Fundos de Previdência Privada Complementar: PGBL / VGBL

PGBL : VGBL

Mais um resultado da calamitosa recomendação de “desindexação” (fim da LFTs), feita por meus colegas economistas anti-financistas, em área que eles não dominam, pelo contrário, abominam: Finanças Pessoais.

Sérgio Tauhata (Valor, 09/01/14) informa que, “ao contrário do clima de tranquilidade e bem-estar que, em geral, sugerem as propagandas dos produtos de previdência privada, o ano de 2013 veio para mostrar um lado mais turbulento do setor. Quem sempre imaginou os investimentos do gênero como um caminho zen, de rentabilidade continuamente crescente, levou um susto. As emoções foram fortes ao longo do ano passado. E se aproximaram daquelas experimentadas por segmentos do mercado de capitais mais sujeitos à volatilidade, como a renda variável.

Em 2013, conforme revela o balanço realizado com 727 fundos pelas consultorias NetQuant e Towers Watson, todos os segmentos da previdência aberta perderam de goleada para o Certificado de Depósito Interfinaneiro, o CDI, principal referência de retorno da renda fixa, que rendeu 8,06% no ano passado, e até mesmo da poupança, com 5,85% de ganho líquido.

Os fundos da categoria renda fixa – que tiveram melhor desempenho no ano passado – registraram ganho médio de 4,62%, ou seja, não só foram batidos pelo CDI como perderam também da inflação: segundo a mediana de estimativas do mais recente boletim Focus, do Banco Central, 2013 teria fechado com uma alta de 5,74% na medição pelo IPCA. Já os multimercados sem renda variável conseguiram uma rentabilidade média acumulada ainda mais sofrível, de apenas 2,06%.

Nas categorias com renda variável, o resultado minguado só não foi negativo nos fundos com alocação de até 15% da carteira em ativos do gênero. Esses produtos com menor limite para apostar em ações ganharam 2,16% na média de 2013. No entanto, conforme a possibilidade de alocação em bolsa aumenta, o prejuízo também cresce. Aqueles com permissão para ter até 30% de renda variável perderam 0,05% no ano passado, enquanto os compostos por fatia de até 49% tiveram um prejuízo médio de 3,02%.

O ano registrou ainda marcas pouco memoráveis para a indústria. Em julho, por exemplo, houve, pela primeira vez em cinco anos, mais saques que aportes, com resgates líquidos de R$ 1,04 bilhão. Desse total, a renda fixa amargou retirada de R$ 622 milhões no período. O saldo negativo refletiu o nervosismo dos investidores, preocupados com perdas em meses consecutivos.

Os resultados ruins em 2013 espelharam, entre os principais fatores, o ciclo de alta de juros combinado ao movimento de alongamento de prazos médios das carteiras de previdência. Segundo o sócio-diretor da NetQuant, Marcelo Nazareth, “a maiora dos fundos só viu o lado ruim desse cenário”. Ou seja, fizeram a troca de títulos no momento em que os juros estavam nos patamares mais baixos e foram pegos no contrapé do ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic. “Uma regulamentação tardia acabou obrigando as empresas de previdência a alongarem os prazos justamente quando as taxas estavam nas mínimas históricas”, explica Nazareth, em referência à determinação do governo que obrigou gestores de previdência aberta a substituir aplicações de curto prazo e indexadas à Selic por papéis mais longos.

Na esteira desse ajuste, recheadas de títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs, e, em menor grau, de prefixados, como LTNs e NTN-Fs, as carteiras da maioria dos fundos de renda fixa do setor amargaram perdas em boa parte do ano passado. Os momentos mais críticos ocorreram nos dois meses que antecederam os resgates de julho, conforme pode ser percebido pelo desempenho do IMA-B, índice que registra a variação de uma carteira teórica de títulos do governo atrelados ao IPCA. Em maio, o indicador registrou uma perda de 4,52% e, no período seguinte, novo retorno negativo de 2,79%.

As perdas na renda fixa trouxeram volatilidade inédita ao mercado. Segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Osvaldo do Nascimento, o Brasil historicamente não apresentava essa instabilidade no setor, “mas agora entrou no clube”. Com uma cultura previdenciária até então permeada pela estabilidade, as oscilações de 2013 deixaram os investidores com os nervos à flor da pele.

