Economia Institucional e Economia Comportamental

Cuestion_de_logica

David Dequech no artigo “Economic institutions: explanations for conformity and room for deviation” (Journal of Institutional Economics, 9(1): 81-108, 2013), afirma que “mais diálogo e integração também são necessários, tanto dentro da Ciência Econômica quanto entre diferentes disciplinas das Ciências Sociais”.

Ele está preocupado em levantar explicações para a conformidade dos agentes com regras institucionais existentes na vida econômica. Baseia-se na Nova Economia Institucional (NEI), e tenta adicionar contribuições de diferentes vertentes da Economia, bem como de outros disciplinas. A principal questão cuja resposta é discutida por Dequech é: o que leva os agentes individuais ou coletivos, inclusive aqueles em busca de um ganho pecuniário, a seguir uma regra institucional econômica existente?

Diante dessa questão, ele enfoca as instituições que não são organizações, embora muitas sejam instituições dentro das (ou entre as) organizações. As instituições, incluindo as informais, são muito mais generalizadas e importantes nos mercados do que os economistas costumam perceber, mesmo quando se reconhece que os mercados são conjuntos de instituições.

Instituições, por um lado, emergem através do aumento do número de adeptos de uma determinada regra, embora institucionalização e difusão não sejam as mesmas coisas. Por outro lado, a conformidade com uma instituição pode ser o resultado de um hábito socialmente difundido, em vez de uma decisão consciente de agir ou pensar de uma maneira particular.

Não devemos negligenciar o papel de hábitos e processos subconscientes, que se manifestam em muitos casos de conformidade com as instituições. Nem todos os agentes econômicos e nem alguns durante todo o tempo são “escravos de hábitos”. Hábitos não são apenas frutos de pensamentos automáticos, pois muitas vezes resultam da repetição de pensamento e ação consciente. Embora os hábitos possam ser, de fato, um fator conservador, eles também podem liberar a atenção para ser utilizada em escolhas conscientes, seja para desviar-se, seja para conformar-se.

Assim, as pessoas costumam seguir algumas instituições de forma consciente. Mas, em muitos casos, seguem sem ter consciência do caráter institucional de seu comportamento e de suas regras mentais. A lógica da ação é um conjunto de regras socialmente compartilhadas e recorrentes de pensamento e comportamento, ou seja, os modelos mentais e as regras de comportamento.

Neste ponto, o conceito psicológico de vieses heurísticos, adotado pela Psicologia Econômica ou Economia Comportamental, pode completar o raciocínio acima. Os  investidores confiam em regras simplificadoras, baseadas em falsas generalizações, para tomar suas decisões práticas. A maioria dessas “regras de bolso” é inconsistente, o que faz com que tenham  crenças  enviesadas.  Eles têm sua percepção sobre o risco e sobre o retorno de investimento bastante dependente da forma como o problema é apresentado.  Portanto, o viés heurístico e a dependência da forma podem fazer com que o mercado se torne ineficiente, ou seja, com preço diferente do valor fundamental de cada ativo esperado pela sabedoria convencional dos economistas.

A partir dos anos 1960, a Psicologia Cognitiva estudou o processo mental que está, hipoteticamente, por detrás do comportamento, tecendo críticas ao pressuposto da racionalidade completa e destacando a importância dos fatores emocionais na tomada de decisão dos agentes econômicos. Nos anos 1970, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tvesky explicaram anomalias devido à racionalidade limitada, contrapondo-se desta forma aos axiomas da Teoria da Escolha Racional.

Há um mnemônico que serve para facilitar a memorização dos dez vieses heurísticos: ERRADO PSDA. Um tucano confirmaria: “está errado mesmo!” Um petista retrucaria: “Tanto faz, está errado seja como PSDA, seja como PSDB”. A maioria silenciosa acharia que “este é um falso problema”… O importante é todos se lembrarem de maneira fácil das primeiras letras dos vieses:

  1. Excesso de confiança (comprar antes da alta e vender antes da baixa);
  2. Reação exagerada (euforia pela nova era, pânico na fuga);
  3. Representatividade (avaliação de probabilidade baseada em uma única opinião alheia de suposta “autoridade” não representativa);
  4. Ancoragem (“valor do investimento inicial a gente nunca esquece”);
  5. Disponibilidade (“a memória é curta e seletiva”, logo, imagina-se que só a que está disponível imediatamente na mente é a relevante);
  6. Otimismo (“todos se consideram acima da média”);
  7. Perseverança (validação ilusória através de “confirmação exclusiva com quem pensa igual” leva a perseverar no erro de avaliação) ;
  8. Similaridade (“semelhança com a verdade não é o mesmo que verdade”);
  9. Diversificação ingênua (preferência pelo familiar ou conhecido e seleção da carteira de ativos baseada na “regra 1/n”);
  10. Aversão à ambiguidade (evita a responsabilidade de tomar decisões arriscadas apoiando-se em um “bode-expiatório ou recall psicológico”).

Pequenas diferenças no código genético resultam em comportamentos humanos instáveis e imprevisíveis. As possibilidades de comportamento diárias são infinitas, pois ele está sujeito às ações de muitas forças biológicas, cognitivas e culturais. Algumas se anulam, outras se reforçam na mesma direção. Possuímos mecanismo adaptativo ao ambiente natural e social.

É possível ter modelo para predizer comportamento, desde que há muitos fatores envolvidos? Humanos, aparentemente, têm livre arbítrio. Sem limites, a explicação de grande parte do comportamento humano torna-se um processo extraordinariamente complexo. É produto de muitos fatores diferentes – instintivos, psicológicos, racionais ou emocionais – e a predição se torna impossível. A aleatoriedade, então, é parte intrínseca de nossas características neurais.

Lógicas de ação são instrumentos úteis para o estudo do comportamento individual e coletivo, pois as circunscrevem. Os economistas não devem só ficarem focados sobre a lógica do mercado, mas sim abrirem a sua disciplina para outros tipos de consideração referentes a lógicas que são relevantes para a compreensão de questões econômicas. Pesquisa sobre este tema é essencialmente multidisciplinar. Há vários domínios de ação em que a noção de lógica pode aplicar e que podem estar envolvidos em uma dada situação social.

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