Rendimentos dos Diretores Financeiros no Brasil: Mérito Profissional e/ou Relacionamento Pessoal?

Vantagem Competitiva dos Executivos Brasileiros

Edson Valente (Valor, 11/12/13) informa que, “em 2014, os salários pagos para executivos de Finanças e de Contabilidade em grandes indústrias no Brasil estarão entre os maiores do mundo, de acordo com estudo realizado pela consultoria Robert Half.

Para chegar aos números que indicam os valores mínimos e máximos dos rendimentos brutos desses executivos no Chile, Brasil, Estados Unidos, Japão, Austrália e Reino Unido foram consultados 25 mil profissionais e candidatos a cargos financeiros e contábeis. As projeções para o ano que vem levam em conta as variações percentuais de reajuste esperadas para cada posição.

É nas empresas brasileiras que os diretores financeiros vão ganhar mais, tanto na faixa dos menores como na dos maiores salários auferidos. Os recebimentos mensais brutos para essa função aqui devem variar de US$ 12.870 (R$ 29.891) a US$ 34.320 (R$ 79.708) e chegarão a ser o dobro do que se paga nos EUA – lá, a variação será de US$ 11.833 a US$ 17.000. Já o teto do Chile para o cargo é de US$ 28.791 e só perderá para o do Brasil.

Gerentes de contabilidade também encontrarão no mercado nacional as melhores oportunidades salariais e receberão entre US$ 6.435 (R$ 14.945) e US$ 10.725 (R$ 24.909). Nesse caso, o Chile novamente responderá pelos segundos melhores valores, US$ 5.758 no piso e US$ 10.557 no teto. Para os cargos de controller e de gerente de auditoria, os valores máximos vão estar no mercado chileno – US$ 17.274 e US$ 14.395, respectivamente. No Brasil, corresponderão a US$ 15.015 (R$ 34.872) e US$ 10.725 (R$ 24.909).

Os montantes no Brasil foram puxados para cima em 2013 pelo fato de ter sido um período em que as empresas deram prioridade a arrumação da casa em vez de apostarem na expansão. Desse modo, buscaram bons profissionais do setor para melhorar os sistemas gerenciais financeiros, acertar a contabilidade e identificar onde poderiam reduzir custos. É um ciclo do mercado. Agora, passarão de novo a focar estratégias de ganho de mercado e de busca de novos negócios. Isso fará com que as áreas de marketing e de engenharia sejam valorizadas nesse novo momento.

Porém, embora a fase de organizar os fluxos monetários deva ser substituída por táticas de crescimento, as companhias continuarão demandando profissionais qualificados da área financeira, impulsionando aumentos salariais para esses especialistas, de acordo com o estudo. Esses incrementos devem se refletir sobretudo nos salários fixos, mas os bônus vão se manter como fator de atratividade para os talentos. Os processos de seleção, por sua vez, devem se tornar mais rigorosos. Perfil parceiro do negócio, estabilidade nos empregos anteriores, foco no resultado e habilidade para lidar com pessoas serão exigidos dos candidatos.

A metodologia da pesquisa apresentou variações nos diferentes países. A apuração partiu em todas as regiões da mesma base média de faturamento das empresas pesquisadas, o equivalente a R$ 500 milhões. Dessa base, provêm os salários menores. Os limites de faturamento, contudo, não foram uniformizados. Assim, os salários máximos valem para companhias de tamanhos que não necessariamente são equivalentes. Aqui, foram analisadas empresas que, em sua maioria, faturam de R$ 200 milhões a R$ 1 bilhão.

O cenário positivo para os executivos de finanças e de contabilidade se restringe à indústria, uma vez que as médias salariais do mercado financeiro têm oscilado negativamente”. É verdade? Veja abaixo e compare o salário médio do executivo financeiro com a média salarial do setor financeiro: mínimo de R$ 29.891 do CFO contra R$ 4.684 dos outros trabalhadores. Mais de 6 vezes maior!

Salários em convergência

Por outro lado, Camilla Veras Mota (Valor, 27/12/13) informa que a remuneração dos trabalhadores da indústria, tradicional pagadora dos melhores salários do setor produtivo, tem aumentado em velocidade menor do que a média dos segmentos. Em 2003, ela era 13% maior do que o da média da economia brasileira. Desde então, a diferença vem caindo e, no ano passado, chegou a 2,2%, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

A perda de espaço do setor na economia, com o avanço dos serviços e a descentralização geográfica da indústria estão entre os motivos da mudança na dinâmica das valorizações salariais. A remuneração paga pela indústria continua maior do que aquela dos setores de serviços, comércio e agricultura, mas há uma tendência cada vez mais forte de convergência.

O crescimento em menor velocidade é puxado principalmente por reajustes mais modestos em segmentos que usavam capital de maneira mais intensiva e costumavam pagar melhor – metalúrgica, mecânica, material de transporte, material elétrico. A remuneração média paga pelas empresas de material de transporte no fim de 2012, por exemplo, era de R$ 3.339,21, 67,2% maior do que a média dos 25 segmentos listados pelo IBGE. A diferença é ainda significativa, mas em 2003 era quase o dobro – R$ 2.125,07 – em relação à media (R$ 1.118,55).

Por sua vez, a valorização nominal da indústria de material de transporte entre 2003 e 2012 (57,1%) foi a mais baixa entre todos os setores, perdendo até mesmo para a do salário médio de Instituição Financeira (67,1%). Este era, disparadamente o maior de 2003, alcançando a média de R$ 2.803,08 – sendo quase 3 vezes maior do que o salário médio dos segmentos (R$ 985.30). Como mais um indicativo da diminuição da concentração da renda do trabalho, seu menor crescimento levou-o a R$ 4.684,54 — o segundo maior, abaixo da Indústria Extrativa Mineral (Vale) com R$ 4.778,14. Ficou 2,35 vezes maior do que o salário médio dos segmentos (R$ 1.996,90). Em dez anos, este mais do que dobrou (102,7%) em termos nominais.

A correlação com um governo social-desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores é a causalidade?

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