Em termos de captação líquida, quando se descontam os resgates dos aportes, apesar de o ano ter terminado com um saldo positivo de R$ 25,37 bilhões, o valor representa um recuo de 31,35% na comparação com o resultado de 2012, segundo o levantamento da NetQuant e Towers Watson.

Todos os segmentos de renda variável registraram saídas líquidas no ano passado, provavelmente impactados pelo desempenho ruim do Ibovespa, que teve queda de 15,5% em 2013. O recuo nessa categoria de fundos de previdência indica ainda uma tendência a maior aversão ao risco, que deve imperar neste ano entre os investidores.

Para a consultora sênior do grupo Mercer, especializado em seguros e previdência, Carolina Wanderley, “o cliente de PGBL e VGBL muitas vezes enxerga esses produtos como um investimento de curto prazo. É um erro”. O presidente da FenaPrevi reforça essa percepção: “o cidadão não está preparado para a volatilidade e quando ele olha para rentabilidade negativa ele acha que perdeu dinheiro”.

Carolina, no entanto, lembra que previdência é investimento de poupança e de longo prazo. “Enquanto as pessoas não entenderem essa característica vai acontecer essa fuga em momentos de instabilidade.” O vice-presidente de planejamento e vendas da Icatu Seguros, Luciano Snel, vê um lado benéfico para as turbulências de 2013. “O cenário adverso forçou as companhias a fazer ações de relacionamento com os corretores e clientes para ter certeza de que todo mundo estava entendendo”, diz.

De acordo com a diretora de produtos e comunicação da BB Seguridade, que controla a Brasilprev, Ângela de Assis, o ano passado trouxe um aprendizado com as ações de relacionamento, que, avalia ela, foram fundamentais para enfrentar as oscilações do mercado. “Em maio e junho, quando tivemos um período de grande volatilidade, começamos a fazer uma série de reuniões no Brasil todo para levar informações sobre a volatilidade, como era melhor atuar, impacto da alta da Selic. Fizemos esses encontros específicos com todos os clientes com maiores valores aplicados em previdência.” Segundo Ângela, essas iniciativas não só impediram clientes de realizarem prejuízos, como trouxeram maior tranquilidade aos cotistas.

A forte instabilidade que marcou 2013, em especial, os segundo e terceiro trimestres, não se repetirá neste ano, preveem os especialistas. Não significa, entretanto, que será um período fácil para o setor.

Na avaliação do sócio-diretor da NetQuant, Marcelo Nazareth, o prejuízo ficou em 2013. “A perda já houve”, diz. No entanto, o consultor alerta para o cenário macroeconômico adverso e que pode segurar uma maior recuperação do setor neste ano. “A inflação está rodando muito alta e, com emprego forte, a pressão sobre os preços está muito presente. Com isso, os juros podem até parar de subir, mas não vejo justificativa para redução da Selic.”

Nazareth chama atenção ainda para a trajetória dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA, os treasuries, que pode ser uma variável de instabilidade no curto prazo. “Os papéis americanos têm tido altas fortes e, quando sobem, pressionam a curva de juros futuros no Brasil”, explica.

O presidente da FenaPrevi, Osvaldo do Nascimento, afirma que o setor cresceu 10% em 2013. E, neste ano, “a captação líquida tende a crescer mais de 10%, mas ainda com menos intensidade que em 2012”.

Apesar de eventuais oscilações na rentabilidade, Nascimento identifica uma janela de oportunidade para os investidores no início deste ano, com a retomada de alta dos juros dos títulos públicos. “As carteiras de renda fixa voltaram a se beneficiar de um prêmio mais alto. As NTN-Bs [títulos públicos indexados à inflação] estão pagando juro real de mais de 6% contra pouco mais de 3% no fim de 2012”, afirma.

“A hora é de comprar e ver essa rentabilidade no futuro. Mas, para isso, é preciso carregar essa aplicação no longo prazo”, corrobora a consultora sênior do grupo Mercer, Carolina Wanderley. A especialista vê uma captação mais forte a partir do segundo semestre. “Vai ser um ano menos volátil, o que tende a gerar uma captação líquida mais estável, principalmente após os juros pararem de subir”, afirma.

Para o sócio da NetQuant, a alocação em previdência vai ter uma tendência conservadora neste ano. E o perfil de risco deve mudar perto de 2015. Porque, segundo Nazareth, “o dinheiro migrará de volta [ao setor] no final deste ano quando o lucro da troca de taxas menores pelas maiores se realizar”. Segundo Nascimento, da FenaPrevi, “pelo menos até as eleições as pessoas vão evitar a renda variável”.

