Ataque Especulativo ou Terrorismo Psicológico

Desempenho dos 5 frágeis5 frágeisRisco BrasilBrasil X MéxicoPrincipais indicadores econômicos Governo DilmaDesemprego e RendimentoConsumo de Energia ElétricaIEDIED brasileiro no exteriorFusões e AquisiçõesIED ChinêsAlta de Juros nos Emergentes

O ataque especulativo à paridade cambial surge do abrupto aumento das decisões privadas de venda da moeda doméstica e dos ativos nela denominados, ou seja, da tentativa de manter-se “comprado” ou “credor” na divisa estrangeira hegemônica. Os países são vítimas de ataques especulativos, realizados por especuladores, que tentam à força a mudança na paridade cambial, visando ganhos financeiros de curto prazo. Ele torna-se o determinante das paridades cambiais à revelia do estado dos fundamentos do país atacado.

Na hipótese de estratégia de proteção ou administração de risco, segundo os idolatras de O Mercado, trata-se de uma reação racional e preventiva a uma política fiscal e monetária inconsistente com a taxa de câmbio administrada. A especulação seria defensiva, face à debilidade dos fundamentos cambiais, e sob forma de hedge de dívida em dólares, para evitar perdas cambiais.

O banco central busca defender a paridade cambial corrente, para evitar choque cambial que se transforma em choque inflacionário. Atende então o crescimento da demanda privada por divisas estrangeiras via a utilização das reservas cambiais que dispõe. Mas a contínua fuga de capital conduz à queda de reservas internacionais e à contração da base monetária.

O conseqüente aumento da taxa de juros doméstica produz:

  1. encarecimento da alavancagem especulativa;
  2. atração para aplicação em ativos financeiros domésticos;
  3. efeitos deletérios sobre o sistema econômico.

A interpretação ortodoxa tradicional afirma que os ataques especulativos contra certas moedas constituem uma reação racional dos agentes privados frente a uma política macroeconômica inconsistente no longo prazo. Por exemplo, a combinação de política de câmbio fixo com política fiscal/monetária expansionista leva à queda das reservas internacionais e, em conseqüência, a falta de sustentação desse regime cambial. Mas essa interpretação não se sai bem quando é testada face às evidências empíricas da crise cambial atual.

A interpretação ortodoxa reciclada aparece na literatura de equilíbrio múltiplo da taxa de câmbio. Seu objetivo é justificar como a definição do nível de equilíbrio da taxa de câmbio poderia depender das expectativas cambiais privadas prevalecentes no mercado. Afirma que a relação entre a taxa de câmbio e os fundamentos macroeconômicos é “intermediada” pelas expectativas privadas relacionadas à taxa de câmbio. O alinhamento dessa taxa com os chamados fundamentos macroeconômicos não se mostra suficiente, para explicar a dinâmica cambial, por causa do fenômeno de profecias auto-realizáveis, no mercado cambial.

A abordagem institucionalista aponta a instabilidade como inerente à ordenação micro-estrutural do mercado global de câmbio em função de sua organização institucional. Pela interação entre os market makers, pelas formas de efetivação das transações e pelos meios de circulação das informações, etc., em contexto internacional de livres fluxos de capitais voláteis e predomínio de regimes de taxas de câmbio flutuantes, torna-se natural a formação de um ambiente propício e estimulante aos ataques especulativos a países com a taxa de câmbio administrada. Portanto, esta interpretação heterodoxa sugere que os ataques especulativos são fenômenos gerados, endogenamente, no mercado. São baseados também em fundamentos microeconômicos negligenciados pela ortodoxia.

Uma dedução lógica dessa tese é que os fenômenos de bolhas de ativos e ataques especulativos são fenômenos assemelhados, no mercado de moedas contemporâneo. São epifenômenos – fenômenos cuja presença ou ausência não alteram o que se toma principalmente em consideração: o fato de serem originados e sustentados pelo mesmo arranjo micro-estrutural desse mercado.

Ambos são resultados das expectativas prevalecentes entre os agentes privados quanto ao risco cambial (com a depreciação esperada atingindo o cupom cambial) e às possibilidades de ganhos rápidos em apostas contra determinadas paridades cambiais. São frutos do mesmo processo de interação e troca de “informações” entre os agentes, i.é, os especuladores de O Mercado e os acólitos economistas-chefes.

Depois de figurar entre as estrelas do bloco de países conhecido como Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil agora passa a fazer parte do grupo de mercados que vem sendo chamado pelos especuladores de “os cinco frágeis”. Supostamente, eles apresentam maior vulnerabilidade nas contas externas e têm sido os mais afetados pela onda de venda generalizada de moedas emergentes. Ao lado de Brasil, estão nesse novo grupo Turquia, Índia, Indonésia e África do Sul.

A fuga de capitais desses mercados, que tem sido provocada pela menor liquidez global, diante da normalização da política monetária dos EUA, e de desaceleração da economia da China, levou os bancos centrais de Brasil, Índia, Turquia e África do Sul a elevarem a taxa básica de juros para tentar segurar a queda de suas moedas.

Desde quando o Fed (Banco Central dos EUA) mencionou pela primeira vez, em 22 de maio de 2013, a possibilidade de retirada dos estímulos monetários, O Mercado começou o “ataque especulativo” e/ou “terrorista-psicológico” contra a Turquia e a África do Sul como os mais vulneráveis entre os emergentes, vindo em seguida Brasil, Índia, Indonésia, Chile, Tailândia e Peru, que supostamente sofreriam mais com a desaceleração da China.

Apesar de o Brasil ter fundamentos melhores que os demais países do grupo dos “cinco frágeis”, o real apresenta desempenho pior que a rupia da Indonésia e da Índia. O governo indiano promoveu uma série de reformas desde o ano passado, inclusive com a troca do presidente do banco central, que foram vistas como positivas por O Mercado, ou seja, provavelmente imagina ser gente mais submissa a Ele. O dólar acumula alta de 1% no ano sobre a rupia indiana, até 30 de janeiro de 2014, ante valorização de 2,1% em relação ao real. A moeda brasileira, no entanto, tem desempenho melhor que a lira turca e a o rand sul-africano.

“Brasil e Índia vêm enfrentando um problema de desaceleração do crescimento e inflação alta, o que aumenta o pessimismo dos investidores em relação a esses mercados”. Isto é verdade?! Apesar desse falso alarmismo, as estatísticas acima destacam que o Brasil, comparado aos cinco frágeis, possui fundamentos melhores, apresentando a maior reserva internacional (US$ 375,8 bilhões: 10,7 vezes a dívida externa de curto prazo) e um dos menores déficits em conta corrente: 3,6% do PIB. E perspectivas econômicas muito boas!

Pergunta-final: a quem interessa essa desestabilização especulativa com a alarmista “denúncia-vazia”?

Resposta:

  1. a quem deseja comprar ativos baratos, seja ações das empresas brasileiras, inclusive da maior delas, a Petrobras, ou
  2. a quem negaceia para negociar, afinal, preços mais baixos nos leilões de concessões.

Espanta concorrentes, afugentados com a “suposta” fragilidade dos fundamentos e das perspectivas brasileiras. Os impressionáveis com essa farsa adotam a típica postura de “engana-me que eu gosto”…

Brasil 2010-2013Brasil 2010-2013 II

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