados, senão afeta as disputas dos mercados por concorrentes. A Petrobras está implementado o maior pacote de investimentos em andamento no mundo. O Brasil se tornará também uma economia exportadora de petróleo!

“Vivemos num dos países mais fechados ao comércio exterior no mundo: somos a sétima maior economia do mundo, mas apenas o 25° maior exportador”. Quando a economia brasileira se tornar exportadora de petróleo, na próxima década, ela sairá do 25o. lugar histórico no ranking de exportadores, superando muitos exportadores de petróleo e países da Eurozona, bloco comercial que tem o maior mercado integrado mundial. O Fundo Social propiciará investimentos em Educação, Ciência & Tecnologia, e Saúde, de maneira inédita em termos históricos. Aécio Neves demonstra não compreender essas oportunidades que o País está aproveitando para dar o maior salto de qualidade de vida de seu povo na história.

“A negociação de um acordo abrangente e equilibrado entre Mercosul e União Europeia deve ser concluída, mesmo que, para tanto, o Brasil avance mais rapidamente que outros membros do bloco para deles não ficar refém”. Não se deve precipitar, como os neoliberais queriam fazer ao criar a ALCA, e, agora, abrindo o acesso ao 5o. maior mercado consumidor sem nenhuma contrapartida, seja em IDE, seja exigindo o corte de subsídios agrícolas dos europeus. Por exemplo, com as exigências do regime automotivo, adotado no Governo Dilma, está se atraindo muitos investimentos estrangeiros na indústria automobilística.

A própria base serrista paulistana acha as propostas tucanas muito genéricas e quase nada avançam no debate. Editorial da Folha de S. Paulo afirma que, “do ponto de vista político, o discurso do presidenciável tucano carece de contornos mais demarcados e de simbologia de impacto. (…) a postulação de Aécio Neves não demonstrou, por enquanto, ter inspiração para revigorá-lo [o debate]”.

Não surpreenderá se, nesta eleição de 2014, Dilma superar a desvantagem de 1,8 milhão de votos que obteve em relação a Serra no Estado de São Paulo em 2010. Dividirá o eleitorado conterrâneo (e o carioca) com o mineiro. Lula, conterrâneo de Eduardo Campos, se encarregará de lembrar ao eleitorado de Pernambuco de todos os investimentos federais lá realizados. Os demais eleitores também desejarão a continuidade das políticas sociais ativas e da baixa taxa de desemprego.

FSP 051213 Eleitorado no Nordeste

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