Thais Folego (Valor, 09/01/14) avalia que o teste de nervos pelo qual os investidores de planos de previdência passaram em 2013, com a alta volatilidade provocando perdas em carteiras de renda fixa, motivou uma migração de recursos para planos com carteiras mais conservadoras. Ao contrário do que podia se supor, porém, esse movimento foi bastante visto entre planos da mesma instituição, e não para planos de outros bancos.

A migração de recursos entre planos de instituições diferentes, movimento chamado de portabilidade, cresceu muito pouco no ano passado após ter mostrado avanços de dois dígitos nos anos anteriores. O número de portabilidades efetivadas de janeiro a outubro de 2013 foi de 51.207, um crescimento de apenas 4,38% em relação ao ano anterior, segundo os últimos dados da FenaPrevi, entidade que reúne as empresas de previdência aberta. Elas movimentaram R$ 5,4 bilhões. Em 2012, o avanço do número de portabilidades tinha sido de 22,18%.

“As pessoas ficaram inseguras em fazer mudanças em momentos de crise. Elas pensam: ‘está ruim aqui, mas pode estar pior em outra empresa'”, afirma a diretora da Caixa Previdência, Rosana Techima. Do outro lado do balcão, as empresas também fizeram um grande esforço para acalmar os clientes e explicar que a volatilidade sentida nas cotas dos planos era derivada de uma conjuntura de mercado, e não da estratégia de investimento de uma instituição ou outra, afirma o presidente da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio de Oliveira. “Não é mudando de entidade que vai ter cenário diferente”, diz.

“O maior número [de migrações] é entre planos da mesma empresa, quando o investidor troca o seu perfil de risco”, diz Osvaldo do Nascimento, presidente da FenaPrevi. Ele lembra que em planos de previdência o investidor não tem nenhum custo ou taxação para migrar seus recursos, diferentemente de fundos de investimentos, por exemplo, em que o investidor precisa sacar os recursos e pagar impostos para, então, aplicar em outra carteira. “É uma vantagem que o plano de previdência apresenta em relação a outras aplicações financeiras”, diz Nascimento.

No caso de portabilidade, o investidor tem apenas que preservar a natureza do plano (previdenciário) e o regime tributário escolhido no momento da contratação (tabela progressiva ou regressiva).

O mercado de previdência privada aberta no país é amplamente dominado pelos grandes bancos e, por isso, muito ligado ao relacionamento bancário do cliente, diz Sandro Bonfim, superintendente de produtos da Brasilprev, empresa de previdência do Banco do Brasil que está sob o guarda-chuva da BB Seguridade. “Por isso, o pedido de portabilidade acontece quando o cliente troca de banco ou tem algum insatisfação ou problema específico com o plano”, afirma.

O setor, segundo dados da Fenaprevi, tem um patrimônio de R$ 365 bilhões e é liderado por Bradesco (com fatia de 32,3%), seguido por Itaú (23,9%) e Brasilprev (22,04%). Ou seja, três bancos têm sob gestão 78% dos recursos do mercado.

Um movimento observado no ano passado foi o de zeragem de taxa de carregamento de planos. Isso ajudou algumas instituições a manter alguns clientes e a “roubar” alguns outros da concorrência. A taxa de carregamento é cobrada sobre o valor da contribuição no momento da entrada ou da saída do plano, ou em ambos. Ela pode ser de no máximo 10% e tem como finalidade o custeio de despesas operacionais.

A Caixa, por exemplo, zerou a partir do segundo semestre a taxa de carregamento de entrada de seus planos e não cobra a taxa no resgate a partir do 37º mês de aplicação. E isso se refletiu na arrecadação da empresa, segundo Rosana. A captação cresceu 12% no ano até outubro, o dobro do avanço do mercado no período.”

One thought on “Fundos de Previdência Privada Complementar: PGBL / VGBL

  1. Pior do que a rentabilidade é o susto que tomamos no vencimento, quando se esperava beneficios vitalicios. Caso da BRASILPREV, plano de matricula 025965557. Prepostos informaram que teriamos que resgatar em prazo fixado ao invés de uma renda vitalicia e com opção para o resgate total com tributação
    de 27,5%. Absurda a conclusão, após tantos relatorios informando garantia de renda vitalícia, valor do
    beneficio e correção mensal de IGPM, mais juros de 6%.
    Isto, desde novembro sem solução.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s