Liberais Conservadores

Liberais Conservadores

Os principais interlocutores dos socialistas utópicos eram os liberais. Sob o impacto da Revolução Francesa, o liberalismo tendeu a deslocar-se para posições comprometidas com o conservadorismo.

Edmond Burke (1729-1797) afirmava que o que os revolucionários haviam demonstrado na França é que as massas, convocadas pelos demagogos que faziam a pregação da igualdade, fizeram tumultos, criando uma situação caótica. O vazio de poder foi preenchido por uma ditadura. Portanto, para preservar a liberdade, era preciso combater as perigosas ilusões de igualdade.

Os liberais se mostravam muito preocupados com os “excessos” dos movimentos de massas e insistiam na importância da “moderação”. A forma de governo republicana teria se desgastado pela Revolução Francesa, então, o liberal Benjamin Constant (1767-1830) preferia a Monarquia Constitucional à República. Os liberais eram otimistas, sobretudo, a respeito da “livre economia de mercado”, pois achavam que a concorrência levaria ao desenvolvimento econômico.

Alexis de Tocqueville (1805-1859), depois de uma viagem aos Estados Unidos, concluiu que a experiência da sociedade norte-americana deixava claros os riscos da igualdade democrática e do individualismo exacerbado. Um conformismo generalizado poderia gerar indivíduos parecidos, todos voltados para a vida privada, desinteressados da política. Isso abriria caminho para uma “tirania da maioria”.

John Stuart Mill (1806-1873), apesar da sua simpatia pelo feminismo e de seu interesse pelas ideias socialistas, não conseguiu superar sua perspectiva elitista e sua pouca confiança nas massas populares. Daí sua má vontade em relação ao voto secreto e ao sufrágio universal.

Henry David Thoreau (1817-1862) preconizava a desobediência civil que mais tarde viria a influenciar Ghandi, na Índia, e Mandela, na África do Sul. Thoreau se recusava a pagar impostos se não pudesse, como cidadão, controlar a aplicação do dinheiro. Ele queria saber onde e em que seu dinheiro seria usado. Tinha uma desconfiança exacerbada contra qualquer Estado, intrinsecamente ruim.

Herbert Spencer (1820-1903), teórico do “darwinismo social”, empenhava-se em fazer recuar a intervenção do Estado e em fazer prevalecer a dinâmica do mercado livre, capaz de viabilizar “a sobrevivência apenas dos mais aptos”. Advertia às “almas sensíveis”, que se condoíam com o sofrimento da multidão de miseráveis, para o fato de que, na medida em que a sociedade mantivesse abertos os caminhos da ascensão social, quem trabalhasse poderia melhorar de vida. De modo que os contingentes de indigentes não eram compostos de pobres virtuosos injustiçados e sim de preguiçosos e vagabundos. Portanto, culpabilizava pela pobreza os próprios pobres. Foi o mais famoso representante do liberalismo conservador.

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