Campanha pelo Voto Nulo ou Branco e Alienação Política

Votos Nulos ou Brancos

Maria Cristina Fernandes (Valor, 07/03/14) é Editora de Política do jornal que faz o melhor acompanhamento político. Ela chamou a atenção para um fenômeno bastante interessante. A campanha pelo Voto Nulo ou Branco e Alienação Política, durante as Manifestações de Junho de 2013, quando neofascistas “caçavam como ratazanas” os militantes partidários, representou um tiro-no-pé da própria oposição, beneficiando a situação! Isto sem falar nos efeitos negativos da violência do vândalos (black-blocs) ao provocar maior repulsa e/ou alienação política. Leia abaixo seus argumentos.

“Desde que inventaram eleição em dois turnos no Brasil dela só escapou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tanto em 1994 quanto em 1998. Em nenhuma das três eleições posteriores o PT foi capaz de chegar à maioria absoluta dos votos para liquidar a fatura de uma só vez.

Num momento em que pemedebistas e petistas deixados ao relento, além de empresários e banqueiros queixosos, só se ocupam do “volta Lula”, a aposta de que a reeleição da presidente Dilma Rousseff pode repetir a façanha de FHC parece uma alucinação.

A aposta tem nome e endereço e está a léguas, em distância e propósito, do quartel-general da campanha presidencial. Chama-se Alexandre Marinis, foi analista do banco Garantia e hoje tem uma consultoria que se dedica a esquadrinhar a política em números para seus clientes.

Todos se surpreendem até serem apresentados ao caminho percorrido pelo economista da Mosaico até as previsões que, só à primeira vista, parecem uma ressaca mal curada de carnaval.

O ponto de partida são as manifestações de junho do ano passado. Duas pesquisas Datafolha feitas antes e depois de as ruas se encherem mostram que o percentual de eleitores dispostos a dar um voto em branco ou anulá-lo havia mais do que duplicado.

Até o início de junho o patamar se mantinha no limite padrão de 7%. A partir das manifestações, esse percentual cresceria a ponto de chegar a 18% na última rodada de fevereiro.

Se um maior número de eleitores se diz disposto a anular sua opção para presidente ou votar em branco, diminui a cesta de votos válidos a partir da qual se conta a maioria necessária para que se liquide a fatura no primeiro turno.

A remissão às duas eleições de FHC é obrigatória. De cada dez eleitores que compareceram para votar em 1994 e 1998, oito validaram seus votos. O ex-presidente elegeu-se com metade desses votos.

Na era petista o sarrafo aumentou. Caiu o percentual de nulos, muito provavelmente por causa da universalização da urna eletrônica. Os votos nulos sempre foram maiores em cidades com maior número de analfabetos. A urna eletrônica facilitou o voto dessas pessoas.

Com isso, de cada dez eleitores que compareceram aos locais de votação nas três últimas disputas presidenciais nove validaram seus votos. Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma precisavam fazer uma metade mais robusta de votos que a de FHC. Falharam e acabaram enfrentando um segundo turno.

A julgar por todas as pesquisas desde as manifestações, o patamar de nulos estará mais próximo daquele observado nas eleições de FHC do que na dos petistas, o que embasa as convicções de Marinis sobre as chances de um único turno em outubro de 2014.

Além das evidências aritméticas, as pesquisas revelam que o alheamento prejudica a oposição porque tira do mercado os eleitores mais oposicionistas do pedaço. É duas vezes mais fácil encontrar um eleitor que aprova governo Dilma entre aqueles que pretendem escolher o senador Aécio Neves ou o governador Eduardo Campos do que entre aqueles que pretendem votar em branco ou nulo.

A entrada da ex-senadora Marina Silva como vice de Campos ou mesmo como candidata melhora as chances do PSB, mas não reduz o alheamento eleitoral.

Tanto Campos quanto Aécio devem torcer por candidaturas que ajudem a captar esse voto nulo. Se o pré-candidato do PSOL, o senador Randolfe Rodrigues (AP), começar a ser ouvido pelos desencantados pode ajudar a oposição. O mesmo talvez não possa ser dito se o ministro Joaquim Barbosa resolver disputar e, além dos alheios, roubar os votos da oposição.

O alheamento acendeu o sinal amarelo no Tribunal Superior Eleitoral, que prepara campanha institucional sobre a importância do voto. Ao contrário de outras, de teor mais educativo e voltada para grotões analfabetos, esta, com um apelo mais cívico, buscará o eleitor das grandes cidades.

Desde as massivas demonstrações de junho, os protestos reduziram-se em escopo, mas não é só quem solta rojão que se afasta da urna. A violência gerada por ambos os lados e seu noticiário inflam a descrença na política institucional.

A despeito do empenho do governo em aprovar lei contra os rojões, as manifestações, pelo que mostram as contas de Marinis, podem acabar ajudando a reeleição. À dura tarefa de conquistar quem quer votar, soma-se aos percalços da oposição a façanha de arrebanhar os alheios.”

5 thoughts on “Campanha pelo Voto Nulo ou Branco e Alienação Política

  1. Os dados são interessantes, mas o grande problema é que a nova classe média tem um perfil individualista, nitidamente conservador.
    Abs.

  2. Sobre o atual sistema eleitoral e o voto nulo:
    Sou contrário ao atual sistema eleitoral, por três razões bem simples:
    1) é DESIGUAL, porque se fundamenta no poder aquisitivo. O candidato sem dinheiro para financiar uma campanha eleitoral jamais será eleito. A disputa fica para os candidatos e/ou partidos ricos, que podem bancar uma forte campanha midiática.
    2) as urnas eletrônicas podem ser fraudadas facilmente, conforme técnicos de informática já comprovaram (pesquisar na internet). Países bem mais tecnológicos do que o Brasil não usam a famigerada urna eletrônica, como Japão, EUA, Alemanha e etc.
    3) o voto, sendo um direito, não deveria ser obrigatório; pois o exercício de um direito não deve ser algo obrigatório. No EUA, por exemplo, o voto é facultativo.

    O que proponho?
    Concurso público em vez de eleição. A eleição fundamentada no poder aquisitivo não é democrática; mas o concurso público, sendo aberto a todos os cidadãos naturais, dá oportunidade igual para todos os brasileiros. Se assim fosse, homens como Dr. Enéas Carneiro e Dr. Joaquim Barbosa, talvez, alcançariam a Presidência de nossa República. Para mim, todo cargo público deveria ser conquistado intelectualmente. Esse concurso seria elaborado e supervisionado pelos magistrados, por terem maior credibilidade perante a opinião pública. A remuneração dos parlamentares também seria revista (enxugada). A maior remuneração de um parlamentar seria igual a de um delegado de polícia federal ou de outro cargo público equivalente; assim, a carreira política exigiria VOCAÇÃO, e não apenas interesse financeiro. Enfim, nesse sistema de concurso, valorizariam-se o intelecto e o esforço pessoal, e não o poder aquisitivo.

    Isso resolveria nosso problema de corrupção?

    A intenção, primeiramente, é resolver o problema da desigualdade (a injustiça do sistema). Quanto à corrupção, acredito que pessoas mais capacitadas intelectualmente e vocacionadas ocupando os cargos políticos DIMINUIRIA, sim, a corrupção política. Ainda mais se o povo se interessasse pela política e, acompanhando todo o processo do concurso, exigindo dos magistrados prestação de contas, supervisionasse o processo com seriedade. Daqui, lembro-me de um antigo ditado: “o olho do dono é que engorda o gado”.

    Tal ideia é uma utopia?

    Não. Utopia é o nosso lindo país ser considerado, internacionalmente, como O PAÍS DA CORRUPÇÃO E DO FUTEBOL, e o nosso povo ser considerado O POVO ACOMODADO QUE SE SATISFAZ COM FUTEBOL, NOVELA, CARNAVAL, CHURRASCO e CERVEJA. Enfim, a ficção de hoje pode ser a realidade de amanhã, e isso só depende de nós. 👈

    Sobre o voto NULO ou BRANCO:

    Às vezes, eu voto nulo, por duas razões:
    1) é um direito.
    2) é uma forma de protestar contra os candidatos que não satisfazem.

    Sobre esse assunto, é preciso esclarecer dois pontos:
    1) o voto nulo não tira o direito de cobrar dos políticos, pois este direito é dado a todos que pagam impostos (pagam os salários e mordomias dos políticos). Enfim, todo CONTRIBUINTE tem o direito de exigir responsabilidade dos políticos; ainda mais sendo o voto nulo um DIREITO.
    2) Em direito eleitoral, voto nulo é considerado ABSTINÊNCIA EM RAZÃO DA CONSCIÊNCIA. Ou seja, a idéia de que votar nulo é ABSTINÊNCIA DE RESPONSABILIDADE não tem fundamento. 👍

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